Laíssa Ozéia
Victor tocou o impossível,
mas temeu o próprio milagre.
A Criatura descobriu sozinha
que o mundo não abraça o que não compreende,
mesmo quando o gesto é puro,
mesmo quando o coração recém-nascido
só deseja ser visto.
O que poderia ter sido belo
foi lançado à sombra
pela pressa em julgar
e pela falta de afeto.
Houve um rosto que o enxergou,
um sopro breve de humanidade
arrancado do seu caminho.
E estando vivo, carregou a morte,
sabendo que até a esperança dos vivos
tem vida curta demais.
A morte do fim.
Criamos e idealizamos um divino que possa aliviar o nosso sofrimento de existir sem respostas e sem sentido. A falta de respostas da vida e do que vem depois da morte inquieta a nossa mente, fazendo com que esperemos que a nossa existência se encha de alguma esperança.
Ao mesmo tempo, também queremos nos sentir seres especiais, carregados de significado aqui e além daqui. A vida parece injusta quando pensamos que a morte pode ser apenas o fim, mesmo que o fim seja, de fato, a própria morte.
