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rodriguesnutshell

Encontrados 8 pensamentos de rodriguesnutshell

neurônios


bebendo álcool, matando neurônios.
o quão bêbado é o suficiente?
cada gole executa milhares —
mas tudo bem,
temos bilhões de reservas.


primeiro, morrem as células tristes:
abrimos sorrisos largos, falsos.
depois, caem as quietas:
e falamos alto,
sem motivo algum.


as idiotas são as próximas —
e cada frase soa genial,
cada piada, obra-prima.


então chegamos às da memória...
essas não morrem fácil.
agarram-se ao copo,
gritam dentro da cabeça,
insistem em sobreviver.


e no fundo da garrafa,
vejo o espelho.

aquilo que meu amigo me disse




imagina só gostar de alguém
e esse alguém não ser seu.
fica só o refrão,
refazendo-se em mantra,
pulsando, pulsando
a cada batimento.


meus beijos já não têm
o mesmo gosto.
doce teu
me encanta,
afasta os outros.
e o tempo passa
sem você,
sem você.


e o que posso dizer?
fico ansiando nós,
gastando os lábios
ligada a mim,
ligada a mim,
até o ponto de escolher ficar
só,
esperando um “sim”
ou um “não dá mais...”.


peço a deus para esquecer,
mas só de pedir,
lembrei.


então, por favor,
mesmo sem saber que estou aqui,
minha lua, minha flor,
cante comigo,
cante comigo,
em silêncio,
no amanhecer.


mas você será sempre amada
por alguém
que talvez nunca saiba
dos sonhos que teve
comigo

Perfume de canela




Eu te vejo
dançando nas sombras do meu quarto.
O seu perfume eu cheiro
no café passado pela manhã
(com canela).
Ainda guardo teu gosto
nos dias que arrastam meus pés
sem querer.


Coisas que não se encontram por aí,
principalmente quando se está procurando.


Te encontro no avesso das horas,
nas frestas da memória,
nos intervalos do riso,
onde o silêncio respira teu nome.


E mesmo sem estar,
você permanece —
como marca d’água,
como cicatriz,
como música que insiste em tocar
quando já desliguei o rádio.

Silêncio




Músicas que ressoam o nada,
gritam — o ouvido estraçalha.
O meu cúmplice que vira,
esse silêncio guardado.


E esse silêncio rasga,
atravessa a alma fraca,
como penitência fria,
quietinho me abraça.


Silêncios que gritam,
verdades caladas.
Grito preso
é silêncio armado,
municiado e vestido
de luto sagrado.


Fala mais alto
que o fôlego permite.
Calado, ele grita;
gritando, ele cala.


Cárcere privado
dentro de mim,
confortável veneno.
O silêncio revela
o que o barulho disfarça,
o que a palavra teme,
o que o tempo guarda.


E o que o silêncio guarda?
Além de segredos, mentiras e piadas?
E o que ele mata?
Além das verdades, vontades e a alma?


Guarda cartas nunca enviadas,
guarda abraços negados,
guarda beijos molhados,
guarda o gosto amargo
dos “nunca mais”
e dos “quem sabe um dia”.


Mata risos pela metade,
mata sonhos no olhar cansado,
mata desejos acorrentados,
mata o amanhã no ontem enterrado.


Não falo do silêncio externo,
mas daquele interno,
que a gente tranca e alimenta,
pouco a pouco, com migalhas.


Silêncio que abraça,
engolindo palavras,
sufocando pensamentos,
despindo a alma.
Como eu o calo?


Escrevo em tormento
nesse silêncio que me acompanha
dia e noite,
enquanto trabalho,
enquanto rio,
enquanto falo,
enquanto disfarço.


Ele se deita comigo,
divide o travesseiro,
morde o meu sono.
É sombra no peito,
é nó na garganta,
é frio na barriga,
é relógio parado.


E quando penso que partiu,
ele retorna, paciente,
sentando-se à mesa
com um prato vazio.
(esperando as migalhas)
Come do meu cansaço,
bebe da minha espera,
e ri sem fazer barulho.


