Biografia de Mia Couto

Mia Couto

Mia Couto (pseudônimo de Antônio Emílio Leite Couto) nasceu em Beira, Moçambique, na África, no dia 05 de julho de 1955. Sua paixão por gatos o fez adotar o pseudônimo de Mia. Filho de imigrantes portugueses, com 14 anos teve seus poemas publicados no jornal “Notícias da Beira”. Em 1971 muda-se para a capital Lourenço Marques (hoje Maputo), onde estudou Medicina, sem concluir o curso. Exerceu a função de jornalista na “Tribuna” e no “Jornal de Notícias”. Foi diretor da Agência de Informações de Moçambique.

Em 1983, Mia Couto publica seu primeiro livro de poesias “Raiz de Orvalho”, onde aborda as representações dos sonhos para refazer a memória do país e recuperar a identidade que o processo de colonização desmantelou. Em 1992, publicou “Terra Sonâmbula”, que foi considerado um dos melhores livros africanos do século XX. É um romance escrito em prosa poética, que compõe uma bela fábula que nos ensina a sonhar, mesmo nas condições mais adversas. Nos versos de “Poema Mestiço”, Mia Couto busca a identidade, além de uma esperança que é depositada no futuro, expressando o desejo de mudança.

Além de ser considerado um dos mais importantes escritores de Moçambique, tem seus livros traduzidos em diversos países. Entre outros obras, publicou "Tradutor de Chuva” (2011).

Acervo: 138 frases e pensamentos de Mia Couto.

Frases e Pensamentos de Mia Couto

Para que as luzes do outro sejam percebidas por mim devo por bem apagar as minhas, no sentido de me tornar disponível para o outro.

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POEMA DA DESPEDIDA


Não saberei nunca
dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.

Mia Couto
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Quando já não havia outra tinta no mundo o poeta usou do seu próprio sangue.
Não dispondo de papel, ele escreveu no próprio corpo.
Assim, nasceu a voz, o rio em si mesmo ancorado.
Como o sangue: sem voz nem nascente.

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Cada um descobre o seu anjo
tendo um caso com o demônio.

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Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

(In "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")

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