Saul Pereira de Freitas
*Estação Parada*
A saudade viaja
mesmo quando eu não saio do lugar.
Olhar preso no horizonte
bem mais longe de onde estou.
Aviões riscam o céu,
trens partem sem me levar.
Mas nenhum deles carrega
o peso que insiste em ficar.
Quis esquecer essa ausência
numa estação qualquer,
deixar a mala da falta
pra nunca mais recolher.
Mas saudade não tem bilhete,
não embarca, não some.
Ela mora no peito, não viaja, e ainda nos faz engasgar com um nome.
(Saul Beleza)
Coração vazio tem respiração curta, quase em silêncio. Mas a solidão grita alto dentro da gente... acelera os "ais" e, de madrugada, o frio só faz o peito batucar mais forte. Não deixa a gente esquecer que tá vivo, mesmo doendo.
É nessas horas que a gente lembra que pulsar, mesmo que machuque, ainda é sinal que tem algo aí dentro esperando amanhecer.
(Saul Beleza)
*Sem Ter Que Partir*
Não quero partir sem antes ir
Ir ver você de perto, sentir
Ir sem te encher de mimos
Ir sem dar aquele beijo demorado
Que a gente deixa o tempo parar
Não quero ir sem te confessar
Que te quero, inteiro, sem disfarçar
Ir sem ter que partir de você
Ir sem te convidar a vir
Me diz... quer ir?
(Saul Beleza)
*Ciclo*
Quando o fim é um começo
Fim da manhã, fim da tarde
Fim da noite, fim da madrugada
E tudo recomeça
Começo do dia, começo da tarde
Começo da noite, começo da madrugada
Tudo se renova a cada fim
Assim sou eu
Perto de ti
Termino em calma
Recomeço em ti
Sou fim que espera
Sou começo que vai
Todo tempo é pouco
Quando o fim me leva
Pro teu começo
Você transforma hora em poesia. É relógio e é eternidade.
(Saul Beleza)
