Raimundo Santana

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Você não faz ideia do que é. E isso é exatamente como deve ser. Não é para se ter ideia — porque o que não é ideia, permanece fora do alcance da compreensão. É uma ausência que se disfarça de conceito, uma sombra que se projeta sobre o pensamento sem jamais se revelar. Aquilo que não é ideia continuará sendo apenas uma ideia — uma ideia que não sabe o que é, que não se reconhece, que existe apenas como possibilidade, como ruído no fundo da consciência. É uma ideia sem ideia de si mesma, e talvez por isso, a mais pura de todas...

Persistir em diálogos com quem se fecha ao entendimento é como semear palavras em solo infértil — por mais nobres que sejam, elas não florescem. não busca entender quem já decidiu não aprender.

Quando vier invadir meus sonhos novamente, que seja sem máscaras — e sem roupa.
Que venha despido de artifícios, sem véus, sem defesas.
Traga apenas sua essência crua, sua pele nua, seu olhar que incendeia e consome.
Que seus passos ecoem como promessas, e seu silêncio fale mais do que mil palavras.Não quero fantasias: quero você — em carne, desejo e mistério.Quero o calor do seu toque, o peso do seu corpo, o enigma do seu querer.
Que seja real, intenso, imperfeito — mas seja você.

Não é insulto nem provocação. Apenas não quero ter a oportunidade — nem a vontade — de olhar para o seu rosto. Afinal, quando vencemos a turbulência, não há desejo de reviver a catástrofe.
Quem supera o caos não busca reviver o desastre.

Não,não tem razão o coração que nao amou a solidão. Não,não tem amor o coração que nunca sentiu dor. É uma história nesta vida a gente sofre com a vitória. É lamentação o coração que não amou multidão. É uma triste poesia do amor.

Na escuridão abissal da alma, o silêncio ecoa como um lamento antigo, implorando por misericórdia e compaixão.
Um grito, nascido do assombro e do medo, ergue-se suplicante, rasgando o vazio:
— Tenha piedade! Estou à deriva neste oceano sem margens,
cercado de presenças espectrais, mas condenado à solidão absoluta e só,
como quem caminha entre sombras e jamais encontra repouso no devastado vazio..

Eu não sei se tu lembras,
quando a tempestade chacoalhou nossas vidas —
vividas, adormecidas em memórias fúteis.
O nosso mundo, antes bonito e melhorado,
de repente estava devastado,
impróprio para reparos,
desbravado e distante de qualquer recomeço.

Que tolice imaginar que eu, em plena consciência do meu valor, vá implorar, suplicar ou mendigar aquilo que você não possui — nem em gestos, nem em essência — para me oferecer.
Mulher, és uma dádiva do Criador: meiga no trato, educada nas palavras, sincera no olhar, verdadeira nas intenções, justa nas atitudes e acolhedora como o abrigo de um lar.
Eu te enxergo além do que meus olhos alcançam — vejo tua alma, teus silêncios, tuas luzes e sombras.
Mas, ainda assim, não me permito sofrer,
porque aprendi a não esperar de quem não está disposto a doar.
Não é orgulho, é respeito próprio.
Não é indiferença, é liberdade.
E nessa liberdade, sigo em paz,
sabendo que o amor, quando verdadeiro, não se implora compartilha em simplicidade.

Dizem que não tenho sentimentos,
que não me importo com ninguém,
que vivo num vazio imenso,
que o amor não me faz bem.
Águia ferida sou eu — e mais ninguém.


Alguém me viu voar,
com asas largas a balançar,
carregando um coração ferido,
porque sentir também é sofrer.


Águia ferida sou eu — e mais ninguém.

A impunidade não é apenas o triunfo dos perversos, mas também o fracasso dos que se calaram.
É o preço de cada olhar desviado, cada palavra sufocada, cada sono profundo em tempos de urgência.
É o eco do silêncio onde deveria haver clamor, a sombra que cresce onde a luz da coragem se apagou.
É a herança amarga deixada por cada gesto de indiferença, por cada voz que se recolheu quando deveria se erguer.
A impunidade é, em última instância, o pacto involuntário entre o crime e a omissão.”

Quem me conhece sabe: não me rendo. Entre dores e injustiças, sigo firme, porque minhas cicatrizes não definem a história que construí. O que me define é a dignidade, a honra, a justiça e a lealdade — valores que sustentam cada passo da minha jornada.

