Nanelemes

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O pior dia do luto não é o dia do enterro,
nem a missa de sétimo dia,
nem a dor silenciosa do primeiro aniversário.


O pior dia do luto é um dia comum.
Um dia em que a vida segue, tranquila,
e algo acontece, algo tão simples
que te faz pensar em contar pra aquela pessoa.


Mas, de repente,
a realidade te atravessa e te esmagada pela dor da realidade que ela não vai mais voltar.

Silencia o barulho em minha mente, acalma o meu coração.
Que a Tua luz volte a brilhar em mim, dissipando as sombras que me cercam.
Nos ruídos dos meus pensamentos, perco-me tantas vezes, tentando ouvir a Tua voz.
Mas quando o silêncio me envolve, percebo: Tu nunca te afastaste.


Faz morada em meu interior, Senhor,
onde o cansaço encontra descanso e a dor se transforma em esperança.
Lava com Tua paz os medos que habitam em mim,
e ensina-me a confiar, mesmo quando não vejo o caminho.


Que a Tua presença seja o meu abrigo,
que o Teu amor seja a melodia que embala minha alma cansada.
Renova em mim a fé, reacende o fogo que o tempo tentou apagar,
e faz da minha vida um reflexo da Tua graça.


Amém.

Que a minha dor não me impeça de ver a Tua graça.
Mesmo quando tudo em mim parece cansado, quando o coração pesa e as forças se vão,
que eu ainda consiga perceber a Tua presença me sustentando em silêncio.


Que as minhas lutas não me façam duvidar da Tua fidelidade.
Nos dias em que os caminhos parecem confusos e as respostas não chegam,
ensina-me a confiar no Teu tempo, a descansar em Teus planos e a esperar com fé.


Que a escuridão que hoje me cerca não me faça desistir de buscar a luz.
Que eu não perca a esperança de que há um novo amanhecer preparado por Ti, mesmo quando a noite parece não ter fim.


E quando as lágrimas insistirem em cair,
lembra-me, Senhor, de que elas também regam o terreno onde brotarão novos sorrisos.
Que eu jamais me esqueça de que, após o choro, vem a alegria;
após o inverno, a primavera; após a dor, a Tua paz.


Sustenta-me com Teu amor, renova em mim a fé,
e faz-me enxergar que, mesmo nas horas mais difíceis,
a Tua graça continua me envolvendo e me conduzindo à vida.


Amém.

Rapidinho ali a água ferveu, e fui coar um café.
Enquanto o pó descia pelo filtro, meus pensamentos subiam em espiral, misturados com o aroma do café fresco.


Caramba… a semana voou!
Nem vi passar, e já é sexta.
Que dia feio, chato… tomara que não chova.
Será que amanhã faz sol?


O final do ano já piscando na esquina…
Os dias estão passando rápido demais.


Nossa, preciso voltar a correr… olha essa pochete!
O que será que minha amiga vai fazer hoje?
Será que eu desliguei o ferro de passar?
Preciso marcar a consulta com o endócrino.


Ah, preciso revisar minha agenda da semana que vem.. é o trabalho está ficando puxado.
Tomara que aquele evento de moto chegue logo… vai ser massa!


Aff, esqueci de responder à mensagem da minha mãe... dois dias já!
Como será que ela tá?


Putz, marquei drenagem mais tarde, vou colocar um alarme.
Ainda falta comprar o presente pro aniversário do meu afilhado domingo.
Não posso esquecer de pegar o vestido na lavanderia. Uma semana já!
Quando será que chega aquela minha encomenda da Shopee?


Acabou o sabonete líquido.
Preciso arrumar tempo pra ir ao mercado.
Quantos anos será que meu afilhado vai fazer?
Nove ou dez?
Meu Deus, parece que ele nasceu ontem!


Lembrei que hoje tenho reunião na primeira hora... não posso me atrasar.


Enquanto isso, o café terminava de coar:
calmo, paciente, no seu tempo...
o oposto de mim.


