Mell Glitter
Não é possível me descrever: sou uma camaleoa!
Sou tantas e muitas, ainda assim única!
Não gosto de rótulos. Não sou linha de montagem!
Defeitos??? Tenho muitos, mas convivo bem com todos eles.
Não faço questão nenhuma de ser perfeita, mas faço questão de ser humana!
Eu vivo me reinventando, faço rascunhos de mim mesma!
Borrões por todas as páginas...erros, acertos!
Sou dona de mim, e quebrar a cara vez ou outra, faz parte dessa coisa que chamo de evolução.
Não nasci vacinada contra o caos...então vou aprendendo e enfiando os pés pelas mãos, mas aproveito, pra no caminho, colher experiências.
Coleciono as mais importantes e as que não me serviram pra nada, abandono-as!
As mágoas??? Essas eu as livro de mim! Deixo a porta aberta pra que busquem outros caminhos que não sejam os meus!
Se ficarem marcas, que sejam de alegrias!
Sou meu próprio enígma descrito na charada da vida!
Não direi quem sou, até que eu me descubra!
E prefiro continuar perdida nesta minha busca, já que sendo apenas uma, eu sentiria muita falta das minhas outras!
Não nasci comportadinha, nem tenho pretensão em ser.
Na verdade, nunca achei graça nisso e com os bons modos não
tenho compromisso.
Gosto mesmo é de provocar, de fazer perder as estribeiras...
Eu só sei dar bandeira!
Minha autenticidade me entrega, sou pura falta de juízo.
Não, eu não posso prometer me comportar,
mesmo porque, eu nem sei como fazer isso!
MORENO DA COR DO PECADO
Não fuja de mim
moreno da cor do pecado!
Amar-me nunca foi impróprio
muito menos censurado!
Deixe que eu te revele
caminhos fascinantes
nas curvas que trago em meu corpo
num êxtase alucinante!
Deixe-me de joelhos
aos pés da sua censura...
E mate-me de amor
até levar-me a loucura!
Faça-me gato e sapato
e ria ao me ver muito louca...
E entre sussuros e gemidos
me beija voraz a boca!
Não sou boba,
nem nunca fui muito santinha...
Aproveita esta minha confissão
pra me fazer sair da linha!
E deixe os modos em casa
que perderemos as estribeiras!
To todinha aqui pra você...
É só não marcar bobeira!
Menina, eu sei que sua história é triste e que seus olhos inchados de tanto chorar já não enxergam mais a luz no fim do túnel. Mas não desiste, menina!
Não desiste, porque a vida é temperamental, e ela pode mudar de uma hora pra outra. Ela sempre muda! Sempre!
Eu sei que parece bordão pronto pra te fazer acreditar que dias melhores virão, mas eu acredito em você.
Eu acredito na sua capacidade de transformar histórias tristes em finais felizes, em se vestir de ousadia e enfrentar dias cinzas, em bater no peito ao final de cada dia e sentir-se vitoriosa por ter resistido.
Vai dar certo, menina! Vai dar certo porque dentro de você tem uma força maior que luta bravamente por dias de sol. Isso, chama-se coragem, e ela, menina, é o que te torna uma heroína!
Uma grande e invencível heroína!
É Vida!!! Eu sei que tá dureza, que nem tudo saiu como a gente combinou!
Sei que alguns alicerces já te sucumbem e às vezes ficamos por um fio...Mas sabe, Vida, chegamos juntas por aqui e prometemos cuidar uma da outra...Então escuta o que lhe digo: fica!
Fica que é pra eu te mostrar o quanto você me faz falta, o quanto sou dependente de você...Fica que é pra você entender de uma vez por todas, que sem você não sei viver!
Ei, moça!
Vai correndo pegar a menina que morava dentro de você e a traga de volta!
Vai, antes que seja muito tarde e você se perca pra sempre neste mundinho cinza que se meteu!
Vai, porque você sem a sua menina, é triste demais!
Não desista! Não se conforme em ser só sombra do que já foi!
Não viva só de lembranças. Ainda há muitas histórias para serem escritas, mas elas só acontecerão, se você criar coragem de assumir a menina que te dava tanto orgulho e tantos motivos para sorrir.
Vai... vai que não se deixa pra trás uma parte tão importante de nós.
Meninas perdidas são apenas uma parte da gente esquecida e quando ela volta pra casa, a gente volta pra vida!
Eu choro pela menina que existia dentro de mim e enterrei... Uma menina que deixou de existir porque eu criei mais juízo do que devia... E dá uma saudade dessa menina... Uma saudade de quem fui e jamais voltarei a ser... Que saudade... Que saudade...
Ela é marrenta!
Dessas que não suporta cara feia e nem leva desaforo para a casa.
Se a desafiam, ai que ela corre atrás, só pra esfregar na cara do que é capaz.
Nasceu batendo a cabeça e por isso muitas vezes quebra a cara.
Mas ela não para, não desiste nunca: teimosa feito uma mula!
Se dizem que ela está errada, ela faz de tudo pra provar que está certa, mesmo sabendo que não está!
Tem um temperamento que nem todo mundo aguenta. Ardida feito pimenta!
Menina geniosa, durona, da pá virada! Não suporta ser contrariada!
Foi feita de teimosia essa criatura!
Mas no fundo tem um bom coração, só a carcaça é que é dura!
Há tempos ela virou uma outra.
Perdeu por ai todo o atrevimento, todo o encanto que tinha pela vida, toda a segurança que a fazia tão sedutora...
Perdeu-se por completo!
E perdida, nunca mais voltou a ser a mesma.
Não que ela não quisesse, mas é que ela já não sabia mais ser o que era.