O silêncio não é ausência,
é presença severa,
é voz oculta,
é juiz sem sentença.
No fim, pergunto:
se eu quebrar o silêncio,
o que sobra de mim?

ele não me morde
me lê com os dentes


começa pelas orelhas,
que uso pra ignorar preces,
depois a boca,
por onde despejo escárnio.


não grito.
abro.


passa pelos ombros,
onde carrego o peso de ser,
depois as mãos,
essas que seguram o cigarro.


devora meu coração,
desgasta o ciso
mastigando a ilusão
do amor.


flamba os pulmões,
corta a fuligem,
assa os alvéolos:
meus atalhos anestésicos.


não resisto,
entrego.


cada pedaço arrancado
era o que sobrava de mim:
nome, pose, piercings.


o canibal mastiga devagar,
como um diabético
mascando chiclete sem açúcar.


não sobrou peito:
menos eu
e mais espaço.


o cérebro vem por último,
sobremesa agridoce,
viciante.


e nele, começa pelos poemas.
mastiga versos inteiros,
cospe rimas fracas,
engole metáforas
que usei pra esconder a verdade.


do amor, não quer beijos
nem transas —
quer a vontade.


dos vícios, gosta mais.
lambe o açúcar da fuga,
o brilho curto do prazer rápido,
meu dedo amarelo,
bebe a coragem falsa
como cerveja quente.


cada coisa comida
me deixa mais simples,
menos personagem.


quando termina,
não sou vazio.
sou tutano.


o canibal limpa a boca
e vai embora.


e o que ficou
não mais escreve.

Inserida por rodriguesnutshell

sós


desenho horas na boca,
o gosto eterno que guarda
uma sede desenhada
na mente que devora.


desenho a natureza íntima:
borboletas no estômago,
formigas sob a pele,
arrepios que são traços
teus beijos são meu lápis.


desenho você fazendo casa
nos meus braços desenhados;
desenho o retrato único
que é o mapa do teu olhar.


desenho as paredes
que balançamos
no ritmo da tua maré,
o vai e vem do corpo
que desenha o meu.


(arte)


desenho horas nas tuas pernas.
caneta, não carvão:
não apago, marco,
tatúo.


decoro
todo contorno seu.


e neste desenho final
me retrato perdido:
perco a cabeça, os sentidos,
me perco em mim mesmo.


só não perco a vontade
de te riscar mais fundo.

o canibal


ele não me morde
me lê com os dentes


começa pelas orelhas,
que uso pra ignorar preces,
depois a boca,
por onde despejo escárnio.


não grito.
abro.


passa pelos ombros,
onde carrego o peso de ser,
então os braços,
que usei tanto para abraçar inimigos
e empurrar amantes.


comeu os cotovelos
da força que não tive,
o gesto que faltou,
tudo vai na mesma dentada.


depois as mãos,
essas que seguram o cigarro.


e as pernas,
essas que me levaram a becos errados
e fugiram do caminho certo.
o canibal rói os joelhos,
onde dobrei demais,
e os pés,
que nunca tocaram no chão.


devora meu coração,
desgasta o ciso
mastigando a ilusão
do amor.


flamba os pulmões,
corta a fuligem,
assa os alvéolos:
meus atalhos anestésicos.


não resisto,
entrego.


cada pedaço arrancado
era o que sobrava de mim:
nome, pose, piercings.


o canibal mastiga devagar,
como um diabético
mascando chiclete sem açúcar.


não sobrou peito:
menos eu
e mais espaço.


o cérebro vem por último,
sobremesa agridoce,
viciante.


e nele, começa pelos poemas.
mastiga versos inteiros,
cospe rimas fracas e
parafusos soltos,
engole metáforas
que usei pra esconder a verdade.


do amor, não quer beijos
nem transas:
quer a vontade.


dos vícios, gosta mais.
lambe o açúcar do café,
o brilho curto do prazer rápido,
bebe a coragem falsa
como cerveja quente.


