Batalhas
Fico muito feliz, que cada vez mais vejo os povos originários fomentando novas batalhas, enfim tenham chegado em conjunto, vindos inteiros para as lutas sociais pelo direito pleno de suas culturas, suas artes, identidades e ancestralidades. Agradeço particularmente as vozes de todas mulheres guerreiras, que sempre buscaram o melhor para todas as crianças da tribo. Agradeço a energia feminina da terra. Sinto me gratificado, por pequenos passos que dei e incentivei a alguns índios e índias neste sentido por estas lutas de ressignificação artística, social e cultural ao longo dos tempos para que o mundo todo passasse a ser uma aldeia só e resgate moral de seus direitos das escolhas na liberdade.
Quem conhece suas batalhas é quem está na trincheira com você,
Os outros querem apenas informações para noticiário.
Riem das minhas cicatrizes,
Porque não conhecem minhas batalhas.
Poucos sobreviveriam as guerras que lutei
"Trate-se com a reverência de quem é o único sobrevivente de todas as suas batalhas. Os outros assistiram ao filme; só você sentiu o peso do roteiro."
A exaustão mental é o reflexo de um espírito que lutou em batalhas que nunca deveriam ter sido suas.
A exaustão existencial é a prova de que lutamos batalhas que ninguém consegue ver, combates travados na calada da mente contra o peso esmagador das expectativas não cumpridas, e o esforço de levantar a cada manhã, quando a gravidade da alma parece maior, é um ato de heroísmo silencioso que ultrapassa qualquer feito público ou medalha de honra. É na quietude desse cansaço que a gente decide, mais uma vez, que a dignidade de existir vale mais do que a facilidade de desistir.
Carrego dentro de mim batalhas que ninguém viu, mas cada uma delas moldou meu peito como ferro aquecido, não pedi para ser forte, fui obrigado pela vida, e mesmo assim aprendi a amar no intervalo das dores, sou testemunha da minha própria ressurreição diária.
O tempo não possui o poder mágico de curar, ele é apenas o cronista impiedoso das nossas batalhas perdidas, registrando as feridas que insistimos em maquiar com o falso sorriso da resignação forçada, e a ilusão de que a passagem dos anos apaga a dor é o autoengano mais perigoso. O verdadeiro antídoto contra o veneno do passado não está na espera, mas na ação de mudar as escolhas, de traçar um caminho onde a sua atitude não seja um reflexo do que foi, mas um farol do que será, porque a vida só se transforma quando paramos de ser meros espectadores dos nossos próprios erros.
O caminho se torna mais leve quando aprendemos a escolher com sabedoria as nossas batalhas, compreendendo que nem todo desafio merece nosso desgaste. Algumas coisas, na verdade, exigem apenas o silêncio, uma forma de vitória elegante e superior que protege a nossa energia. Já fomos iludidos por promessas vazias, mas hoje a crença reside nas atitudes concretas, pois a verdade sempre assume forma e quem realmente quer, age, o resto é ruído que não merece atenção. A vida nos ensinou a desconfiar das facilidades, sabendo que o que vem rápido se esvai na mesma velocidade, e que a verdadeira permanência exige esforço e construção. Mesmo nos dias em que caminhamos sentindo que estamos sem um destino aparente, o propósito e a guia de Deus permanecem firmes e silenciosos, bastando a certeza de que nunca caminharemos sós. É crucial entender que, embora nem todos mereçam uma segunda chance da nossa parte, nós sempre merecemos recomeçar, sendo o nosso próprio ponto de partida, o nosso destino e a única bússola a seguir em frente.
O corpo tem memória de batalhas que a mente quer esquecer. Há dias em que ele se recusa a colaborar, cobra presença no presente. Quando obedece, eu celebro em silêncio, quando nega, aprendo a negociar, ofereço chá, música, paciência, pequenos tratados de trégua.
Quando me olho no espelho, o reflexo traz um mapa antigo. Marcas de batalhas que ninguém viu, trilhas sem sinal. Ainda assim, há um brilho tímido como vela em igreja pequena. A esperança é um resto de luz que insiste em ser farol. Sento-me e soube que, ao menos, sei esperar.
Cicatrizes são medalhas da alma, não se espera emoção por ter elas, essas marcas de batalhas, insígnias de coragem invisível que um dia, foi a única moradia conhecida.
Hoje, ao voltar os olhos e reconhecer o caminho percorrido, as batalhas vencidas, as perdas transmudadas, a jornada inteira resplandece de sentido. Cada conquista miúda ganha peso e brilho, mesmo aquilo que o mundo chama de ínfimo é, para mim, prova concreta de resistência, de trabalho e de um cultivo paciente do meu próprio ser.
