Teilor Lopes
No silêncio onde tudo vibra,
minha alma enfim compreende:
o que penso, o que sinto, o que faço —
devem dançar na mesma corrente.
EU SOU o compasso exato
de uma sinfonia interior.
Não é ilusão nem mágica vã,
é lei que o espírito entende:
aquilo que sentes profundo
é o que a vida te rende
E onde ponho meu olhar, brota o fruto.
Se vejo sombra, ela cresce em mim.
Mas se escolho o perfume do mundo,
a vida me beija no fim.
Semeio ternura e esperança,
e o campo inteiro se veste de flor.
A colheita é sempre o reflexo
do que vibrei com amor.
Tu que transmutas o veneno em cura,
O ódio em paz, o peso em leveza,
Faz de mim uma torre tão pura
Que a maldade desista, por fraqueza.
Rodeia-me, chama sagrada,
Com tua dança silenciosa e viva,
Queima o rancor, a palavra lançada,
Purifica cada alma que me cativa.
Purifica o que chega de fora,
Antes que fira, que brilhe, que mude.
Faz de nós a chama que ora
E não esquece da própria virtude.
Nosso coração, vasto como o céu sem fim,
é um farol que nunca se apaga.
Com mãos que tocam o invisível,
transformamos tudo em pura beleza,
em simplicidade plena,
em amor que não exige,
mas que se dá, incessante.
Somos como uma corrente tranquila
que flui e se expande em toda direção,
sempre mais, sem fim,
sem necessidade de retorno.
No silêncio da nossa união,
não há som que se compare
ao murmúrio da nossa luz interna,
aquela que brilha sem pedir licença
e dissolve toda sombra que ousar existir.
A felicidade não é uma busca,
mas um estado que já habita em nós,
e em nosso ser, o mundo inteiro encontra seu lar.
Um sopro atravessa a sala,
sem som, sem pressa,
como quem toca sem tocar.
A luz muda de tom.
Nem laranja, nem ouro —
apenas o que resta quando o dia
esquece de terminar.
As paredes não dizem,
mas sentem.
O relógio não marca,
mas para.
Por vinte minutos,
algo maior do que o tempo
resolveu ficar.
Venceu a etapa de quando dois ventos sopravam dentro de ti —
um a busca, outro um sussurro,
divididos entre desejo e vazio.
Venceu.
Minha força é chama viva: não queima, apenas ilumina —
e assim, dissolve o que não encontra raízes.
Ares que vieram, regidos pela leveza e pela dualidade,
ressentidos em dança, curiosos, sem fundação, também logo se foram.
Mas eu — inteiro, com mil facetas convergindo —
sou o eixo que o vento não pôde partir.
Temos mar dentro do peito,
íntimo, sussurrante, lento.
Nessa maré que nunca se cansa,
há compaixão, há dádiva, há dom.
Não existe solidão tanto quanto
a paisagem seca de quem desconhece o mar —
e contempla isto em silêncio.
Observa, mas não compreende.
Tenta tocar, mas a água escapa.