E foi aí que percebi:
talvez o café saiba de algo que a gente esqueceu.


Ele não se apressa,
não pula etapas,
não tenta resolver tudo de uma vez.


Só passa.
Quente, perfumado e presente.


Talvez a vida fosse mais leve se a gente aprendesse com o café:
filtrar o que importa, deixar o resto escorrer...
e aproveitar o aroma do agora.

Porque no fim, é a coerência que te define, não o brilho das tuas palavras, mas o peso dos teus gestos.
De nada adianta falar sobre verdades se a tua prática é mentira.
De nada serve falar de amor se o teu trato é desrespeito.
A vida não se convence com discursos, ela reconhece exemplos.


É fácil impressionar por um instante, difícil é sustentar quem se é todos os dias.
A constância é o verdadeiro caráter, e a ação é o espelho da alma.
Quem cumpre o que diz, constrói confiança; quem apenas promete, espalha ilusões.


No silêncio das atitudes, é onde se revela a essência.
Porque o mundo não muda com palavras bonitas, mas com gente que faz, que honra, e que permanece.


Há um tipo de silêncio que não acontece fora, ele se instala dentro.
Não grita, não quebra nada, não faz cena.
Ele apenas ocupa.
Ocupa o espaço onde antes morava a certeza, a alegria distraída, a versão de nós que acreditava que algumas coisas eram para sempre.

Todo mundo, em algum momento, aprende que perder não é só ver alguém ir.
É perceber que certas partes da gente vão junto, mesmo quando o corpo fica.
É acordar e sentir falta de algo que não tem nome, mas pesa.
É continuar vivendo com uma saudade que não pede permissão.
E a gente segue.
Segue trabalhando, conversando, sorrindo quando precisa.
Mas por dentro, existe uma pausa não resolvida.
Uma conversa que nunca terminou.
Um abraço que ficou no meio.
Um “se” que nunca encontrou resposta.

Depois de nós, aprendi que o silêncio também faz barulho.
Ele acorda junto, senta à mesa, ocupa o espaço do que não foi dito e insiste em lembrar que algumas ausências não sabem ir embora.
Depois de nós, o mundo seguiu e eu fiquei.
Fiquei recolhendo pedaços de dias, juntando restos de coragem, tentando entender em que momento amar deixou de ser abrigo e virou travessia solitária.
Ninguém avisa que o amor, quando acaba, não vai embora inteiro.
Ele fica espalhado em músicas, horários, cheiros, lugares onde a gente nunca mais volta, mas nunca deixa de estar.
Depois de nós, as manhãs perderam o ritmo.
O café esfria na mesa enquanto o pensamento se alonga onde você ainda existe.
Não há pressa, nem conversa que sustente o calor.
Depois de nós, eu aprendi a disfarçar.
Sorrio em fotos, respondo “tá tudo bem”, faço planos pequenos porque os grandes ainda doem.
Carrego um cansaço que não é do corpo, é da alma tentando ser forte o tempo todo.
É exaustivo aprender a viver sem aquilo que dava sentido aos dias.
Depois de nós, eu ainda te reconheço em estranhos.
Na risada parecida, no jeito de segurar o copo, em frases que quase são suas.
E por um segundo curto demais, meu coração se engana, como se você pudesse voltar apenas por existir em alguém que não é você.
Depois de nós, descobri que seguir não é esquecer.
É aprender a caminhar com a falta, é aceitar que certas histórias não fecham capítulos, apenas mudam de forma.
O amor não morreu, ele apenas ficou sem endereço, sem colo, sem resposta.
E mesmo assim, sigo.
Não inteira, não curada, não ilesa.
Mas sigo.
Com esse amor quieto no peito, que não pede mais nada, só espaço para existir sem machucar.
Porque depois de nós, a vida não recomeçou.
Ela continuou, mais lenta, mais silenciosa, mais profunda.
E talvez amar seja isso no fim:
aceitar que algumas dores não passam…
mas nos ensinam a sentir o mundo de um jeito mais humano.

