MichaelBruthor
🎶 "Lágrima da Aurora Eterna"
(“No limiar do tempo, uma lágrima caiu… e tornou-se canção.”)
Nas brumas do primeiro suspiro, nasci,
Com asas de vento e olhos de marfim.
A vida me deu um nome esquecido,
E o tempo, um cálice de mel e fel.
Toquei o céu com dedos de infância,
Vi deuses dormindo nas sombras da dança.
O amor, como lâmina envolta em flor,
Cortou-me o peito com perfume e dor.
Segui o canto de um cisne ferido,
Por bosques de névoa e espelhos partidos.
Cada passo era um verso silente,
E o chão, um livro de folhas ausentes.
Encontrei-te à margem do fim do mundo,
Com olhos que choravam o tempo imundo.
Tocaste minha alma com dedos de luz,
E a morte, por um instante, se fez cruz.
Oh, chama vestida de carne e lamento,
Foste jardim e tormento ao mesmo tempo.
Nos teus braços, o abismo se calou,
E até os anjos desceram sem véu.
Mas o destino, cego artesão,
Tecia com espinhos a nossa canção.
A eternidade, com voz de salmos,
Nos separou em tronos de pranto e palmos.
A morte dançou entre véus dourados,
E levou-te em silêncio, entre os finados.
Rasguei meu peito em nome da verdade,
E vi tua face na eternidade.
Agora caminho por reinos de sonho,
Semeando estrelas no solo medonho.
Cada nota que vibra em minha lira,
É lágrima tua que ainda respira.
O universo é um espelho partido,
Mas tua lembrança é cristal infinito.
Queimarei mil vidas pra te reencontrar,
Na alvorada onde o tempo vai se calar.
(Coro angelical e tambor ritual lento)
Lágrima da aurora, volta ao teu lugar,
Entre véus do nada, vamos despertar.
Pois até a morte, se ouvir nosso amor,
Cairá de joelhos diante do cantor.
"O Canto das Estrelas Mortas"
Nas veias do tempo, correm sombras e luz,
O amor é um rio que secou sobre a cruz.
Os deuses dormem em tronos de pó,
E eu canto por ti, meu último véu.
Teu nome é um eco nos salões do além,
Esculpido em mármore pelo vento também.
A morte dança com véu de cristal,
E beija tua boca no fim do carnal.
Ohhh, levanta-te, alma, do leito de espinhos!
O universo é um verso sem fim nos teus vinhooos!
Queimamos no fogo das estrelas mortaaas,
Somos pó de diamante nas mãos da madrugadaaa!
No espelho da lua, teus olhos são marés,
Afogam meus ossos em sal e fé.
O amor? Uma espada que corta a ilusão,
A eternidade... um suspiro no vale da escuridão.
Eu te procurei nas cidades de prata,
Nos livros dos mortos, na boca da fada.
Mas eras o abismo que eu já carregava,
O verso final da canção não cantada!
Ohhh, levanta-te, alma, do leito de espinhos!
O universo é um verso sem fim nos teus vinhooos!
Queimamos no fogo das estrelas mortaaas,
Somos pó de diamante nas mãos da madrugadaaa!
E quando o último sol se apagar,
Nossas vozes serão o vento a cantar...
Uma canção sem nome, sem medo, sem fim,
Porque o amor é a morte, e a morte é assim.
O Sonho Fantasmagórico
Nas profundezas da noite, sombras dançam
O mundo desperta, suave e distante
As paredes sussurram, o chão acena
Neste reino encantado, onde sonhos se escondem
Espelhos de luz! Corredores brilhantes!
Figuras diáfanas conversam comigo
Nas alturas eu caminho, na brisa eu flutuo
Todos me veem, todos sorriem!
É um sonho fantasmagórico!
Onde o medo é passageiro!
As vozes ressoam como uma melodia celestial!
Tudo é possível, tudo é poético!
O tempo dança... o tempo sonha...
Relógios deslizam! Rios sussurram!
Portas se abrem... segredos florescem...
Corro com destino, com alegria corro!
Sinto o calor do luar...
Nesta dança encantada, a alma está livre...
Cada passo é um desejo de continuar...
E o sonho perdura!
É um sonho fantasmagórico!
Onde o medo é passageiro!
As vozes ressoam como uma melodia celestial!
Tudo é possível, tudo é poético!
Até que a luz matinal...
Desça do céu... traga a claridade...
E enfim eu perceba...
A maior fantasmagoria...
