Socorro Melo
CENÁRIO DA PRAÇA
O vento gostoso do mês de maio corria solto na praça. Dia lindo de céu azul. Aquele dia que, de tão bonito, nos anima a sentar em um dos bancos da pracinha. Sentamos a observar, atentos, o que passa. É certo que não existe mais a banda para vermos passar...o tempo da banda passou.
Mas, observando com cuidado, quanta coisa interessante passa na praça. Retrato dos nossos tempos desfilam!
O casal de adolescentes, modelos atuais, calça jeans justinha e blusa de malha, a mostrar o corpo, novinho em folha, esculpido na malhação! Sorridentes, eles correm contra o tempo e o transporte da cidade que os levará ...sei lá aonde! Talvez à Rua da Esperança!
E passa uma senhora de idade, mas não sem disfarçar os fios brancos que lhe tecem a vida, com um amarelo brilhante que lembra o sol dos tempos de juventude a lhe emoldurar o rosto. Ela precisa da ilusão para embelezar a velhice!
Mas a expressão da senhora é tensa! Ela senta em um dos bancos, na sombra da árvore. Tira os pés do sapato, olha para os pés maltratados e balança as pernas sob o banco, na liberdade de quem não se liga mais a normas! Puxa de uma sacola uma banana. Saboreia com gosto e joga as cascas no canteiro da pracinha. Com certeza, veio de longe. Também espera o transporte, mas seu destino é a Rua da Saudade.
A MAGIA DO SAMBA
E vem aí os dias de folia! Três dias de uma ilusão bonita de se ver e viver.
Mas o Carnaval é puro alimento de ilusões. E após os três dias de alegria o cenário volta , a realidade reaparece.
Ruas desertas, lixo e ilusões perdidas, talvez de belos amores!
E o cenário da quarta feira é sempre assim: o folião cansado dorme; as ruas ficam sem movimento, latas de bebidas e adereços colorem o asfalto de lixo.
Acaba o sonho, as fantasias e o luxo que faziam a bela ilusão do espetáculo grandioso dos desfiles das escolas de samba.
Bebida e samba ali se misturaram transformando ilusão em realidade para o folião. Ele, como em transe, segue dias dançando, levado pelo ritmo mágico dos tambores, cuicas, tamborins e pandeiros. Completamente perdido no tempo de amar a sua Escola!
Na quarta, nem sabe como chegou ao seu barraco.
Acorda zonzo, ainda de fantasia, estômago embrulhado das batidas de cachaça e das batidas rítmicas da bateria, ainda a ecoar.
Agora que tudo acabou, que o sonho findou, fica a crua e dura realidade que enfrenta o Brasil pobreza: nem café nem pão no barraco que a chuva quase desmoronou!
Quem sabe a vizinha..
Afinal a pobreza é solidária!
6 de janeiro de 2024
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LA VAI O MENINO (Para meu neto Cauã, em 06.01.2024)
Lá vai meu menino
Catando o destino
Levando carinho,
Vencendo sozinho!
Mochila nas costas,
Certezas já postas
No amor da família
Seguro ele aposta!!
Vai levando liberdade
Vai traçar sua verdade,
E um dia dizer contente
Voltei, trazendo felicidade!
Quando somos privilegiados em conseguir brindar a vida com mais de 70 anos,
a convivência diária com os jovens exige cuidado e uma profunda aceitaçao da realidade.
Dizem muitos, que idosos acumulam sabedoria! Sem dúvida, quase sempre esta é uma verdade. Mas será este o real sentimentos da maioria da juventude ao encarar um idoso?
Não acredito nesta verdade!
Talvez até por uma questão de educação ou exigência do momento, os jovens expressem
respeito e até carinho, para com um idoso em determinado encontro ou pequeno espaço de tempo .
Mas a verdade chega a ser cruel para aqueles que já experimentam o viver dos 70 ou 80!
Jovens não gostam de conviver com velhos! E, se por algum motivo, precisam fazê-lo, procuram uma maneira de, sutilmente, sair da incômoda situação, com a maior rapidez possível! Isto independente do status social ou grau de conhecimento que venha a ter o idoso.
Esta é a verdade crua que pode doer apesar de tantos belos discursos enaltecendo a terceira idade.
Portanto, o melhor é procurar amenizar os problemas da terceira idade, juntando-se a amigos desta mesma faixa etária.