A dor não avisa quando chega.
Ela não pede passagem, não explica o que veio ensinar. Apenas atravessa e, no caminho, desmonta certezas, derruba expectativas, desfaz versões nossas que já não se sustentavam. No início, a gente luta contra ela. Questiona. Implora respostas. Revira o passado como quem procura um detalhe capaz de mudar o fim. Mas a dor não negocia. E o tempo não responde. Ele apenas segue.
É nesse silêncio que algo começa a se mover por dentro.
Nada muda de repente. Não existe virada bonita, nem cura cinematográfica. A mudança acontece nos intervalos, entre um choro contido e outro, entre noites em claro e manhãs que chegam sem prometer nada. A dor vai afinando o olhar, desacelerando o coração, quebrando a pressa de ser forte o tempo todo.
Sentir dói, mas não sentir custa mais caro.
Porque é no excesso de sentimento que moram a coragem, a entrega e a verdade. Não há fraqueza em sentir fundo. Há humanidade. Há risco. Há vida.
Com o passar do tempo, aquilo que era ferida aberta começa a fechar. Não some, transforma. Vira marca, vira memória, vira aprendizado silencioso. A cicatriz não grita mais, mas conta histórias. Lembra que fomos frágeis e ainda assim seguimos. Que acreditamos em promessas que não ficaram, mas não deixamos de acreditar no amor. Que nos perdemos e mesmo assim encontramos outros caminhos de volta, ainda que levassem a versões diferentes de nós.
Depois da dor, o mundo muda de tom.
A gente passa a enxergar valor no que antes parecia pequeno. Um abraço que não exige explicação, um olhar que permanece, um silêncio que acolhe. Aprende a não mendigar presença. Aprende a não ficar quando não há verdade. Aprende a ir quando o coração já disse tudo. Isso não é frieza, é maturidade. É entender que nem tudo que machuca precisa ser resolvido. Algumas dores só pedem espaço para existir.
Sentir continua sendo o centro de tudo.
É o que dá densidade ao amor, profundidade à saudade e sentido ao tempo. E o tempo não apaga, ele ensina. Ele suaviza o desespero, transforma ausência em lembrança e dor em sabedoria. Quando percebemos, já não somos os mesmos. O que antes feria, agora orienta. O que quebrava, agora molda. O que partiu permanece apenas como parte da história, nunca como o final.
A dor não vem para nos destruir, apesar da aparência.
Ela vem revelar forças escondidas, camadas que só emergem quando tudo parece ruir. E quando o barulho interno finalmente silencia, a gente entende, com calma e verdade.
Sobreviver ao que um dia achamos que não suportaríamos é uma das formas mais bonitas de continuar vivendo.

Os piores pesadelos não acontecem quando fechamos os olhos, mas quando precisamos abri-los e encarar a realidade.
Eles não se dissipam com o despertar, pelo contrário estão ali, imponentes diante de nós exigindo coragem, escolhas e renúncias, mesmo tremendo por dentro.
Eles se escondem nas decisões difíceis, nas perdas inesperadas, nas verdades que preferiríamos não ouvir.
A diferença é que, acordados, não há como fugir deles ao despertar, e enquanto os sonhos ruins da noite se desfazem com a manhã, os pesadelos da vida real permanecem, testando nossa força, nossa paciência e nossa fé à luz do dia.
Eles não podem ser simplesmente evitados, mas precisam ser enfrentados.
E é nesse confronto, doloroso e inevitável, que descobrimos o quanto somos maiores do que aquilo que nos assombra.
São aqueles momentos em que não podemos simplesmente fugir ou esperar que passem, mas sim respirar fundo, sustentar o olhar e atravessar.
E, ainda que doam, são esses pesadelos vividos acordados que nos mostram do que realmente somos feitos.

