Joemar Rios
Quando o poder escolhe quem merece direitos, o direito deixa de ser garantia e passa a ser privilégio.
A Constituição não foi criada apenas para organizar o Estado, mas para lembrar ao Estado que o indivíduo possui direitos anteriores à sua vontade.
Uma sociedade verdadeiramente justa não mede a força de suas leis pela severidade da punição, mas pela segurança de suas garantias.
O Direito perde sua finalidade quando a forma de combater uma injustiça produz uma injustiça ainda maior.
Não basta que uma decisão seja legalmente possível; é preciso perguntar se ela permanece constitucionalmente justificável.
O Estado de Direito começa quando até aquele que exerce o poder aceita ser governado pelas regras que aplica aos demais.
O poder sem controle transforma convicções pessoais em ordens; o Direito existe para impedir essa transformação.
A independência de quem julga somente encontra legitimidade quando caminha ao lado da responsabilidade de justificar.
Direitos fundamentais não foram concebidos para os momentos de consenso, mas principalmente para os momentos em que discordar se torna difícil.
A lei que protege apenas quem pensa como a maioria ainda não compreendeu plenamente o significado da liberdade.
Justiça sem limites pode converter-se em arbítrio; poder limitado pelo Direito é uma das condições da liberdade.
Uma Constituição é respeitada de verdade quando continua protegendo direitos justamente nos momentos em que seria mais conveniente ignorá-los.
Quem interpreta a Constituição também está submetido a ela; interpretar não significa possuir o texto constitucional.
A justiça precisa de autoridade para ser cumprida, mas precisa de limites para continuar sendo justiça.
O valor de uma garantia jurídica não se mede pela pessoa que hoje beneficia, mas pela liberdade que amanhã poderá preservar.
Quanto maior o poder de uma instituição, maior deve ser a clareza dos limites que legitimam sua atuação.
