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reinaldo hilario

Encontrados 8 pensamentos de reinaldo hilario

Arquitetura de um Amor que Nunca Existiu


A dor nasce onde o silêncio é mais profundo
não como um grito, mas como um eco que nunca encontra paredes
e se espalha pelo corpo como uma febre que não arde
mas consome
um amor que nunca existiu
e ainda assim
me afoga.


No espaço vazio entre dois olhares que nunca se cruzaram
existe um universo colapsado em si mesmo
um peso invisível que prende os pulmões
e torna cada respiração um ato de resistência
eu bebo a ausência como quem bebe veneno
sabendo que é a única água que resta
e o gosto é de eternidade amarga.


A solidão é um animal faminto que dorme ao meu lado
sonha com pedaços do que sou
e acorda todos os dias para me devorar um pouco mais
há noites em que o teto é um céu sem estrelas
e mesmo assim olho para cima
como se pudesse ver teu rosto nas sombras
como se o impossível fosse apenas uma questão de fé
como se amar fosse um crime que escolhi cometer.


E quando penso que a dor não pode mais crescer
ela encontra um novo nome para si
e o chama de saudade do que nunca foi
saudade que constrói ruínas no meu peito
ruínas que cortam os pés de quem tenta atravessá-las
ruínas que ainda ardem como se o incêndio fosse ontem
e que me obrigam a morar no meio dos escombros.


O tempo passa e não traz alívio
apenas organiza a dor em camadas
cada lembrança inventada repousa sobre outra
como tijolos de uma casa que nunca existiu
e mesmo assim é minha morada
um abrigo de vento e sombra
onde minha pele é mapa
e cada veia um caminho que leva de volta à falta.


Há dias em que não sei se amo a ausência ou o que ela representa
se é você ou a ideia de você que me mantém vivo
porque até o vazio tem forma quando se insiste nele
até o nada pode ser abraçado se a noite for longa o bastante
e na arquitetura desse amor inexistente
sou ao mesmo tempo construtor e ruína
prisioneiro e guardião
morto e sobrevivente.

Entre o Coração e o Vazio


Há um abismo entre a boca e o coração,
um espaço onde os sons nascem e morrem
antes de alcançar o ar.
A língua repousa como um animal adormecido,
com medo de morder a própria carne.


Ele caminha entre rostos como quem atravessa um campo minado,
sabendo que cada gesto pode ser a explosão
que revelará a dor que carrega.
Prefere a distância à confissão,
prefere o eco vazio ao risco de ser visto.


As noites tornam-se longas
quando se guarda demais.
Os pensamentos crescem como raízes cegas,
procurando saída por frestas
que nunca se abrem.


O corpo aprende a calar antes da mente decidir,
uma disciplina antiga, quase cruel,
como um monge que jejua até esquecer o sabor.
O coração se torna um cofre de ferro,
sem chave e sem promessa de resgate.


Há uma ciência amarga em fingir normalidade,
em sorrir como se nada fosse urgente.
A arte de sobreviver está em parecer intocado,
mesmo quando por dentro
a própria alma se despedaça em silêncio.


Afastar-se é mais fácil do que explicar.
A ausência não exige justificativa,
apenas se instala como neblina,
apaga contornos
e esconde o que nunca foi dito.


Mas o que se evita pesa.
É um fardo que se acumula nos ombros,
uma sombra que cresce e acompanha os passos,
lembrando que todo silêncio é também
um grito sufocado.


O funeral acontece sob um céu pesado,
o cheiro de flores murchas e terra úmida
envolve os que choram com um peso invisível.
Ele observa de longe, sem se aproximar,
como se a morte fosse apenas mais um lugar
de onde é melhor se manter distante.


O caixão desce lentamente,
e todos ao redor murmuram despedidas
que ele jamais conseguiria dizer.
Os sinos soam como o eco de tudo que ficou preso,
e naquele instante,
ele percebe que enterra junto o que nunca teve coragem de oferecer.


Ele caminha sozinho pela rua deserta,
o corpo frio como pedra,
e pela primeira vez entende que não é o mundo que o abandona,
é ele que se abandona ao vazio
até que o próprio coração pare de chamar por socorro.

