Michel F.M.

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Desfoque Gaussiano


a vida
é a consequência
do que não foi.


porque
se tivesse sido,
de outra forma


(nas inesgotáveis
probabilidades
que não resultaram),


jamais seria
esta causa
que se perdeu.


19/10/23
Michel F.M.

Vênus Indecifrável


aquela que eu
contemplei
pelo espelho,


num instante
tão inigualável,
único e particular,


que mesmo
os deuses
mais poderosos,


em teus suntuosos
tronos grandiosos,


me invejaram
e desejaram estar
em meu lugar.


05/11/23
Michel F.M.

Ensaio sobre os Motivos


muitas coisas ruins
foram feitas
em nome de um bem maior.
mas ele nunca chega,
não é ?!
o bem maior,
nunca chega.


05/11/23
Michel F.M.

Saboroso Perfume Hipnótico


desconfio
que não seja
o aroma,


nem o cheiro
ou uma fragrância
específica,
que me desestabilize
ou entorpeça.


desconfio que seja
a carinhosa companhia,
a consistente
e indispensável,
presença.


08/11/23
Michel F.M.
B.M.F. Margoni

Arbítrio


muitas vezes
lutar não é
uma escolha.


nós lutamos,
justamente,
porque a escolha
foi tirada de nós.


09/11/23
Michel F.M.
B.M.F. Margoni

A Megalópole de um Homem Só


dizem
que quem lê,
vive mil vidas.


e aqueles
que escrevem,
vivem cem mil.


mas geralmente
se esquecem
de mencionar


os poetas,
que vivem milhões.


12/11/23
Michel F.M.
B.M.F. Margoni

Menos que uma fração de segundos


a gente
só tolera
a maior parte
dos dias.


e entre
as frestas
destes dias
quase intoleráveis,


em tuas fissuras
imperceptíveis
e sutis,


respiramos
e por vezes
extraímos
algo de
incomparavelmente
sublime.


16/11/23
B.M.F. Margoni

Comentário adicional
(descartável)
sobre As Redenções


O mito de Ícaro, como a maioria dos mitos, foi criado pelos humanos para ensinar os humanos a se controlar, ou para serem controlados. Ele ensina que a ousadia excessiva e irrefletida, aliada a arrogância, pode ser extremamente prejudicial e fatal, usando como metáfora a proximidade em relação ao Sol. O excesso de luz irá cegá-lo. Não se aproxime demais do astro-rei ou suas asas irão se queimar.


Mas o mito focado no auto-controle, na contenção dos prazeres, na supressão dos desejos para um bem viver, ignora o fato de que, numa vida mortal, fadada inevitavelmente ao sono eterno e aprisionada a um labirinto de desigualdades e injustiças monumentais (criadas por nós mesmos), a única questão que realmente importa, é o quão próximo podemos chegar do Sol, ainda que nossas asas entrem em combustão. Munindo-se de toda e qualquer ousadia que estiver ao alcance, sejam quais forem as consequências. Celebremos pois, nossos erros.


26/11/23
Michel F.M.
B.M.F. Margoni

Canções do OlharInconsolável


O olhar inconsolável,
Denuncia a vida cativa,
Na privação do ser,
Ao qual foi negada a liberdade.


A existência aprisionada,
Faz do calabouço nosso lar.


Mais um soneto inútil,
Outra película estúpida,
Difundindo teu veneno,
Consciência podre a nos intoxicar.


Onde a luta se encerra
E o luto é permitido,
Fazem tanto sentido quanto,
Os sentimentos que perdi.


Toda coisa tem um preço,
Coisa alguma tem valor,
O sempre chega ao fim,
Na canção do perdedor.


Nada disso acaba,
Tudo tem sabor,
Mas só o amargo salva,
Na canção do vencedor.


Faço um esforço tremendo,
Para crer em tudo que digo,
Discordo de tudo o que dizem,
Contudo, não diga nada a ninguém.


Apegue-se à vida,
Diga o que tem a dizer,
Faça o que tem que fazer
E dê o fora daqui.


Do olhar inconsolável
Nascem as canções,
Em nosso despropósito,
Brotam proposições.


