MORENO
Feridas que Ainda Sentem…
Há corações que são como homens de guerra: desconfiados, explosivos e, no impulso, atiram em quem quer que seja. Lutam tanto por estratégia e nada deixam ao acaso. Saem das batalhas cansados, machucados.
E, quando surge um novo alvo, às vezes levantam a bandeira branca ou se escondem — não por estratégia, mas por cansaço, por não acreditarem mais.
Então, quando se conhece um coração cheio de cicatrizes, que não pode ser comprado, tudo o que eu quero é oferecer muito amor a esse coração machucado.
Olhos rasos
Não se deslumbre com os olhos de quem só enxerga beleza no que já é considerado belo. Há quem seja capaz de encontrar o belo até naquilo que muitos chamariam de imperfeito.
Isso porque, um dia, o tempo leva tudo — inclusive aquilo que você julga ser o mais importante: o seu corpo.
Mas acredite: existem olhares que apenas veem… e existem aqueles que escolhem, cuidadosamente, encantar-se com a beleza que o tempo amadurece.
Amor não se dissolve
Sempre pedi ao universo um amor puro e verdadeiro, justo e transparente.
Mas eu me negaria a receber um amor líquido — que Deus me proteja —, pois esse tipo de amor inconsequente seca minha garganta, cega meus olhos, gela meu corpo e sela minha boca.
Esse amor sem compromisso, leviano, não flui em mim.
Prefiro os toques que permanecem, os beijos que acalentam e os abraços que aquecem — algo duradouro, de verdade.
E viva a força do amor.
Além dos olhos
Não sou de olhar nos olhos, pois sei que a hipocrisia se instala com facilidade nessa janela… ainda assim, sempre reconheço para onde o seu olhar insiste em vagar.
O incerto também abraça
Toques que duram, beijos que acalentam, abraços que explodem.
Por que o incerto, às vezes, parece tanto o certo, fazendo a gente sentir o indefinido?
Isso traz um ar místico, e, às vezes, me pego questionando se a vida é realmente real… ou se somos apenas um processo, uma mentira que se tornou verdade.
Um só, um todo.
Andando pela noite, sob a luz negra, você apareceu — luz brilhante que a vida me deu — e feliz fiquei. Leves lágrimas de diamante desceram para prestigiar a felicidade estampada em mim.
Então, dê-me a sua mão: somos um só, um todo. Nossos olhos conversam e, entre sorrisos e abraços, emitem códigos de amor. Corro até você, sentindo-me com asas, uma sensação que só o amor pode dar.
Você é um amor único, que só eu conheço.
O conforto da mentira
As verdades escondidas sob a convicção de uma mentira são sórdidas ou talvez fruto de uma mitomania exagerada, onde gera desconforto com expectativas criadas por uma não verdade.
No Centro do Caos, Nós
Pensando aqui… aqueles que estão no poder não têm poder; são apenas figuras meramente ilustrativas. De um lado, humanos agindo como demônios; do outro, demônios tentando ser humanos — e, no centro, estamos nós.
Nosso mundo está infestado de máscaras. Há, assim, muitos “mortos” se deliciando no mundo dos vivos, tentando corroer a decência humana. E eu, aqui, sigo no meu próprio ritmo, mesmo que, muitas vezes, precise enxugar o choro ao presenciar tantas injustiças.
E como não falar das vezes em que, escondida nas entranhas do universo, está lá a senhora mentira, representando os desejos não realizados de muitos? A nossa luta é tão intensa que, de repente, nos vemos como sombras escondidas na luz. O cansaço domina, e então paramos — não porque nos faltem armas, mas por falta de esperança, por duvidarmos se ainda vale a pena.
E, com isso, a vida de cada um vai passando lentamente por entre nós, provando que, mesmo assim, em sua perfeição imperfeita, a vida é linda… e vale, sim, vale muito a pena.
Tempestade pela Justiça
Quem contribuiu para o mal da humanidade aparenta permanecer ileso à justiça, e esses desumanos, ao que tudo indica, são os mais favorecidos. Fica evidente que a justiça não foi feita neste caso — ou será que ela mudou o seu próprio conceito?
Dizem que, após a chuva, o sol sempre surge radiante, enxugando tudo aquilo que foi molhado. Então, que assim seja:
“Que a tempestade da justiça se levante e seque o mal que há entre nós, neste mundo chamado Terra.”
E que assim seja!
Nem Tudo Precisa Florescer
Se for preciso partir para que eu seja feliz, então não vá — deixe como está.
Continue regando as plantas, mesmo que as flores não cresçam; as folhas também são um grande ornamento, tão importantes quanto perfumar.
Embelezar também faz parte.
O Despertar da Verdade
O sistema controla tudo, mas não o meu coração.
Fico pensando que, no vale, também há luz e tempestade; sendo assim, acredito que ele seja uma mansão de sentimentos, e não um depósito de ilusões. Digo isso porque você mente tanto que chego a duvidar até das águas passadas.