Solitude


Um espaço inteiro se abre dentro de mim
não é ausência, é presença silenciosa
um abrigo onde o eco respira devagar
e cada pensamento se deita como sombra


Caminho por corredores sem janelas
as paredes não pesam, apenas acolhem
o vazio não me fere, apenas sustenta
como se o nada fosse uma forma de colo


Há um mar profundo sem ondas
sua superfície é espelho imóvel
e nele me encontro sem pedir companhia
somente eu e a transparência do tempo


Solitude é a árvore sem folhas no inverno
que mesmo nua guarda a seiva escondida
não busca olhar, não implora estação
ela simplesmente é, inteira na espera


O vento passa sem pressa pela memória
levando consigo fragmentos esquecidos
e o que resta é uma quietude intacta
onde até a dor aprende a descansar


No escuro há uma claridade discreta
como vela que não brilha para ninguém
iluminando apenas o íntimo do ser
onde habita um segredo impossível de calar


A ausência de vozes não é castigo
mas convite para escutar o indizível
o som de um coração que pulsa sozinho
em ritmo diferente da multidão


E nessa vastidão que parece deserta
descubro raízes invisíveis sob meus pés
elas me prendem, mas também me libertam
pois só na solidão percebo o infinito


Então, aprendo a caminhar sem medo
com a sombra como única companheira
a cada passo o mundo perde contorno
mas dentro de mim nasce um horizonte novo


Solitude é jardim sem visitantes
florescem nele cores que ninguém vê
mas eu as recolho como oferenda
ao silêncio que me guarda e me molda


É também um templo sem portas abertas
onde o altar é feito de silêncio puro
ali não se fazem preces, apenas respirações
e cada suspiro é aceito como oração


Quando o dia se alonga e tudo cansa
a solitude me veste como túnica invisível
e mesmo no meio da cidade ruidosa
sou capaz de escutar apenas meu dentro


Ela é o livro que ninguém folheia
mas que guarda histórias intermináveis
linhas escritas pela mão da espera
e capítulos feitos de pausas infinitas


Entre seus muros, o tempo se dilui
não há relógios que interrompam sua maré
o instante se prolonga até o infinito
como se o universo parasse para ouvir


Solitude é uma estrada sem destino
mas não é vazia, está repleta de ecos
cada passo gravado no chão invisível
se transforma em testemunha silenciosa


E quando penso estar perdido demais
descubro nela um mapa secreto
feito de cicatrizes, lembranças e gestos
que me guia de volta ao meu próprio ser


Assim, aceito sua presença como guia
não como cárcere, mas como vastidão
um lugar onde aprendo a ser inteiro
mesmo quando nada ao redor me acompanha.

O silêncio entre dois suspiros


A vida é um corredor estreito, mal iluminado, onde portas se abrem para quartos que nunca escolhemos entrar.
O primeiro passo nos é imposto e o último não nos pertence. Entre um e outro, arrastamo-nos sobre um chão que muda de forma e de temperatura, como se o mundo conspirasse para nos lembrar que o controle é ilusão.


Não há mapa, apenas o instinto de continuar andando, mesmo quando o ar pesa e o coração lateja como se tentasse escapar do corpo.
O tempo nos esculpe sem delicadeza, arranca partes de nós sem aviso e, em troca, deixa cicatrizes que aprendemos a chamar de experiência.


O amor, quando chega, é lâmina e é cura. Pode nos erguer acima de qualquer miséria ou afundar-nos mais do que qualquer abismo.
As pessoas que cruzam nosso caminho são sombras em movimento: algumas se misturam à nossa, outras nos arrancam pedaços, e raras são aquelas que permanecem.
E mesmo essas, um dia, serão levadas.


A vida não é justa nem cruel. Ela é indiferente.
Não se importa se estamos de joelhos ou em pé, se sorrimos ou choramos, se imploramos ou amaldiçoamos o céu.
Os dias seguem, um após o outro, como soldados obedientes a um comandante invisível.


Há momentos em que a luz fere mais do que o escuro, em que o silêncio grita mais do que qualquer multidão.
É nesses momentos que percebemos que não somos heróis da nossa própria história — apenas sobreviventes.
O destino não é escrito nas estrelas, mas na poeira que se acumula sobre nossos ombros.


Arrastamos conosco o peso dos erros que não podem ser desfeitos, o eco das palavras que não conseguimos dizer, o vazio deixado por tudo o que não tivemos força para segurar.
O tempo não perdoa, apenas apaga.
E um dia, quando o corpo já não responder, nem mesmo o medo importará.
Tudo se dissolverá na mesma escuridão de onde viemos.

Clareira no Fim da Sombra


Há um túnel que a noite tece,
De asfalto frio e ar que pesa,
Onde o eco de um pranto crepita E a dúvida,sinistra, visita.


Os passos são de chumbo e pó,
Cada instante um eterno só.
O ar,um véu de algodão cru, E o silêncio,um pesado atlas mudo.


Mas segue, alma, não cries morada Nesta galeria escura e alongada.
Pois mesmo onde a visão se apaga,
A esperança,sutil, não se afasta.


Ela é o fio de luz que não se vê,
A respiração do chão sob os pés.
É o grão de areia que teima em brilhar No granito mais duro a sussurrar.


