Raquel Xavier
Mágoa é uma ferida infectada
Que, mesmo cicatrizada pelo tempo,
Permanece ali, se espalhando —
Como medo, como dor, como trauma —
Matando tudo aquilo que toca.
Sabota encerramentos, compromete recomeços,
Nos arranca do presente e nos acorrenta ao passado.
O eletrocardiograma nos revela as batidas do coração — é assim que a vida se manifesta: por meio de altos e baixos. A morte, por outro lado, é a ausência de movimento, é a linha reta, a estagnação, o silêncio do nada.
Nessa dança silenciosa de querer ser percebido, acabamos nos perdemos — esperando olhares que não vêm e mendigamos afeto em corações distraídos. Carência disfarçada de esperança revelando um vazio que migalhas jamais saciarão. Nessa dança silenciosa de querer ser percebido, acabamos nos perdemos — esperando olhares que não vêm e mendigamos afeto em corações distraídos. Carência disfarçada de esperança revelando um vazio que migalhas jamais saciarão.