cada coisa comida
me deixa mais simples,
menos personagem.
mais eu.


quando termina,
não sou vazio.
sou tutano.


o canibal limpa a boca
e vai embora.


fico.
pela primeira vez,
íntegro.


e o que ficou,
não escreve m canibal


ele não me morde
me lê com os dentes


começa pelas orelhas,
que uso pra ignorar preces,
depois a boca,
por onde despejo escárnio.


não grito.
abro.


passa pelos ombros,
onde carrego o peso de ser,
então os braços,
que usei tanto para abraçar inimigos
e empurrar amantes.


comeu os cotovelos
da força que não tive,
o gesto que faltou,
tudo vai na mesma dentada.


depois as mãos,
essas que seguram o cigarro.


e as pernas,
essas que me levaram a becos errados
e fugiram do caminho certo.
o canibal rói os joelhos,
onde dobrei demais,
e os pés,
que nunca tocaram no chão.


devora meu coração,
desgasta o ciso
mastigando a ilusão
do amor.


flamba os pulmões,
corta a fuligem,
assa os alvéolos:
meus atalhos anestésicos.


não resisto,
entrego.


cada pedaço arrancado
era o que sobrava de mim:
nome, pose, piercings.


o canibal mastiga devagar,
como um diabético
mascando chiclete sem açúcar.


não sobrou peito:
menos eu
e mais espaço.


o cérebro vem por último,
sobremesa agridoce,
viciante.


e nele, começa pelos poemas.
mastiga versos inteiros,
cospe rimas fracas e
parafusos soltos,
engole metáforas
que usei pra esconder a verdade.


do amor, não quer beijos
nem transas:
quer a vontade.


dos vícios, gosta mais.
lambe o açúcar do café,
o brilho curto do prazer rápido,
bebe a coragem falsa
como cerveja quente.


cada coisa comida
me deixa mais simples,
menos personagem.
mais eu.


quando termina,
não sou vazio.
sou tutano.


o canibal limpa a boca
e vai embora.


fico.
pela primeira vez,
íntegro.


e o que ficou,
não escreve mais.

Inserida por rodriguesnutshell

o canibal

ele não me morde
me lê com os dentes

começa pelas orelhas,
que uso pra ignorar preces,
depois a boca,
por onde despejo escárnio.

não grito.
abro.

passa pelos ombros,
onde carrego o peso de ser,
então os braços,
que usei tanto para abraçar inimigos
e empurrar amantes.

comeu os cotovelos
da força que não tive,
o gesto que faltou,
tudo vai na mesma dentada.

depois as mãos,
essas que seguram o cigarro.

e as pernas,
essas que me levaram a becos errados
e fugiram do caminho certo.
o canibal rói os joelhos,
onde dobrei demais,
e os pés,
que nunca tocaram no chão.

devora meu coração,
desgasta o ciso
mastigando a ilusão
do amor.

flamba os pulmões,
corta a fuligem,
assa os alvéolos:
meus atalhos anestésicos.

não resisto,
entrego.

cada pedaço arrancado
era o que sobrava de mim:
nome, pose, piercings.

o canibal mastiga devagar,
como um diabético
mascando chiclete sem açúcar.

não sobrou peito:
menos eu
e mais espaço.

o cérebro vem por último,
sobremesa agridoce,
viciante.

e nele, começa pelos poemas.
mastiga versos inteiros,
cospe rimas fracas e
parafusos soltos,
engole metáforas
que usei pra esconder a verdade.

do amor, não quer beijos
nem transas:
quer a vontade.

dos vícios, gosta mais.
lambe o açúcar do café,
o brilho curto do prazer rápido,
bebe a coragem falsa
como cerveja quente.

cada coisa comida
me deixa mais simples,
menos personagem.
mais eu.

quando termina,
não sou vazio.
sou tutano.

o canibal limpa a boca
e vai embora.

fico.
pela primeira vez,
íntegro.

e o que ficou,
não escreve mais.