Tudo tem um custo,
Porém, nada é valorável,
Mas a consistência salva,
O olhar inconsolável.


Michel F.M.
B.M.F. Margoni

Bruno Michel Ferraz Margoni, conhecido no meio artístico pelo pseudônimo Michel F.M., é um prolífico poeta, escritor, editor, músico e educador brasileiro. Nascido em 13 de fevereiro de 1988 na cidade de Salto, São Paulo, ele se destaca por sua vasta atuação cultural e formação acadêmica multidisciplinar. [1, 2]


Abaixo estão os detalhes principais sobre sua carreira e realizações:


Formação Acadêmica e Atuação Profissional


Multidisciplinaridade: Possui graduação em cinco áreas distintas: Comunicação Social, Educação Física, Filosofia, História e Artes Visuais.
Especializações: É especialista em Psicologia aplicada à Educação Física e ao Desporto, além de Metodologia do Ensino de Arte.
Rede Pública: Atua como Professor Titular de Cargo Efetivo na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
Pós-Graduação: Foi aprovado no programa de Mestrado Profissional em Educação Física pela UNESP. [1, 2, 3]


Carreira Literária e Editorial


Produção Autoral: Já publicou mais de 30 livros distribuídos de forma independente e por plataformas de autopublicação. [1, 2]
Editora Antologias Conectatum: É o fundador e editor-chefe desta editora, onde atua como antologista organizando obras coletivas. [, 2]
Principais Obras e Coletâneas: Idealizou as trilogias Mestre dos Pretextos, Ensaio sobre a Distração e Flores do Pântano. Também organizou a Coleção Opostos, que reúne os títulos Na Textura Sólida das Nuvens, Na Frieza do Magma e Amarga Doçura. []
Reconhecimento Internacional: Tem textos integrados ao acervo de Literatura em Língua Lusófona da Biblioteca Nacional da França (BnF) e expôs seus trabalhos em Paris no ano de 2016. [1]


Prêmios e Distinções acadêmicas


Academias de Letras: É Membro-Fundador e Acadêmico Imortal da Academia Intercontinental Sênior de Literatura e Arte (AISLA), da Ordem Literária Omnium (OLO) e Membro Vitalício da Academia Independente de Letras (AIL). [1, 2]
Honrarias: Foi condecorado com a medalha Máximo Gorki, recebeu o Título de Referência Literária no Prêmio Apontador e a Comenda da Ordem Literária Scriptorium. [1]
Concursos: Venceu o Concurso Literário Motus da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) em 2021, além dos prêmios Poesia Libertária, Rima Viva, Ecos da Palavra e Poesia Livre. []


Carreira Musical e Outras Vertentes


Bandas de Rock: Iniciou na música aos 15 anos compondo e integrando bandas de Rock Alternativo, Indie e Grunge, tais como Reaper Saddened, N.I.O.N. e Debrous. [1]
Projeto Samaritano: Em 2007, formou esse trio de rock alternativo, gravando os discos A Mudança é Você e Ao vivo e Et cetera, antes de seguir com o álbum solo Áspera Seda. [1]
Esporte: Além das artes, também pratica e possui envolvimento com a modalidade do Slackline.

A Obra "Poesia de Combate" analisada é de autoria de Michel F.M. (pseudônimo do poeta, escritor e compositor paulista Bruno Michel Ferraz Margoni). Nascido na cidade de Salto, interior de São Paulo, o autor é conhecido por uma vasta produção independente que transita entre a literatura, a filosofia, o jornalismo e o rock alternativo. [1, 2]


Sua assinatura artística se consolida exatamente nessa fusão entre a palavra escrita e o espírito contracultural. [1]


O Estilo do Autor refletido na Obra


O viés combativo visto no poema reflete as principais marcas da trajetória de Michel F.M.: [, 2]


Projetos Editoriais de Combate: O autor assina antologias e projetos independentes como o "Revolesia" e obras de forte cunho crítico e social, como o "Poesia Pandêmica" — textos marcados pelo tom cáustico e pela reação direta aos períodos de negacionismo, opressão política e alienação social. []


