Boas Vindas para um Amiga
Da Mata Atlântica à Amazônia,
ter tudo e mais um pouco:
do coração e frutos de juçara,
que nasceu para alimentar,
e merece sempre ser preservada.
Juçara bonita e tão rara,
que além das gentes sustenta
tucanos, jacus, jacutingas,
e os versos deste poema.
Juçara esquecida e tão cara,
que além das gentes sustenta
sabiás, periquitos, maritacas,
e cujas folhas são capazes
de cobrir com beleza as casas.
Juçara magnífica e tão rara,
que além de alimentar as vistas,
sustenta macacos-prego, cotias,
esquilos, e que aos músicos
emprestara ritmo e inspiração
para mais de uma latina canção.
Da Mata Atlântica à Amazônia,
que alimenta mais do que sabemos,
e está deixando de existir para todos:
para os catetos, tatus, capivaras e antas,
e daqui a pouco até para as esperanças!
O interesse no futuro, percebi que não existe,
e pergunto sem resposta neste quase luto:
— Será que é de fato o que queremos?
Chegamos no ponto de vivemos ou vivemos.
Olhar para frente
é um dever em busca
da metamorfose,
Baixo a ocupação
via doutrinação
por outra Nação,
é dever da nossa
conquistar a libertação.
O tempo propício chegou
de um mostrar o quanto um
pelo outro sempre esperou;
e nada nos dessacralizou.
Por adoração e magnetismo
viramos o magnífico vício
de escrevermos o destino:
o calendário não ultrapassou.
Não há um só dia que não
tenhamos vivido: porque
pelas estações nós sentimos.
E sentindo: ipês seguimos.
Com o ritmo das estações
pelos caminhos floridos.
Política e geopolítica não podem servir de pretexto para um tiranizar o outro individualmente. Não faz nenhum sentido discussões intermináveis entre nós que somos da base da pirâmide sem nenhum poder real de decisão.
Todos os animais nativos fazem parte do meu espírito. Sinto um sentimento de posse visceral territorial em relação ao meu país. Sempre tive mais ciúmes do meu país do que se um homem.
Ver sob o Sol
um desejo profundo:
fome de futuro.
...
Abrir a fechadura
do coração:
somente ternura...
Teu corpo, que cobiço,
e que ainda não tenho,
põe um doce suplício
no ritmo de Kaseko,
em agitação máxima,
alucinante e contagiante,
diante do Rio Suriname.
Capaz de fazer o desejo
virar orgulho e assunto
na primeira página em Paramaribo,
por fina ironia do destino.
Sob uma palmeira-real,
fazemos juras de amor
neste continente austral;
nunca conheci alguém
capaz de fazer algo igual.
Não sei se havia
me visto antes,
Não tenho costume
de guardar datas,
Tem um bom tempo
que ele ocupa
o meu pensamento,
Ele é o mistério da década,
Talvez ele seja poeta
e nem tenha descoberto.
Quando o fez,
ele mexeu comigo,
não tenho dúvida
que ele tem algo de divino.
Naturalizar comer uma fruta, cultivar a muda, encontrar um lugar para plantar e deixar que a vida se cumpra. Todos podem ser facilitadores da vida.
Precessão gravitacional
do disco estelar de cada um,
Bamboleio sem igual
para viver o excepcional
neste Hemisfério Austral.
[Sobre o que há de celestial.]
Não existe um só dia
em que eu não viaje dentro
da América Latina,
percebendo os seus
românticos sinais
Há muito tempo isso faz
e a cada dia desejo mais.
Percorrer o Rio Coco
ao som de Punta
em celebração Garífuna,
sentir o teu perfume
misturado ao do Ocote.
Todos os dias tenho
pedido a Deus esta sorte.
Mesmo que me digam
que ando esperando demais
ou vivendo de fantasia,
não vou desistir, porque
o coração vai só onde confia;
e algo me diz que, da tua
parte, a vontade é recíproca:
não vamos nos deixar para trás.
Pintar a si mesma,
admitir ser só,
Conhecer-se melhor
que qualquer um
e ser a sua própria escola;
Entender que no amor
nem sempre um mais um
será igual a dois,
Ser Frida é não
deixar-se para depois.
Por ninguém foi percebido
sempre que ocorre um terremoto;
e, em algum lugar foi sentido,
é porque o coração da América Austral
foi profundamente partido:
Por quem despreza a terra,
a ancestralidade e o destino.
[De ser o próximo não há
nesta terra que esteja impedido.]
Seria um condor
para ser cortejada
pelo meu condor,
e viver no alto
da América Austral
a mais linda
história de amor.
O amor romântico é necessário. Nenhuma relação se sustenta sem sonho e sem um pacto de mútua sedução contínua. Quando há realmente o amor romântico na relação de um casal não existe nem mesmo hierarquia.
A Via Láctea dança o Kwadril,
refletida sobre o Rio Roseau,
e a gente também, de um jeito
que Santa Lúcia jamais viu.
A ventania acaricia a Calabash
e a frondosa Mahot Cochon,
e você, com este olhar, me traz
de um jeito delicioso e bom.
Quero conversar com você
depois que a festa terminar,
e ajustar o tom feito para amar.
Estou o tempo todo a embalar,
e tenho certeza que você também;
algo entre nós está a começar.
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