Não é um clarão, um sol repentino,
É antes um trabalho pequeno e divino: É a gota que a rocha fende,
O fio de voz que te diz:“Espere.”


É a flor que racha o concreto,
O abraço no desamparo completo.
É a cor que volta ao branco e preto,
É o mapa quando estás desacerto.


Avista! Lá adiante, um ponto, um grão, Não é ilusão,não é traição. É a certeza de que a noite é fase, E a claridade encontrará sua estase.


Não é o fim da caminhada, não,
É a clareira após a escuridão.
É a prova,calma e serena,
De que a luz,por mais que doa, é plena.


Então respira fundo o ar que avança, Cada passo é uma nova esperança.
O túnel termina,a luz te banha,
E a alma encontra a sua própria montanha.

O Jardim dos SonhosEsquecidos


No silêncio da noite que se move lentamente,
a vida aparece como uma esperança tênue,
cada estrela é um mistério pendurado no céu imenso,
um segredo que ninguém ainda decifrou.


O vento conta histórias que parecem esquecidas,
sonhos que se formam nas horas silenciosas,
em cada suspiro nasce algo novo,
e cada olhar contempla a vastidão sem fim.


No centro de um jardim que existe só na imaginação,
flores abrem-se sem pressa,
entre as folhas há silêncio e algo oculto,
uma vida que persiste, mesmo quando ninguém observa.


A lua ilumina sem exigir atenção,
desenha caminhos que talvez jamais possamos seguir,
o tempo parece hesitar,
como se parasse para escutar algo profundo.


As raízes mergulham fundo na terra,
buscam sustento e uma espécie de calma,
cada pétala é um convite para sentir,
transformar aquilo que pesa em algo leve.


Neste jardim, o vento não canta, apenas existe,
e o mundo parece se desfazer em emoções dispersas,
tu tentas tocar o que não pode ser segurado,
descobrir o que está além do que conseguimos entender.


Deixa a luz atravessar mesmo a escuridão,
revelando caminhos que não são claros ou certeiros,
porque há um tipo de magia no ato de sonhar,
e uma vida que só se revela quando se entrega ao amor.


Essa é uma tentativa de abraço,
feito com palavras misturadas a sentimentos,
para alcançar a parte leve dentro de ti,
e iluminar um caminho que muitas vezes está escondido.

Apenas Seguir em Frente


Às vezes, a vida acende faróis dentro do peito.
Não são estrelas são lembranças que aprenderam a brilhar
mesmo depois de terem sido apagadas pelo tempo.


Caminho lento, passo fundo, silêncio entre respirações,
e descubro que a coragem não é grito
é o sussurro que diz continue
quando tudo dentro de nós quer desistir.


O tempo não volta, mas ensina.
A dor não some, mas molda.
E o coração, teimoso, insiste em florescer
mesmo depois de enfrentar o mais rígido inverno.


Há dias em que parece impossível permanecer de pé,
e mesmo assim, algo nos empurra para frente.
Um sonho, uma fé esquecida,
ou simplesmente o desejo de não deixar o mundo nos quebrar.


Caminho por dentro de mim,
como quem caminha por uma cidade antiga,
onde cada rua é uma memória
e cada porta fechada revela um aprendizado.


Eu me reencontro nas pequenas coisas:
um raio de luz entrando pela janela,
a brisa que toca o rosto e diz que tudo passa,
ou o abraço de alguém que não tenta consertar nada,
apenas fica.


A vida não exige pressa.
Exige presença.
Exige que, por um instante,
eu permita sentir sem pressões,
sem máscaras, sem medos.


E quando o mundo pesa,
e os ombros doem,
eu me lembro:
até o oceano tem dias de calmaria.


Hoje, escolho seguir.
Mesmo sem mapas, sigo.
Mesmo sem certezas, sigo.
Porque existir já é uma forma de vitória,
e continuar, apesar de tudo,
é um ato silencioso de coragem.

Inspiração ...


O silêncio da manhã se desdobra, sem pressa.
A névoa se ergue sobre o campo úmido, um véu branco
que se desfaz ao primeiro toque de luz.


O olhar se detém na textura da casca antiga:
rugas de tempo e resiliência.
Cada fissura guarda uma estação,
uma tempestade vencida.
A seiva que sobe é a persistência invisível da vida.


O café esfria na xícara
maas a mente desperta
As ideias não chegam como raios,
mas como marés suaves
Vêm do fundo, trazendo pequenos detritos,
até que surge a clareza.


Há beleza no inacabado:
no rascunho, no instante entre intenção e gesto.
Respirar fundo,
Afrouxar o controle.


A inspiração não é evento,
é estado de escuta.
É notar o que quase ninguém vê
o som de uma chave girando,
o azul preciso de um céu de inverno,
o cheiro de chuva tocando a terra seca.