Mas, ainda assim, digo a ti: não se pode jogar a verdade na valeta dos escombros, até porque, um dia, ela desperta e luta, exigindo o que é seu.
Tempestades de Amor e Verões de Justiça
Sei bem que, neste vasto mundo que o Criador nos deu para habitar e cuidar, há muitos corações famintos por vingança. Mas o que mais me encanta é saber que há muitos, muitos mais famintos por amor.
Então, em qualquer tempo da nossa existência, que tenhamos verões de justiça.
Que tenhamos tempestades de amor.
Que tenhamos ventos fortes de fé.
Que a chuva do céu lave a tristeza de todos, que ilhas de esperança se formem e que possamos nos agarrar às árvores da paz.
Que eu possa, também, conectar minha energia de alegria com todos os meus e com os seus.
E que hoje, nesta Sexta-feira da Paixão, possamos suportar as dores do dia a dia e, aos domingos, celebrar o amor sem dor.
A Face Oculta do “Amor”
Um grande homem… ou talvez apenas um grande ser?
Ou um grande líder? Tipão ou tirano?
Talvez — e com certeza — um grande lixo.
Quando alguém diz que ama uma criança, mas por trás de suas palavras existem pensamentos libidinosos e cruéis, então não é um ser humano falando — é o próprio demônio agindo.
Vazios de Alma
É lamentável que, por momentos de luxúria, breves ocasiões de prazer , se possa causar a destruição de uma vida.
Há quem, vazio de alma, não tenha percepção, muito menos empatia pelo próximo.
Ecos de um Amor que Não Volta
Cada amor tem uma história.
E, se as ondas de lembranças invadissem o coração, talvez levassem embora o eco do vazio de uma vida inteira.
É certo que, às vezes, a linha do tempo fica desordenada, fragmentada. Nesses momentos, chega a ser curioso, porque há ocasiões em que nem o próprio dia parece compreender que a escuridão de um lindo manto brilhante chega todas as noites.
Então, penso: se a gente ama e o amor vai embora, devo aceitar a frase “você ama, então o amor volta”?
Não, não volta. Até porque, se voltasse, seria visto de outra forma — não seria o mesmo. Carregaria algo diferente junto com aquele sentimento. E, ainda assim, se realmente voltasse, talvez não houvesse tantas desilusões e sofrimento.
Fico em dúvida: será que minha visão está diferente? Houve mudança?
É… pode ser que sim.
Metamorfoses da Saudade
Você foi o culpado pela explosão de sentimentos que houve em mim.
Você foi um grande amor.
Que bom foi te conhecer… mas foi profundamente terrível e doloroso vê-lo partir.
Ainda bem que as lembranças sabem abraçar até os sentimentos sem fim.
Eu já sei: é um mistério… mas falar é inevitável — e sofrer também.
Quantos não passam por uma metamorfose sofrida e angustiante, ao tentar abraçar outros corpos e beijar outras bocas que não sejam aquela?
Há momentos em que me sinto presa a imagens e sentimentos fictícios, como em um filme inacabado, onde existe um predador sempre à espreita, com a ferocidade de um ser lupino em alerta.
Desespero… até porque “The End” nunca vem.
A música que me traduz
(refúgio em forma de som)
A música fala — e, com isso, me inspira, mesmo quando vem em outras línguas ou até sem letra. Eu a sinto e a entendo.
A música simplesmente me abraça, me acaricia e permanece comigo, nas melhores e nas piores horas.
Há momentos em que não aprecio o que está escrito, mas sim a batida que, juntas, elas representam. Em meu coração, são fortes e certeiras.
Ela me alivia, me acalma e me inspira.
Evolução… ou ilusão?
Será que estamos no caminho certo?
Antes, no papel em branco… agora, tudo é tela digital.
Antes, os pensamentos fluíam; agora, o cursor desliza.
Antes, pincel e tinta; agora, o toque e o clique.
Antes, os sentimentos fluíam do coração…
Será que um dia teremos domínio sobre tudo isso, ou passaremos a depender apenas de um clique?
Evolução… ou ganância?
Inferno… ou salvação?
Será que, de fato, estamos no caminho certo?
“Acredito que vivemos uma evolução digital… e espero que todos os seus recursos sejam usados para o bem da humanidade.”
Entre o só e a mente
Só.
Somente só.
Incrivelmente só.
Só.
Só mente — incrível.
Mente só.
Só.
Não se enxerga o sonho de ninguém, mas, ao acordar, todos têm os seus.
Os seres humanos precisam respeitar uns aos outros.
O Pintor de Sua Própria Dor
Um olhar triste carrega uma alma machucada.
Por mais que os lábios se exponham, os olhos não acompanham.
É triste olhar pela janela e ver uma paisagem igualmente triste.
Como proteger os quadros que vejo? Como servir de ombro ao pintor que encanta, mas em quem a felicidade não habita?
Os sinais de pânico explodem, e meu coração dói.
Não consigo conter o rio que escorre.
A ferida é grande e talvez não venha a sarar.
