Tiago Scheimann

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Sob a velha Hercílio Luz, diante da imensidão do mar que se perde no horizonte, sinto a mão de Deus me abraçando, lembrando-me da dádiva de ter nascido neste pedaço de paraíso que pulsa com a brisa, a chuva e o som das ondas.

Sou um lobo incansável, que protege sua alcateia sem descanso. A família é a raiz de toda sociedade. Sei que a nova geração nem sempre enxerga isso, mas sem um princípio familiar, ela sequer existiria.

Sou Israel em busca da promessa, anseio a terra guardada aos que perseveram, que meu nome se firme no Livro da Vida, para estar com Abraão, Isaque e Jacó, entre os escolhidos que herdam o descanso eterno.

O vento é essência do indomável, não se deixa conter, não pertence a rumo algum, é movimento puro, existência sem destino, liberdade em forma de sopro.

As pessoas vivem em modo de sobrevivência, zumbis funcionais, presas a rotinas que já não questionam. São espectros de si mesmas, movem-se, mas não despertam, respiram, mas não vivem.

Hoje, um “bom dia” soa quase herético, a gentileza desperta olhares desconfiados, o afeto provoca incômodo. Chegamos ao ponto em que ser humano é resistência, e a ternura, um ato de coragem.

Não desistir é meu maior triunfo, sigo errando, tropeçando, caindo, mas nunca me rendo. Cada queda me lapida, cada dor me ensina a permanecer de pé, mesmo quando o chão parece mais certo que o caminho.

Eu nunca quis ser o primeiro, porque compreendi cedo que o mérito não está em chegar antes, mas em permanecer inteiro quando todos se perdem tentando provar algo. O destaque, quando veio, foi apenas reflexo de uma autenticidade que nunca precisei ensaiar.

A dor me afinou a visão do essencial, descartei o supérfluo e me concentrei no vital, a vida simplificou-se em propósito.

O passado é mapa, não cela, uso-o para não perder a rota, ele me guia sem me aprisionar.

A disciplina fez-se hábito benevolente, não me castiga, me emancipou, sou livre porque pratiquei.

A resistência que exibo é resultado de escolhas, escolhi não ceder ao conforto da desistência, hoje levo a bandeira do feito.

A humildade vem do reconhecimento do terreno, conheço minhas limitações e as encontro com trabalho, a humildade é força com endereço.

Minha compaixão brota de ter sofrido, conhecer a dor ensinou a aliviar, dou mãos onde precisei delas

O orgulho que cultivo é de progresso, não exibo troféus, mantenho ferramentas afiadas, meu orgulho é utilitário.

Minhas promessas têm pé e braço, faço o que digo e digo o que penso, a palavra voltou a ter peso comigo.

A persistência é a linguagem que mais domino, falo pouco, faço sempre, os resultados traduzem o meu discurso.

Aprendi a administrar expectativas, diminuí ruído, ampliei ação, o mundo responde ao que se faz.

A coragem que guardo é prática diária, não espero grandes provas, faço as pequenas, elas somam uma vida inteira de bravura.

No enfrentamento me tornei criador de saída, saída é arte de enxergar alternativa, hoje desenho rotas onde os outros veem muralha.

O esforço deu-me autonomia, autonomia permitiu escolhas mais sábias, a liberdade cresceu sob minhas mãos.

O respeito alheio veio tarde, mas veio, chegou pela constância do trabalho, a reputação é reflexo do traço.

A dor já não me define, me informa, ela sinaliza o que cuidar e o que transformar, não mais sou refém do que passou.

A serenidade é fruto de conflito bem resolvido, resolvi dentro para não tumultuar fora, a paz externa segue a ordem interior.

Meus limites foram redesenhados pela prática, hoje sei até onde posso rasgar sem perder a trama, a ousadia ganhou contorno seguro.