Stuka Angyali

Encontrados 13 pensamentos de Stuka Angyali

A autoconsciência é a lanterna que não invade.

Apenas sugere luz.

E quando essa luz encontra o que escondemos,

as sombras mudam de lugar,

como quem enfim recorda sua função

no tecido da alma.

Ser você — inteiro, imperfeito, verdadeiro —

costuma gerar descontentamento.

Não porque haja algo de errado em você,

mas porque sua presença desmonta as ficções

que muitos preferem manter de pé.

O estranhamento não nasce do que você é,

mas do que o outro nunca teve coragem de ser.

Permitir-se ser si mesmo

é atravessar a fronteira onde o medo termina

e começa — pela primeira vez —

a possibilidade de existir.

Porque a vida não se transforma por piedade.

Transforma-se quando a alma, enfim, decide

que não aceita mais rastejar

onde nasceu para caminhar ereta.

O que tem raiz não precisa de aplauso
para continuar de pé.

Quem conhece o próprio tamanho

não se mede pelo olhar alheio.

Há uma serenidade própria

em quem já se atravessou por dentro.

Uma calma que não é passividade,

mas economia de energia.

Gritar cansa.

Ser, não.

Há um cansaço

que não pesa nos músculos,

mas nos intervalos.

No que foi adiado tantas vezes

que aprendeu a esperar em silêncio.

Talvez o fim de um ano

não peça celebração,

mas recolhimento.

Os reis já não usam coroas.
Vestem números, decretos e discursos mornos.
Sentam-se em tronos invisíveis,
onde o ouro não brilha — sangra.

O calendário muda.
O sistema permanece.
E o tempo, esse juiz cansado,
aponta para nós como uma lâmina calma

Há dores que deixam de doer e começam a morar.
Instalam-se como móveis antigos — pesados, familiares.
A pessoa acorda, veste a própria batalha e sai.
Sem ela, sente frio.
Porque lutar virou casa.