O Pseudônimo e a Insubordinação: Autodefinido em suas plataformas como um "sujeito insubordinado e perito em contradições", a escolha de usar siglas (F.M.) evoca um tom quase clandestino ou militarizado, dialogando intimamente com a proposta de "guerrilha urbana" e invisibilidade tática descritas nos versos analisados. [1]


A Palavra como Ação Material: Na visão artística de Michel F.M., o texto não existe para o mero deleite estético; ele enfatiza "a relevância da materialização de nossas ideias em atos". O poema da caneta/arma exemplifica com exatidão essa filosofia: o poema escrito é bom, mas o gesto concreto de parar o opressor é o seu desfecho lógico e necessário.
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A lírica de Michel F.M. em seu livro Poesia Pandêmica ou O Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis (2021) opera exatamente no limite entre o confinamento físico e a asfixia social. Longe de ser um mero diário de isolamento, a obra funciona como um relato cáustico, brutal e claustrofóbico de um mundo fraturado pela crise sanitária e pela degradação política. [1]


O tom "ácido" da obra se manifesta na recusa do autor em romantizar a dor ou o recolhimento, canalizando sua escrita para um ataque frontal contra o negacionismo, a apatia e a desumanização. [1]


1. O Esfacelamento das Estruturas e a Crueza Verbal


A claustrofobia de Michel F.M. não decorre apenas das paredes de uma casa fechada, mas do aprisionamento em uma realidade governada pela ignorância coletiva. O autor recorre à repetição obsessiva de termos que indicam destruição, criando um efeito rítmico sufocante:
"Teu sorriso esfacelou,
Tua esperança esfacelou,
Teu sonho esfacelou,
Ela não vai voltar."


O verbo "esfacelou" (que remete a carne podre, destruição de tecidos e desmoronamento estrutural) dita o tom da obra. Não há espaço para o luto poético tradicional; a perda é tratada com violência biológica e irreversível. [1]


2. O Vírus Político e o Desprezo pela Vida


A acidez do autor atinge seu ápice quando ele remove o foco da tragédia do vírus puramente biológico e o transfere para a responsabilidade humana e governamental. Para Michel F.M., o verdadeiro agente patogênico é de ordem moral: [1]
"Não foi o vírus que a matou,
Foi o desprezo pela vida,
De quem nem mesmo a conheceu." [1]


"[...] Foi a tolice desmedida,
De quem negava o inegável." [1]


O confinamento, portanto, torna-se claustrofóbico porque o eu lírico se vê preso a um ecossistema social gerido pela ignorância. O poema assume um papel de denúncia jurídica de um crime humanitário cotidiano. [1]


3. A Inexistência de Vacina para a Estupidez


O ponto central da atmosfera corrosiva da obra reside no diagnóstico de que a ciência pode curar o corpo, mas não possui recursos contra a falência ética da sociedade: [1]
"Quem a matou não se deu conta,
Que a negligência contamina,
Não há vacina, pra estupidez."


A "estupidez" e a "negligência" são tratadas como vírus invisíveis, transmitidos pelas "inofensivas idas e vindas" daqueles que minimizavam a letalidade do período. A claustrofobia nasce do pânico de saber que o perigo não está apenas no ar infectado, mas no comportamento banal do outro na esfera pública. [1]


4. Estética do Confinamento: O Labirinto Mental


Ao longo da antologia, o confinamento força o eu lírico a voltar-se para dentro, transformando o cérebro em um campo de batalha neurobiológico de resistência. É uma poesia escrita por quem experimentou os breves relances de lucidez em meio ao delírio da massa. [1, 2]


Linguagem Despida: Evita-se o preciosismo métrico para focar no soco verbal. [1]
O Antifascismo Clínico: Assim como no poema do "dispositivo pontiagudo", a ciência e os termos lógicos são usados para desarmar a barbárie. [1]
A Recusa ao Consenso: Há uma necessidade explícita de discordar do falso otimismo, preferindo o gosto "amargo" que salva à ilusão que aliena. [, 2]


Poesia Pandêmica consolida a escrita de Michel F.M. não como um refúgio lírico para escapar do isolamento, mas como um manifesto de confinamento, onde a palavra ácida atua como o único respirador artificial possível contra a asfixia civilizatória. [1]