Biografia de Robert Musil

Robert Musil

Robert Musil nasceu em Klagenfurt, Áustria, no dia 6 de novembro de 1880. Descendente de uma família burguesa, filho de um engenheiro mecânico, mostrou-se indeciso entre a matemática e a literatura. Tornou-se um escritor que estreou aos 26 anos e dedicou-se integralmente a seus escritos.

Em 1906, publicou “O Jovem Törless”, uma biografia, com boa dose de autobiografia. É a história do adolescente Törless em um refinado internato, onde com seus amidos vive as primeiras experiência do mundo adulto. Foram precisas algumas décadas para que o aristocrático moralista Musil acabasse aceito como um dos maiores autores da língua alemã do século XX.

Robert Musil dedicou os últimos anos de sua vida tentando completar o último volume daquela que seria sua obra prima, “Um Homem sem Qualidades”. A obra, com quase duas mil páginas, que ficou incompleta, e considerada um romance filosófico, constitui uma minuciosa descrição das condições internas e externas, das angustia e tensões dos últimos dias do Império Austro-Hungaro. Musil faleceu em Genebra, Suíça, no dia 15 de abril de 1942.

Acervo: 8 frases e pensamentos de Robert Musil.

Frases e Pensamentos de Robert Musil

Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade.

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A nobreza do espírito, com respeito àquela tradicional, oferece-nos a vantagem de podermos atribui-la a nós mesmos.

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Quão mais inteligentes são as mulheres apaixonadas do que os homens de carácter!

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Simbólica e inequívoca

Na verdade, encontramos desde as origens da história humana estas duas formas de comportamento, a simbólica e a inequívoca. O ponto de vista do inequívoco é a lei do pensamento e da ação despertos, que domina quer uma conclusão irrefutável da lógica quer o cérebro de um chantagista que pressiona passo a passo a sua vítima, uma lei que resulta das necessidades da vida, às quais sucumbiríamos se não fosse possível dar uma forma inequívoca às coisas. O símbolo, por seu lado, é a articulação de ideias próprias do sonho, é a lógica deslizante da alma, a que corresponde o parentesco das coisas nas intuições da arte e da religião; mas também tudo o que na vida existe de vulgares inclinações e aversões, de concordância e repulsa, de admiração, submissão, liderança, imitação e seus contrários, todas estas relações do homem consigo e com a natureza, que ainda não são puramente objetivas e talvez nunca venham a sê-lo, só podem ser entendidas em termos simbólicos.
Aquilo a que se chama a humanidade superior mais não é, com certeza, do que a tentativa de fundir estas duas metades da vida, a do símbolo e a da verdade, cuidadosamente separadas antes. Mas quando separamos num símbolo tudo aquilo que talvez possa ser verdadeiro do que é apenas espuma, o que acontece geralmente é que se ganha um pouco de verdade, mas se destrói todo o valor que o símbolo tinha. Por isso, talvez esta separação tenha sido inevitável na evolução do espírito, mas produziu o efeito que se obtém quando se ferve uma substância para engrossá-la e, ao fazê-lo, provocamos a evaporação do que nela existe de mais intrínseco. Hoje é quase impossível não ter a impressão de que os conceitos e as regras da vida moral são apenas símbolos recozidos, envoltos nos insuportáveis e gordurosos vapores da cozinha da humanidade.
(O Homem sem Qualidades)

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Não é que o génio se adiante um século ao seu tempo, é a Humanidade que se encontra cem anos atrás dele.

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