Rodrigo P. S.

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Reconectar-se com o essencial é um ato de coragem em tempos de pressa.

Entender que nem tudo precisa ser imediato traz paz ao coração.

**O Momento que Não Foi**


Guardei em silêncio
um instante que ainda não existia,
mas já tinha forma dentro de mim.


Não era pressa,
nem era urgência —
era cuidado com o sentir.


Eu sabia exatamente
como seria o primeiro toque,
o primeiro olhar,
o primeiro respirar daquele espaço.


Mas o tempo…
ah, o tempo não pediu licença.


Quando eu cheguei,
o momento já tinha passado por ali,
já tinha sido vivido,
já não era mais começo.


E o mais estranho é que, por fora,
nada faltava.


Mas por dentro,
ficou um vazio manso,
daqueles que não gritam,
só permanecem.


Não é sobre quem esteve,
nunca foi.


É sobre o significado
que morava ali antes de tudo.


Sobre o que eu esperei sentir
e não coube mais naquele instante.


Ainda assim, eu sigo.


Com o que restou,
com o que é,
com o que ficou em mim.


Porque nem todo começo
a gente consegue viver…


mas todo sentimento verdadeiro
a gente aprende a carregar.

O silêncio também conta histórias — basta saber escutar.

Nem todo lugar vazio está abandonado; alguns estão apenas em pausa.

Onde hoje há quietude, ontem houve vida.

A poeira guarda memórias que o tempo não apagou.

Nem tudo que parou deixou de existir por dentro.

O passado ainda respira nos detalhes esquecidos.

Às vezes, o eco vale mais que o som.

O que foi vivido nunca se perde, apenas muda de forma.

Até o silêncio pode ser cheio de significado.

Nem toda ausência é falta — às vezes é lembrança.

O fim de um momento é o começo de uma memória.

Tudo que já teve vida deixa um pouco de si no mundo.

Nem todo vazio é ausência — às vezes é espaço para lembrar.

Algumas pessoas tratam os outros com raiva e rudeza porque estão frustradas, inseguras, sobrecarregadas ou porque aprenderam a se defender dessa maneira. Às vezes, elas não sabem lidar com as próprias emoções e acabam descontando nos outros.


Muitas vezes, a forma como alguém nos trata revela mais sobre o que ela carrega por dentro do que sobre nós.


Mas entender a origem não significa aceitar o desrespeito: ninguém tem o direito de machucar os outros. É importante não se culpar e colocar limites.

O poema “O Momento que Não Foi” fala sobre o luto por uma experiência que existiu primeiro na imaginação, mas que não pôde ser vivida da maneira esperada.
O eu lírico havia guardado um instante especial: não apenas um acontecimento, mas um começo carregado de significado. Ele já imaginava o primeiro toque, o olhar, a sensação de entrar naquele espaço. Essa expectativa não vinha de ansiedade ou posse, mas de cuidado e envolvimento emocional.
Quando diz:
“Quando eu cheguei,
o momento já tinha passado por ali”
o poema revela que outra pessoa ou outra circunstância viveu antes aquilo que o eu lírico desejava experimentar como algo inaugural. Por isso, mesmo que externamente tudo continuasse disponível, internamente algo havia mudado. O lugar, o encontro ou a situação ainda existiam, mas já não possuíam o mesmo significado.
A frase “Não é sobre quem esteve, nunca foi” é fundamental. Ela afasta a ideia de ciúme ou competição. A dor não está propriamente na presença de outra pessoa, mas na perda do simbolismo: o desejo de participar daquele primeiro momento, de construir uma memória única e compartilhada.
O “vazio manso” representa uma tristeza silenciosa. Não é uma dor explosiva, que provoca brigas ou acusações. É uma ausência que permanece, porque não há como voltar no tempo e reconstruir exatamente o começo imaginado.
No final, o poema chega à aceitação:
“Porque nem todo começo
a gente consegue viver…”
Há maturidade nessa conclusão. O eu lírico reconhece que algumas experiências não acontecem como sonhamos e que certos momentos perdidos não podem ser substituídos. Mesmo assim, o sentimento que existia era verdadeiro e continua tendo valor.
Em essência, o poema fala sobre a perda de uma expectativa afetiva, sobre chegar tarde demais para viver um começo e sobre aprender a seguir sem negar o significado daquilo que se sentiu. Não é o luto por uma pessoa, necessariamente, mas pelo instante simbólico que poderia ter sido — e não foi.