A coisa mais difícil que aprendi neste ano, a lição mais dolorosa que a vida me deu, foi entender que preciso deixar as coisas serem exatamente como são.
Aprendi a deixar as pessoas irem sem pedir explicações. A aceitar que nem tudo depende de mim e que nem tudo o que vai embora precisa ser entendido. Algumas despedidas não vêm com conversa, nem com fechamento, nem com a justiça que a gente gostaria de receber. E elas simplesmente acontecem, no silêncio dos dias comuns.
Demorei a perceber que segurar dói mais do que soltar. E, aos poucos, aprendi a não implorar por respostas que algumas pessoas não têm ou não querem dar. Existem dores que não se curam e com insistência, elas apenas se aprofundam.
Soltar não é desistir. Soltar é reconhecer os próprios limites. É aceitar que nem tudo está sob o nosso controle e que nem todo final precisa ser bonito para ser necessário.
Existem histórias que terminam no silêncio. E, por mais duro que seja, às vezes o silêncio já é a resposta.
Entendi que a verdadeira força não está em segurar, está em aceitar. Em respeitar o tempo do outro, mesmo quando ele não se alinha com o nosso. Em parar de esperar palavras que não virão.
Porque, no fim, a paz não chega para quem prende. Ela chega para quem solta, mesmo com o coração doendo, e ainda assim escolhe seguir em frente.

Eu pensei em te chamar para fugir hoje, mas já é tarde e você tá longe demais pra ouvir.
Eu sei que não dá, mas e se desse? E a gente largasse tudo? E se a gente fosse embora antes que o mundo percebesse?
Você foge comigo? Nem precisa trazer nada, só traz esse sorriso seu. Ele já faz estrago suficiente.
A gente inventa o caminho enquanto caminha. Inventa outra vida. Finge que o mundo ficou pequeno demais pra nós dois.
Eu tô aqui te chamando, correndo o risco de ser taxada de louca.
E aí? Você vem?

Inserida por NaneLemes

Há silêncios que não doem de imediato, mas ficam e fazem a gente questionar tudo.

O vazio é espelho e reflete o que evitamos e, por isso, sempre volta.
Não pede fuga, pede coragem.
Pede que seja habitado sem que nos percamos.
Ele surge quando o ruído cessa, quando as distrações deixam de sustentar, quando o excesso falha em preencher o que é essencial.
O vazio é espelho. Devolve perguntas adiadas, faltas íntimas, desejos ainda sem nome.
Por isso insiste. Não aceita anestesia. Não se dissolve em distrações, não se cala com barulho, não se resolve por atalhos emocionais. Tudo o que é ignorado cobra presença.
É preciso habitá-lo sem desaparecer. Permanecer inteiro quando nada apoia. Sustentar-se quando as certezas caem. Reconhecer que não saber também é um lugar legítimo.
Quem aprende a habitar o vazio deixa de temer e descobre que ali não mora o fim, mas o início de algo mais honesto, mais real. Porque só depois do vazio é possível escolher, não por carência, mas por verdade.
E então o vazio já não afasta.
Ele revela.

Você foi o adeus mais difícil que eu já
precisei dizer.
Não porque faltaram palavras, mas porque sobrou sentimento.
Dói perceber, ao acordar,
que a realidade não vai se desfazer.
Dói aceitar que não existe um “mais tarde”.
Que algumas histórias terminam sem retorno,
sem curva,
sem segunda chance.
Uma parte de mim compreende.
Compreende o tempo, os limites,
aquilo que já não se sustentava.
Mas existe outra parte.
Essa não quer compreender nada.
Ela apenas sente.
Sente a falta do som da sua voz.
Do jeito único de sorrir.
Da presença que acalmava.
Do abraço que parecia abrigo.
E talvez o mais duro do adeus
não seja a ausência do outro,
mas a tarefa diária de conviver
com o espaço que ele deixa dentro da gente.
Às vezes, tudo o que eu queria
era te alcançar agora.
Sem defesas.
Sem explicações.
Sem revisitar o passado.
Só um abraço.
Como quem tenta segurar, por instantes,
aquilo que a vida levou sem pedir permissão.
Existem despedidas que a razão aceita.
Mas o coração…
o coração permanece onde você ficou,
esperando algo que talvez nunca volte.