Bandido
Até o pior bandido tem seu código de honra. Quem profere ilusões para alcançar objetivos não é falso, é maligno.
O mal não pode vencer o bem. O bandido não pode vencer o mocinho, assim como Tom nunca pode derrotar Jerry. Ao olhar ao redor, vemos, ouvimos e sentimos uma desesperança que tenta nos confinar — mas este é o momento de reagir e jamais aceitar.
Ah, se vocês soubessem
da poesia que trago em meu peito
Eu poderia rimar com bandido
este peito...
E com poeta menino
o Universo!
Ah, se vocês soubessem
da poesia que este menino
carrega em seu peito!...
Então se explicaria
toda esta rebeldia
e este não aceitar
e este sonhar encantos...
Todos se comoveriam...
Finalmente desobscurecidos!
Saberiam o motivo de sua dor
e como seu coração é
de vendaval e fogo!
Perdoariam sim, tanta irreverência...
Tanta sapiência
e impaciência...
Que só poderia dar em dor!
Neste mundo onde o "certo"
é o "errado"
O "sagrado"
é o "profano"...
Ele sabe de histórias, meu Deus!
Tão antigas quanto o tempo!...
E tem fé na vida
e tem sorte, sim!
O saber sentir,
lhe é um privilégio
E o martírio santo de ser poeta
uma dádiva e uma nova chance!
Imaginem só!
Ninguém pode escutar
a sua voz
Ninguém ousa desatar
os seus nós
E seus rótulos todos
já estão vencidos!
O maior de todos os deslizes é atribuir poder e autoridade a um apedeuta bandido, mentiroso, e corrupto, e alçá-lo ao comando de uma nação.
Nunca tenha pena do seu inimigo, assim como não se deve ter pena de um bandido. A piedade é uma fraqueza que custará a vida de toda a sua família, pois eles agirão sem qualquer misericórdia.
Existem vários tipos de amores:
Amor bandido.
Amor gostoso.
Amor que amamos
Amor que assusta
Amor que se foi
Amor que não veio
Amor que se confia
Amor que trai
E o pior dos amores é aquele que não vivemos, não brigamos por ele, deixamos passar sem perceber que esse era o amor verdadeiro.
(Saul Beleza)
A consciência/
observou a ação
e chamou a polícia/
e o bandido coração
caiu no álibi: agora só prisão./
O bandido do bairro domina a rua, mas o bandido no poder domina a regra. A aliança entre eles é o que transforma o crime organizado em um projeto de poder.
Amor fingido...
Amor fingido, amor bandido
Contigo eu vivi num mundo iludido
Corri perigo! Fiquei sem destino
Me ferir por causa desse amor maldito.
Fui fraco, eu admito!
Mas hoje não preciso do seu amor
Me esqueça! Estou indo embora,
Indo curar a minha dor...
Pois tenho o direito
De viver um novo amor
Nesse caminho eu vou
E só vou parar
Se um grande amor
Eu encontrar.
(Autor: Edvan Pereira) "O Poeta"
O Bandido Assumido consegue ser muito mais Honesto do que qualquer Covarde sob a segunda pele do Braço Armado
do Estado.
É uma verdade que incomoda — e talvez deva mesmo incomodar.
Porque ela não exalta o crime, mas expõe uma ferida mais profunda: a da confiança traída por quem deveria, por princípio, protegê-la.
O bandido declarado não esconde suas intenções.
Ele não se disfarça de virtude, não se abriga na legitimidade de um uniforme, não reivindica para si a autoridade moral de agir em nome da lei.
Seu erro é explícito — e, por isso mesmo, enfrentado como tal.
Há clareza no confronto.
Já o covarde que veste o poder como fantasia opera num terreno muito mais perigoso.
Ele não apenas erra; ele distorce.
Usa a força que lhe foi confiada como escudo para suas fraquezas, como instrumento para seus desvios, como licença para ultrapassar limites que deveria defender.
