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Almir Zarfeg

Encontrados 12 pensamentos de Almir Zarfeg

BINAS




Que está por trás do sobrenome

Prenome, pronome, prenúncio

Simplício, simplicidade, suplício

todas

as

vias

todas

as

minas

todas

as

portas

todos

os

brasis

CONTO DE NATAL


Mínimo na expressão, como o olhar do menino que acaba de nascer. Máximo no conteúdo, como a coroação de Marcus Aurelius Sampaio. Vida longa ao pequeno grande imperador!

HAICAI


A pele do tempo
Precisa de muita mirra
E pouco vento.

Carnaval


Vamos encher a cara de alegrias e
Amores, sempre obedientes à
Lei: viver cada emoção na folia!


Vamos que vamos, colombina,
À diversão com a fantasia que nos
Liga e mistura e diverte e rima!


Vai e vem, pelo amor de Momo!
Aqui tem sedução, bom humor e
Lição: minha dona, seu homo!


Vai muito bem nosso Carnaval:
Assim e assado nós na avenida!
L&P: sou seu bem, és meu mal!

Piegas


Não aceite a parte que lhe cabe
Nas boas e velhas maneiras
Indisponha-se, não se entregue!
Nunca perca o brilho diante
Do espelho (é você mesma!) ou
Das cantadas assaz reticentes...
Aspire fundo a manhã fresca!
Agite-se para que, no fundo da
Alma, não lhe reste senão a doce
Ilusão dos lirismos vindouros...
Adie, sempre que preciso for,
O ósculo mil vezes repetido...
Desprograme o passeio na
Floresta, desfaça a mesa posta
Despersonalize a cantiga de
Amigo papai mamãe e o amor!

Aldravia


Benvinda:
continue
mulher
maravilha
menina:
bem-vinda!

Salve salve, Castro Alves!


eu de 14-bis para homenageá-lo singelamente
sentindo o climão com estes narizes pouco sutis
repetindo os rasantes de cor: liberal, doravante!
desenhando as pegadas nas mentes altaneiras:
“é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar”!
meu poeta maior, vivo da silva e extravagante!
quero expô-lo romântico tardio, mas não óbvio
e dizê-lo – redivivo – repetida e publicamente!

HAIKAI


Cão amarElo
Entre o carinho e Katrine
O triste e o belo.

POETA


Quem se sente o próprio cavaleiro do
Apocalipse: Paulo Mendes Campos


Quem divide o mundo em cronópios
E famas, mas prefere viver nas nuvens


Quem, não sendo godo nem mago, dá
Um duro na academia do professor Platão


Quem compartilha a fossa de Werther
Mas queria estar no lugar de Albert


Quem, não sendo mapa-múndi, traz
Minas e Bahia de cor e salteado


Quem não tem medo de fantasmas
Mas vive arrastando palavras no caos


Quem, em vez de calos nas mãos,
Tem um cavalo solto na imaginação


Quem recebe a pecha de sonhador
Com ceticismo e senso de humor


Quem sabe que o poema é a pior
Forma de expressão, com exceção das outras

ABRIL


Abril a boca para mentir, se vangloriar
Ou, bem pior, inventar fábulas, falácias
Pois era bicho-homem ou homo erectus
Cheio de segundas intenções (mas para
Que tantas se o meio-fio é dura lex?)


Abril o coração (um tipo de frase feita
Porque o tiro costuma sair pela culatra)
Oferecendo o outono a tantos e quantos
Não lhe opusessem qualquer emoção


Abriu-se como uma flor, a saber, como
Uma folha dessas que caem no poema –
Como uma mentira que, arrependida,
Se entrega ao algoz no dia da rendição!