Era... o despertar... em paz...
O Paradoxo Sagrado
Aquele que nunca se afogou em seu próprio abismo,
Nunca ouviu o sussurro de sua própria alma.
Quem nunca deixou o caos assumir o leme,
Nunca viu as estrelas reassumirem seu papel.
O caminho que chamamos de "erro", o plano "fracassado",
Só ele pode romper a fortaleza do real.
O mapa perfeito, a linha mais reta, impecável —
Leva apenas aonde corações entorpecidos já não sentem.
Agora... no mais profundo silêncio, ouça-o cantar,
A noite mais negra agora mostra o que o dia não pôs.
Em plena rendição, tornei-me rei,
Minhas partes quebradas — onde toda força foi forjada.
Persegui a Luz com um fogo tão cegante,
Que perdi a própria verdade que esperava encontrar.
Lutei contra a Sombra com um desejo cativo —
Minhas próprias correntes apertando-se em minha mente.
Até que... a guerra em mim simplesmente se desfez.
Deixei cair a espada. Deixei a tempestade começar.
Dei à escuridão meu sim final para proferir...
E lá, dentro daquele sagrado, estelar vórtice sem luz...
...eu vi.
Bendita, a ruptura que me fez completo!
Bendito, o vazio que preencheu minha alma!
Sagrada, a dúvida que pariu um saber mais profundo!
A Pergunta que superou seu próprio crescimento!
Não busques a resposta — sê-a, através da queda.
O paradoxo não é um muro...
...é a dança que nos liberta da necessidade de vencer.
É no perdido, que verdadeiramente... começamos.
O Peso das Asas
Eles me deram asas antes de me ensinarem a voar
Disseram: "É dom", mas não falaram do custo
Toda pluma que cresce no escuro
Traz um segredo do que foi perdido no poço
No dorso, uma memória ancestral
De céus que nunca toquei, mas que me chamam
Enquanto meus pés ainda aprendem
O que significa estar preso à lama
Oh, e às vezes sinto o osso dobrar
Sob a graça que não pedi pra carregar
Esta beleza que ninguém consegue ver
É o fardo que escolheu nascer em mim
E esse é o peso das asas
Uma âncora de luz, uma algema de ar
O preço de nascer com o céu nos ombros
É nunca saber onde o chão vai estar
É o peso das asas
Um chamado secreto que só a dor traduz
Carregar o paraíso nas costas
E esquecer como se voa de uma vez por todas
Há dias em que as penas são véus de chuva
Outros em que são lâminas ao sol
Cada vento que passa parece sussurrar:
"Você foi feito para o alto, então por que esse arrebol?"
E aprendi a disfarçar a curvatura
Da coluna que sustenta esse fado
Sorrio levemente, como quem carrega
Apenas um pensamento, não um destino dobrado
Já tentei arrancá-las no silêncio da noite
Mas elas sangram luz, não sangue
E na ferida aberta, eu escuto
Uma canção que só se canta quando se sofre o peso
De ser diferente
De ser mais e menos, ao mesmo tempo, para sempre...
E esse é o peso das asas
Uma âncora de luz, uma algema de ar
O preço de nascer com o céu nos ombros
É nunca saber onde o chão vai estar
É o peso das asas
Um chamado secreto que só a dor traduz
Carregar o paraíso nas costas
E esquecer como se voa de uma vez por todas
Talvez voar nunca tenha sido sobre o ar
Mas sobre aprender a caminhar
Com o céu inteiro nas costas
E ainda assim...
...não desmoronar
Não desmoronar...
Apenas sentir a brisa
E chamá-la de lar.
DIÁLOGOS COM A SOMBRA
Eu te ignorei por anos, trancada no sótão da mente
Doeu menos fingir que eras obra da poeira e do tempo
Mas nas noites de insônia, quando o mundo desmaia
Sinto teu peso no colchão, um afundamento calmo, lento
És o hóspede não convidado que paga aluguel em silêncio
A parte da história que nunca me contaram completa
A raiz que cresce na direção oposta da flor
A única verdade que minha alegria aceita discreta
E hoje, cansei da guerra. Baixei as armas da razão.
Abri a porta do sótão e disse, sem triunfo, apenas:
"Entra. Já que insistes em habitar esta casa,
ao menos vem da penumbra. Vamos ter uma conversa,
afinal somos inquilinos do mesmo osso, da mesma carne,
dividimos o mesmo teto quando a tempestade desaba."