Por isso, é fácil a tristeza se instalar; difícil é consolar.
Compartilhar a dor também faz parte e, mais importante, é saber que não se está só.
Entre Luzes e Fragmentos
Em minhas memórias, eu lembro.
Entre luzes e fragmentos, eu vejo.
Antes, eu me considerava um forasteiro,
sempre só, e minhas lágrimas deitavam ao cair.
Entorpecida por amor, esquecia até onde vou;
meu nome não existia, pouco se ouvia, até porque “querida” era o meu codinome.
Mostrei e provei que somos um só,
apesar de sermos dois.
E, nua de pensamentos,
você possuiu a minha mente,
e este amor não sai mais de mim.
Mas, às vezes, o inesperado acontece:
o cupido atravessa o coração
e tira a magia de uma vida.
Por causa do amor absoluto,
acreditei que ele voltaria.
Em minhas memórias, eu lembro.
Entre luzes e fragmentos, eu vejo.
Insano…
mas minha prioridade foi silenciar
para apreciar sua face,
mesmo que naquela sala gelada.
E agora, sua natureza invisível me consumiu.
Sou uma ótima atriz no teatro da vida,
mas o final da nossa cena foi triste:
eu meio morri
e meio ainda estou aqui.
Vi, com meus próprios olhos,
que, se eu me esforçasse mais,
o limite se abriria
e a loucura seria certa.
Não faz bem —
é ruim para o bem-estar da minha sanidade.
Aquele que se acha um Deus não teme,
pois se julga o maior
e nem imagina
que, às vezes, os dias estão contados.
Em minhas memórias, eu lembro.
Entre luzes e fragmentos, eu vejo.
Mesmo sabendo que você se foi,
eu continuo a vagar
na lembrança do seu olhar…
E foi assim
que o vento da morte te levou de mim.
Raiz, Não Rótulo
Ouvi dizer que fui narcisista.
Nunca concordei, e hoje tenho a certeza de que sempre fui raiz.
No amor, há muitos amores,
e cada vida é única em seus ensinamentos e espelhos.
Tudo teve, e ainda tem, o sabor de um amor sincero.
E a minha sensação, tão importante para mim,
carrega o gosto sereno de missão cumprida.
A mão que ampara, a mão que solta
Quando alguém estende a mão para você em sua pior fase, é reconfortante. Quando oferece o ombro, é maravilhoso. E, quando vem acompanhado de um abraço forte, é como se a segurança se instalasse, envolvendo sua vida em um mundo protegido.
Mas, quando essa mesma mão solta a sua, o desespero e a dor surgem como estilhaços de aço no peito. A mente vai se apagando dia após dia, fazendo toda a estrutura ruir, até que o seu mundo se transforme em pó. Em questão de tempo, tudo pode se dissipar como fumaça no ar.
Que todos nós possamos ser sensíveis aos que estão em apuros, em desespero ou aflição. Que sejamos acolhedores e atentos aos sinais, porque o olhar não consegue esconder o que presencia. A boca se torna insegura, as lágrimas muitas vezes denunciam, as mãos revelam códigos… enfim, o corpo não mente — o corpo fala.
A Pirâmide que Observamos
Nesse mundo, existem camadas sociais que vão do miserável ao bilionário — e, futuramente, talvez alcancem os trilionários. E existe eu, que daqui observo essa pirâmide mal estruturada e me pergunto: o que foi feito para chegarmos a um patamar tão desalinhado e desproporcional?
Um lugar onde, muitas vezes, dificilmente teremos a chance de evoluir. Um triângulo que, para mim, é escaleno — desigual em todos os lados.
Para aqueles que, como eu, conseguem enxergar e têm a certeza de que não podemos nos desassociar dessa pirâmide — até porque sabemos que, quase sempre, é o dinheiro e o poder que definem essa estrutura —, surge um pensamento inquietante: passamos a vida inteira lutando para nos encaixar no ponto mais alto possível desse triângulo de lados desiguais, que não se iguala a nada.
E, ainda assim, o impossível insiste em acontecer.
Então me pergunto: onde nos encaixaríamos, se a vida realmente nos desse uma chance?
Às vezes, fico pensando… será que, no futuro, poderá existir uma outra pirâmide — um espaço à parte, mais justo, mais humano, onde alguns possam ser acolhidos?
Ou será que sou eu quem está atrasada nesse pensamento?
Utopia?
Horizonte de Linhas Indecisas
Às vezes, me bate uma nostalgia retrô, poeticamente falando.
Uma vontade de cobrir meu corpo com as ondas do mar e ver meus olhos marejarem enquanto olho o céu, flutuando nas mãos profundas do oceano.
Meu horizonte é feito de linhas indecisas, mas, ainda assim, libertador.
Dá vontade de abrir as nuvens como se fossem um livro e dizer às gotas da chuva que, ao cair no mar, não me acordem.
Às vezes, essa nostalgia retrô me envolve, poeticamente…
Entretanto, há dias em que nem o céu nem o mar conseguem me animar.
