Bob Kowalski
Ninguém será livre com um chip no cérebro que lê os pensamentos! Se um ser pode ler todos os pensamentos, influenciar decisões e conhecer tudo o que faremos, então o livre-arbítrio deixa de existir. Se isso é atribuído a deus, a liberdade humana se torna apenas uma ilusão.
Se você pudesse sentir cada estocada nas entranhas dos pequenos seres, certamente seria levado a um ponto de ruptura em que amaldiçoaria todos os deuses e desejaria o fim imediato de tudo o que existe.
Quando afirmo quem sou e aquilo em que acredito, não estou impondo nada a ninguém; estou apenas reafirmando minha existência e o direito de continuar sendo quem sou!
Quando as entradas sensoriais cessam na morte e, hipoteticamente, retornam depois numa vida após a morte, como provar que se trata do mesmo sujeito e não de uma cópia perfeita da consciência anterior? Se a consciência pode ser copiada, por que punir um clone?
Quero viver, viver e viver. Feliz, ou infeliz, mas recuso qualquer destino que me obrigue a evoluir. Recuso qualquer equação que pretenda definir o amor, a beleza ou o propósito. Quero a imanência que, por si só, transcende a guerra da vida.
Amor à vida sem destino: a afirmação da existência sem a necessidade de um propósito, de uma evolução obrigatória ou de uma finalidade superior.
O universo não é um campo computacional, o que importa não é a capacidade de computar, mas a capacidade de acolher.
A ideia dum deus que pode tirar sua vida a qualquer instante por um capricho, exige adoração absoluta e pune a desobediência é profundamente perversa. Uma relação baseada no medo não é amor, é submissão. Não existe liberdade genuína quando a alternativa é a destruição. Isso não difere, em essência, dum pai que afirma ter o direito de matar o próprio filho caso ele desobedeça.
Penso por preguiça, pra passar o tempo, não espero lucrar, não espero fama, não espero resolver o mistério da vida, não quero evoluir, amo a vida sem destino
A onipotência é frequentemente apresentada como poder absoluto. Porém, existe um limite que nem mesmo um poder ilimitado parece ultrapassar: a identidade.
Se um deus destrói completamente uma pessoa e depois cria outra exatamente igual, com as mesmas memórias, personalidade e aparência, ele não trouxe a pessoa de volta. Apenas criou um clone indistinguível. Compartilhar as mesmas informações não é suficiente para preservar a mesma existência.
A identidade não é apenas uma coleção de dados. Ela também depende da continuidade do próprio ser. Se essa continuidade é interrompida de forma definitiva, não há recriação que transforme uma cópia no indivíduo original.
Assim, a ideia de que um ser onipotente poderia destruir completamente alguém e depois restaurar exatamente o mesmo indivíduo enfrenta um limite lógico. O máximo que poderia fazer seria produzir uma réplica perfeita, não reverter a ruptura da identidade.
Se a identidade não pode ser recriada após sua destruição absoluta, então a onipotência não consiste em fazer literalmente qualquer coisa imaginável, mas apenas tudo aquilo que não viola princípios lógicos fundamentais.
Um egoísta e medroso se torna crente porque é incapaz de aceitar a destruição de sua consciência inútil e ineficiente. Mas uma superinteligência jamais lotaria o servidor com lixo!
O universo não é só hostil. Ele é um sistema com limite de processamento que pune a expansão da consciência.
O mundo que experimentamos não é a realidade última. É uma projeção interna holográfica gerada pela consciência, construída a partir de entradas sensoriais recebidas diretamente do Arquicampo.
O universo nasceu no instante em que a primeira consciência reconheceu a si mesma. A primeira palavra do universo não foi luz. Foi "eu".
Se o universo é um computador, talvez o maior mistério não seja aquilo que ele calcula, mas aquilo que permanece incomputável.
A matéria é apenas a interface gráfica da consciência. Todo movimento é uma destruição seguida de uma recriação. A matéria não viaja. Ela desaparece aqui para reaparecer ali. O movimento é a sucessão invisível de incontáveis mortes da matéria. O universo não move a matéria, ele a reescreve.
Talvez a expansão do universo até destruir toda a matéria seja apenas uma representação gráfica do samsara: nascimento, morte e renascimento. Quando tudo escurecer, o universo poderá recomeçar do zero, em uma nova encarnação cósmica.