Refrão:
E assim começou o diálogo com a sombra:
"O que queres de mim, além do medo que já te dei?"
E ela, feita de vozes antigas e pó de espelho:
"Nada que já não seja teu. Apenas devolver o que esqueceu de ser.
Sou a cidade submersa sob teu mar de tranquilidade.
O nome que riscaste da tua própria biografia.
Não vim para te destruir, apenas lembrar-te
que a luz que tanto cultuas nasceu da minha geografia."
Confessei meus segredos mais claros, os de pleno sol
Ela riu um riso de terra: "Ingênua. Esses não interessam.
Fala-me da inveja que vestiste de ambição.
Do ódio que baptizaste de 'justiça'. Da crueldade
que chamas de 'franqueza'. Dos desejos que afogas
no álcool da resignação. Desses sim, somos parentes."
E eu, sentada no chão com meu duplo noturno,
vi minha história reescrever-se com tintas diferentes.
Ela mostrou-me as feridas que eu causara e chamara de 'conquista'
Os amores que asfixiei em nome do 'amor próprio'
A criança que abandonei no caminho da 'maturidade'
E eu chorei. Não de arrependimento, mas de reconhecimento.
Era como ler um livro escrito em língua estrangeira
e descobrir, página após página, que era a própria história.
A sombra não era monstro. Era o arquivo, o repositório
de tudo o que joguei fora para brilhar na memória
E assim seguiu o diálogo com a sombra:
"O que faço contigo agora, se já não te posso temer?"
E ela, feita de silêncios e verdades truncadas:
"Integra-me. Não como inimiga, mas como contraponto.
Sou o contorno que dá forma à tua luz.
A nota grave na tua melodia.
Sem mim, és apenas claridade sem definição,
uma bondade plana, sem história, sem profundidade, sem dia."
Bridge (Musical: cresce para um clímax orquestral, depois cai em absoluto silêncio por 2 segundos)
E no ápice do confronto, veio a quietude.
A rendição. A sombra não se dissolveu em luz.
A luz não venceu a sombra.
Elas apenas... se reconheceram.
Dois rios correndo no mesmo leito.
Dois vocais na mesma canção.
E eu, que era a guerra,
tornei-me o campo de batalha pacificado.
E depois, o próprio tratado de paz.
Outro (Sussurrado, sobre um piano solitário que retorna):
E agora carrego-te comigo. Já não és um fardo às costas.
És a mochila com as provisões para a noite.
Aprendi a linguagem das tuas pausas,
e tu aprendeste a melodia dos meus desejos aceites.
Já não sou 'eu contra ti'.
Somos... um nós.
Uma alma com suas nuances.
E quando a luz do dia me define,
és tu, na penumbra, quem me dá dimensão.
Obrigada, estranha.
Minha mais íntima estrangeira.
Minha sombra.
Minha... dona de casa
PALADAR DAS LÁGRIMAS
Provei o silêncio que escorria entre minhas falhas,
Um gosto antigo, ácido — quase memória primordial.
Cada lágrima carregava um nome que eu esqueci,
E ainda assim… elas sabiam exatamente quem eu era.
No reflexo fraturado da noite,
Bebi o que restou de mim —
E descobri que o amargo também é um tipo de luz.
Há um estudo secreto no modo como caímos:
O chão não é punição — é um espelho invertido.
Os erros, mestres sem rosto, me ensinaram a mastigar a dor
Como quem degusta a origem do próprio destino.
E quanto mais ruía, mais eu percebia…
Que ruínas têm um idioma que só o coração partido entende.
Deixei os joelhos encontrarem o pó da terra.
Deixei meu peito rachar sem piedade.
E no paladar das lágrimas, sorvi
Um perfume de verdade crua —
O gosto do que somos antes de fingirmos força.
A tempestade me tomou pela voz,
Mas devolveu-me um canto que nunca ousei cantar.
Aprendi que a chama mais pura
Nasce do que a água não conseguiu apagar.
Que o pranto, quando sincero,
É o batismo que escolhe o seu próprio sacerdote.
Ali, no fundo da dor que me molda,
Compreendi que cada renúncia era um portal,
E cada portal — um retorno ao meu nome original.
No fim, não chorei mais pelo que perdi,
Mas pelo que precisei destruir para enfim me ver.
E quando a última lágrima tocou a minha língua,
O universo inteiro tremeu em silêncio.
Não era despedida — era nascimento.
Porque somente quem conhece o sal da própria alma
É capaz de criar mundos onde antes só havia sombra.