Uma súbita euforia suspendeu o instante em que o conhecimento deveria emergir, revelando aquele que libertará a humanidade da escravidão—sem jamais se submeter a correntes ou troncos.

Entre portas que se fecham e caminhos que se ocultam, existem aquelas que permanecem abertas, oferecendo passagem e luz a quem busca a liberdade antes que a porta se fecha.

No momento em que a verdade me escolheu, permaneci em silêncio antes de ouvir a última frase. Assim, posso reconhecer os caminhos sem precisar me perder na própria verdade.

Antigamente, eu vivia sob o domínio do medo — um receio constante diante das palavras duras e amargas.
Com o tempo, esse medo se transformou em cautela.
Hoje, é a experiência que me conduz: ajo com cuidado, vigilância e confiança.

O dia em que o ser humano compreender que chegou a este mundo sozinho, de mãos vazias, e que assim retornará ao vazio, será o dia em que terá aprendido a verdadeira lição. Nesse momento, a terra será justa, os homens viverão respeitando uns aos outros e aprenderão a compartilhar com sinceridade, para a glória do Criador do universo...

O apego é uma tortura que corrói espírito, alma e corpo.
O espírito luta para refletir a imagem do Criador e ser exemplo de luz.
A alma se agita, temendo a exposição diante dos olhares do mundo.
E o corpo, por sua vez, permanece preso às engrenagens do pecado, inclinado a tudo que é imoral..

O passado não pertence ao presente; maturidade é acolher e valorizar quem caminha ao seu lado agora.

Mulher, guarda em teu coração esta verdade: Deus te ama com intensidade sem limites.
Ele te desenhou com a delicadeza da luz e a riqueza do ouro mais puro, adornou tua essência com diamantes raros e, ao terminar sua obra-prima, rasgou qualquer esboço, lançando-o às chamas, para que jamais existisse réplica.
Tu és única, insubstituível, e tua existência carrega o selo da eternidade..

Toda vez que você pensar que poderia ter feito mais, continuará sofrendo. No fundo, você já fez tudo o que pôde, deu o seu melhor para agradar quem nunca mereceu o seu cuidado. Um dia você vai entender que todo esse esforço foi em vão, viva o tem melhor para você.

Sempre que você acreditar que poderia ter feito mais, sentirá a dor do arrependimento. No fundo, você já deu tudo de si, ofertando seu melhor àqueles que nunca reconheceram seu valor. Um dia, compreenderá que todo esse esforço foi em vão.

Rogo para que estejas bem. Não quero que carregues comigo o peso do que vivi. Há muitos que, mesmo lado a lado, caminham em desertos invisíveis, e a solidão, por vezes, é mais fiel que a companhia que vivem.

Quem se entrega ao ato de criar — seja música, poema, poesia ou qualquer obra que brote da alma — reconhece que a inspiração é um guia caprichoso. Em certos momentos, ela se apresenta tímida, quase esquiva, como se viesse envolta em névoa, pedindo paciência e cuidado para ser conduzida por inúmeros caminhos até se encaixar na essência da obra. Em outros, irrompe plena e luminosa, como um raio que atravessa a escuridão, trazendo consigo a alegria imediata de quem a recebe e a transforma em arte.

Cada dia é uma pequena despedida, um adeus silencioso para quem respira e sente.
Reconhecer o milagre da vida é um gesto de gratidão que ilumina o coração.
Seja compassivo consigo mesmo, pois a ternura interior é a raiz da coragem.
Celebre cada centelha de existência, abrace cada faísca da vida como quem recolhe estrelas no caminho.
Agradeça com alegria, mesmo nas simplicidades, e caminhe com dignidade, sustentado pela força serena da esperança...

As pessoas se apegam a políticos na esperança de recompensas, esquecendo que o verdadeiro sustentáculo do poder é o próprio cidadão. Vibram com o futebol, sem perceber que essa alegria é breve, efêmera e desprovida de qualquer glória duradoura. Passam horas diante da televisão, alimentando-se de um entretenimento vazio, enquanto pagam pela energia, compram o aparelho e ainda sustentam uma mídia que pouco oferece em substância.
Que mundo pobre e deserto é este, que insiste em buscar no outro um refúgio, quando o outro nada tem a oferecer além de ilusões.