Escritor Ubirajara Almeida
Eu, você e a dúvida.
Entre o “sim” e o “talvez”,
a dúvida veio morar.
Sentou-se entre eu e você
sem pedir licença pra entrar.
Eu trazia mil certezas
presas dentro da razão,
você tinha os olhos cheios
de coragem e direção.
Mas a dúvida, silenciosa,
soprava devagar: “E se o caminho escolhido
for difícil de suportar?”
Então ficamos parados,
olhando o tempo correr,
com medo das consequências
de tentar ou de perder.
Eu queria dar um passo,
você queria esperar,
e a dúvida construía muros
onde havia lugar.
Mas aprendi certa noite,
ao ouvir meu coração,
que toda escolha na vida
carrega renúncia e transformação.
Decidir é atravessar pontes
sem saber onde vão dar,
é aceitar que o destino
também ensina ao caminhar.
E entre eu, você e a dúvida,
houve enfim compreensão:
não existe estrada perfeita,
apenas passos na direção.
Porque pior que o erro
que o tempo pode curar,
é viver preso para sempre
sem coragem de
"Dança comigo"
Dança comigo como quem encontra abrigo no silêncio entre uma música e outra.
Vem sem medo, deixa o mundo lá fora e pisa leve dentro do meu peito.
Dança comigo
até o relógio esquecer das horas, até a lua cansar de nos olhar pela janela da
madrugada.
Segura minha mão
como se fosse possível
não cair nunca mais.
E se a vida desafinar,
a gente inventa outro ritmo,
outro passo, outra canção.
Só não solta de mim
quando o som diminuir.
Porque há amores
que começam com palavras,
mas existem os mais bonitos… que começam dançando.
*“No Inverno, Café e Você”*
O inverno chegou devagar,
vestindo a cidade de silêncio
e as janelas de saudade.
Lá fora, o vento desenhava frio nas ruas, mas aqui dentro
existia você.
O café fumegava entre nossas mãos, como um pequeno sol tentando aquecer o mundo.
E eu observava teus olhos
com a mesma calma
de quem encontra abrigo
num fim de tarde chuvoso.
Você sorria baixo,
enquanto o aroma do café
misturava memória e desejo
no mesmo instante.
Há amores que queimam como incêndio.
O nosso não.
O nosso aquece devagar,
como coberta em noite gelada, como música antiga tocando ao fundo, como dois corações aprendendo a morar no mesmo inverno.
E desde então,
toda vez que o frio retorna,
o café perde um pouco do gosto… se você não está aqui.
*“Dúvida”*
Dúvida, minha dúvida,
por que você insiste em morar entre o que sinto
e o que tento esconder?
Você chega silenciosa,
bagunçando certezas
que eu jurava eternas.
Mas, às vezes,
minha dúvida inclui certezas.
A certeza do teu sorriso
invadindo meus pensamentos
nas horas mais distraídas.
A certeza do vazio
quando você demora a aparecer.
A certeza de que meu coração te reconhece
mesmo quando minha razão
finge não saber teu nome.
Talvez amar seja isso:
um encontro estranho
entre medo e esperança,
entre partir e permanecer
Porque existem sentimentos
que não sabem explicar a si mesmos, mas ainda assim…
têm absoluta certeza de existir.
Tesouro Escondido.
Há um tesouro escondido
que o mundo não pode comprar,
não cabe em cofres de ouro
nem se pode roubar.
Ele vive no silêncio
de um coração verdadeiro,
na mão que ajuda o cansado,
no abraço ao estrangeiro.
É feito de fé e coragem,
de esperança ao amanhecer,
de quem planta bondade
mesmo sem nada receber.
É a verdade que liberta,
a justiça que traz paz,
o perdão que cura feridas
e o amor que se refaz.
Muitos buscam riquezas
para enfim se completar,
mas o maior dos tesouros
está em aprender a amar.
Pois quem guarda a humildade
e caminha em gratidão
leva um brilho escondido
acendido no coração.
E ainda que venham tempestades
ou caminhos de solidão,
quem carrega esses valores
nunca anda sem direção.
Porque o tesouro de Deus
não se mede pelo olhar:
é eterno, puro e vivo,
pronto para transformar.
*“Uma flor no jardim chamado céu”*
És tu, delicada como o amanhecer que toca devagar as janelas da alma.
No infinito jardim chamado céu, florescer, entre estrelas silenciosas, como quem nasceu do próprio brilho da lua e aprendeu com o vento a amar.
Teu olhar tem perfume de primavera, teu sorriso acalma tempestades, e quando tua voz encontra a minha, o mundo inteiro parece caber
num simples instante de paz.
Se o céu cultiva as mais belas flores, foi porque sonhou contigo primeiro.
E eu, mero viajante do amor,
te admiro em silêncio,
como quem contempla
a mais rara flor no jardim eterno do universo.
“Nasci”
Nasci do encontro
entre sonhos e tempestades,
com os pés descalços no mundo e o coração cheio de vontades.
Nasci sem saber caminhos,
mas com coragem de andar,
aprendendo que até as quedas também ensinam a voar.
Nasci para sentir o tempo,
para rir, chorar e crescer,
porque a vida escreve poesia
em cada jeito de viver.
E mesmo quando a noite pesa
e a esperança parece partir,
carrego dentro do peito
a força bonita de existir.
*Quando meu coração parar*
Não quero silêncio ou fim,
quero que o vento leve meu nome como quem espalha jardim.
Que as lembranças virem estrelas no céu de quem me amou, e cada abraço guardado seja prova do que ficou.
Quando meu coração parar,
que não parem meus versos também, pois quem ama deixa ecos vivendo no peito de alguém.
E se a saudade chegar mansa, feito chuva no entardecer, olhe para o céu sem medo — há amores que não sabem morrer.
Você quer caminhar comigo?
Perguntou baixinho o teu olhar, como quem convida o destino pra desacelerar.
E eu quis. Quis teu passo ao lado do meu, quis dividir silêncios, risos, manhãs e o céu.
Porque caminhar contigo
não é só seguir uma estrada,
é transformar qualquer instante em eternidade apaixonada.
Se for tua mão na minha,
não importa o rumo ou o lugar, até os caminhos mais simples aprendem a florescer e amar.
Então repete outra vez,
bem perto, devagarinho:
“Você quer caminhar comigo?” — e eu vou por toda vida no teu caminho.
Minha Noruega 🇧🇻
Minha Noruega mora no silêncio branco das montanhas que conversam com o céu.
Nos fiordes profundos onde o vento antigo guarda segredos que ninguém esqueceu.
Minha Noruega tem cheiro de pinho, de neve caindo sem fazer ruído, de noites longas bordadas de estrelas e um coração calmo, quase infinito.
Vejo auroras dançando no inverno, rios de luz sobre a escuridão, como se o universo escrevesse poemas
direto nas paredes do coração.
Minha Noruega é barco e horizonte, é mar que abraça pedra e solidão, é o frio que ensina delicadeza e transforma saudade em canção.
Nas pequenas casas de luz amarela, há café quente e histórias no olhar; cada janela acesa na distância parece um convite para sonhar.
Minha Noruega não cabe no mapa, porque vive além de qualquer lugar.
Ela existe onde a alma encontra paz e aprende, devagar, a respirar.
E quando o mundo pesa em meus ombros, fecho os olhos sem medo algum: escuto neve caindo ao longe e volto inteiro para o Norte azul.
