Tony Oliveira

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Hoje, o Sol entrou novamente pela janela. Ela, ainda fria pela madrugada. Ele, porém, já trazendo calor e vigor para minhas células famintas. Desde o início de tudo é assim. Ele não esquece de surgir. Não perde a hora. Não se atrasa. Mesmo, às vezes, obscurecido por nuvens passageiras, ele está lá. Para todos. Britanicamente. Assiduamente.

"O relógio marcava cinco e trinta da tarde e o sol logo desapareceria mais uma vez sobre o oceano. A cor intensa e profunda do azul do mar reforçada pela luz solar evocava sentimentos de confiança e estabilidade. Uma paz, nunca sentida antes, invadiu os corações dos dois apaixonados".


CARTAS DO ATLÂNTICO
Tony Oliveira

Esse tal Senhor Tempo




Ah, esse senhor que não domamos. Esse tal senhor Tempo

Esse ser que não tocamos.

Esse alguém que simplesmente vem,

E passa por nós, sobre nós.




Um desconhecido que chega à meia-noite.

Sem aviso prévio. Um intruso.

Inflexível. Implacável. Invulnerável.

Era passado, fez-se presente e já é futuro.




Por que o tempo passa?

Mas se não passasse não seria tempo!

Seria um contratempo!




Por que não o contrário?

Nasceríamos velhos, ficaríamos crianças,

pequeninos, inocentes e morreríamos bebê,

Sem nada saber…




Sim, esse senhor parece voar,

como a águia, como o pensamento.

Parece intocável, como sonhar.

Vai em qualquer direção como o vento.




Começamos a morrer no segundo seguinte,

Logo que nascemos, dizem.

Que paradoxo. Que dicotomia. Que ironia.

Vir e partir. Nascer e perecer.




Em cada novo alvorecer,

Usando cada segundo desse tempo,

Ao meu Salvador quero engrandecer.

O Pão do Céu será meu alimento.




E como um vaso imperfeito,

Que o Oleiro faça em mim um novo advento.

E o ser que eu era seja refeito,

Mesmo diante do inexorável tempo.




E a cada novo amanhecer,

Quero anunciar de voz e de coração:

"Bendirei o Senhor o tempo todo!

Os meus lábios sempre o louvarão".

Que vontade é essa de ser o que ainda não sou?
Que desejo é esse de estar onde ainda não estou?


Que ansiedade é essa de um lugar para qual eu vou?
Que desejo é esse de conhecer o destino que aqui me levou?


Que vontade é essa de alcançar o infinito?
Que desejo é esse de encontrar-se com o Bendito?


Que vontade é essa de reter as águas que correm pelas mãos?
Que desejo é esse de não aceitar da vida os Nãos?


Que vontade é essa de correr para além do horizonte?
Que desejo é esse de rever os que estão já tão longe?


Que vontade é essa de voltar o tempo?
Que desejo é esse de alcançar o vento?


Que vontade é essa de explicar a tudo?
Que desejo é esse de fugir do luto?


Que vontade é essa de não ser o que hoje sou?
Que saudade é essa por tudo que o tempo levou?


Que vontade é essa de Te fazer tantas indagações?
Que desejo é esse de cruzar as constelações?


Que vontade é essa de tocar Tuas vestes?
Que desejo tenho pelos campos celestes?


Que vontade é essa de conhecer universos distantes?
Que desejo é esse de eternizar momentos marcantes?


Que vontade é essa de pisar no teu sagrado monte?
Que desejo é esse de beber mais da Tua infinita fonte?


Em meio às muitas perguntas nesta efêmera vida
Quando tudo parece esvair-se tal qual fumaça
Meu coração se enche de uma gratidão devida
Desejoso sempre da Tua infindável Graça.


E como um incansável caminhante e eterno peregrino
Desejo que Tu seles, bondosamente, o meu derradeiro destino