E, ao fazer isso, não fere apenas uma vítima — corrói a própria ideia de justiça.
Porque quando a violência vem de onde se esperava proteção, ela não é só agressão: é Desilusão.
E desilusão, quando se instala, é mais devastadora do que o medo.
O medo nos alerta.
A desilusão nos paralisa.
Não se trata de romantizar quem vive à Margem da Lei, mas de reconhecer que a hipocrisia tem um peso moral diferente.
O erro de quem nunca prometeu ser correto é Gravíssimo.
Mas o erro de quem jurou ser justo — e falha por conveniência, abuso ou covardia — é uma quebra de pacto que não merece perdão.
E talvez seja isso que mais nos inquieta: perceber que o problema não está apenas na existência do mal declarado, mas na infiltração silenciosa do desvio dentro das estruturas que deveriam contê-lo.
No fim, a sociedade não se sustenta apenas por leis, mas pela confiança de que aqueles que as aplicam não as dobrarão ao sabor de seus próprios interesses.
Quando essa confiança se rompe, o que sobra não é apenas insegurança — é um vazio ético onde qualquer narrativa pode se impor.
E é nesse vazio que a verdade mais incômoda ecoa: não é a presença do Bandido Assumido que mais ameaça a ordem, mas a perda da integridade de quem deveria garanti-la.
O que é mais assustador,
o Bandido Assumido ou o que se esconde sob o Braço Armado do Estado?
O primeiro, ao menos, não disfarça a própria face.
Sua ameaça é explícita, sua intenção quase sempre previsível dentro da lógica brutal que escolheu habitar.
Há perigo, sim — mas também há clareza.
E, de certa forma, a clareza nos permite reagir, nos proteger, reconhecer o abismo antes de cair nele.
Já o segundo é envolto em um manto que deveria simbolizar ordem, proteção e justiça.
E é justamente aí que reside o desconforto mais profundo: quando aquilo que deveria resguardar se transforma em fonte de medo, a ruptura não é apenas prática — é moral.
Porque não se trata apenas de um indivíduo que erra, mas de um papel que, ao ser desonrado, contamina a confiança de todos.
O problema não é a existência do poder, mas a distorção do seu propósito.
Quando a força se afasta da responsabilidade, ela deixa de ser instrumento de equilíbrio e passa a ser ferramenta de opressão.
E, nesse cenário, o que assusta não é só o ato em si, mas a blindagem que muitas vezes o cerca — o silêncio conveniente, a defesa apaixonada, a incapacidade coletiva de distinguir autoridade de autoritarismo.
Talvez o verdadeiro terror não esteja na violência evidente, mas na violência legitimada.
Aquela que se esconde atrás de símbolos, discursos e fardas, e que, por isso mesmo, encontra menos resistência.
Porque enquanto o Bandido Assumido enfrenta o julgamento imediato, o outro, muitas vezes, se abriga na dúvida, na relativização e na cegueira seletiva.
E é nesse ponto que a sociedade se revela.
Não pelo modo como condena o erro óbvio, mas pela coragem — ou falta dela — de confrontar o erro que veste a máscara da legalidade.
No fim, a pergunta não é apenas sobre quem assusta mais.
É sobre o que estamos dispostos a enxergar… e, principalmente, o que escolhemos ignorar.
Entre a polícia e o bandido, já não sei qual é pior.
Nós somos os patrões, pagamos para ter proteção, mas o que recebemos é humilhação.
Esse serviçinho de porco (mal feito), desperta a revolta de toda uma sociedade, e ainda querem exigir respeito, mais irônico é a propaganda do governador dizendo ‘um Estado de respeito’.
Me pergunto se os bandidos de hoje não surgiram a partir de toda essa revolta que eles mesmos promovem na gente.
E porque NÃO roubar, sendo que a pizza chega primeiro?
Essa fardinha não os torna melhor do que ninguém.
Somos todos seres-humanos!”
(Desabafo à Autoridade)