Se a minha vida fosse alguém de carne e osso, eu iria puxá-la pelo braço e ia logo querendo saber:
"Senta aqui, sua cachorra, que eu quero que me explique porque tu é tão sem-vergonha!"
Sinceramente eu não saberia me descrever fielmente. Porque muitas vezes sou uma, muitas outras sou outra.
Me surpreendo comigo mesma em vários episódios da vida.
Me definir, soa como me limitar, e isso seria um erro grave.
Não sou esta o tempo todo. Não sou o que já fui e não sou (ainda) o que gostaria de ser. Sou uma mutação constante e interminável.
Hoje posso ser isso, e ali, no momento seguinte, ser aquilo.
Também posso ser o que quiser, ou o que esperam que eu seja, ou ainda, ser o que nunca pensei em ser.
Então se eu me descrever, soaria falso.
Seria como colocar um ponto final numa frase que com certeza eu iria acrescentar outras palavras dia após dia... Aquela coisa que dá na gente quando discutimos com alguém e só depois nos vem à cabeça as melhores respostas.
Talvez eu seja isso: reticências!
Ou então, aquela resposta que ainda não me veio à cabeça.
Não sei... não que eu não saiba quem eu seja... só não sei ainda se vou continuar sendo.
Era a terceira vez que subira na balança naquele mês e engordara.
Entrou na loja.
Experimentou todos os vestidos que haviam lá, e os que não couberam, comeu todos.
Era preciso alimentar a frustração.
...e eu só precisava mesmo era de um cantinho quente, daqueles que acolhem a gente em silêncio e respeita o tempo que precisamos para ouvir nossos pensamentos. Pensamentos estes que nem sempre paramos para dar atenção, e se paramos, não nos esforçamos para que se realizem. Porque a gente é assim mesmo: acomodado! Se acomoda com o que presta e o que não presta! Tá ruim mas tá bom, entende?
Eu tenho essa coisa de não conseguir sobreviver a este modo de vida por muito tempo, e me considero uma heroína à procura dos meus sonhos roubados. Sonhos estes que se perderam pelo tempo, onde a felicidade não passava reto por mim. Onde se não houvesse sol, eu brilhava mesmo assim! Onde o sorriso era de verdade e o futuro era algo que nem passava pela minha cabeça, pois era tão bom estar ali, do jeitinho que era. Futuro pra que?
O que eu preciso é de tão pouco: de coragem e de uma capa de super heroína, pois de uma forma ou de outra, pra sair deste lugar, preciso aprender à voar!
...e se eu perder o medo, vou levar minha coragem pra causar uns escândalos por ai. Sem o medo, vou também perder os modos, a timidez, a sensatez e me desatar dessa coisa que me mantém estacionada nesta vidinha à tanto tempo, comportadinha, arrumadinha e chatinha de dar dó! Vou espalhar por ai meus segredos - inconfessáveis - e vou hastear minha bandeira de vitória aos gritos de "Glória!". Vou mudar o figurino do meu destino, vou rodar a baiana, vou levantar poeira, acender a fogueira e mandar sinais de fumaça pro meu tão saudoso atrevimento! Meu Deus, que grande momento! Infelicidade nunca mais! Daqui pra frente só o que me diverte e me satisfaz! E nessa minha nova trajetória, vou ser dona do meu nariz e das minhas histórias. Vou deletar tudo o que de ruim estiver guardado na memória que é pra nunca mais deixar o choro vir... No meu rosto, só o sorrir! E vou ser feliz de verdade, sem dó, nem piedade! Do futuro terei esperanças e do passado sequer saudade... Mas só se eu perder o medo...mas só se eu tiver coragem!
Minha maior fraqueza é tentar ser mais forte do que sou!
Tem vezes que se é preciso beijar o chão, ir à lona, pois o coração também é um músculo e precisa de descanso! Não há fraqueza nenhuma nisso, só sabedoria!
Resistir pode te enfraquecer mais do que desistir, afinal, toda desistência também é um ato de coragem e reconhecer isso te dá forças!
Ele achou que tinha chances!
Me segurou pela cintura,
me chamou de "Meu benzinho"!
Ô triste criatura!
Quando me trocou por outra
nem adeus ele me deu
e com o dedo em riste
meu sermão
ele
entendeu:
"Escuta aqui seu Moço,
eu não vou lhe
dar o gosto
de sentir no
meu pescoço
o perfume
que já
foi
teu
e
que fique
explicado
que pra mim
o que é passado
tá enterrado
já morreu!"
Não tinha nada que a prendesse, mas ela não era livre.
Porque liberdade ela já conhecia de tempos atrás.
Era outra coisa e não isso que ela vivia agora.
Por algum motivo que ela ainda não conseguia entender, ela não conseguia mais abrir as asas, embora não tivesse esquecido como se voa.
E presa pelas próprias escolhas, fechou a portinha da gaiola e foi tratar de ser infeliz para sempre.
Fim!
Ai ela bota um vestido decotado, um perfume adocicado, um salto alto exagerado, capricha no penteado, na maquiagem e no rebolado e sai por ai, jogando feitiço por onde passa.
Ela arrasa!
O mais bonito nela é a segurança de ter consciência de ser uma bela mulher!
E que mulher!
Ela tem algo que encanta, que fascina, que te laça e te puxa...
Sei não... Linda ela é, só não sei se é sereia ou é bruxa!
Ela não faz pose de santinha.
Ela nem sabe como fazer isso.
Ela adora juntar uma platéia, fazer um comício!
Ela é escandalosa, ardente, imprudente!
Nasceu destinada a ser criticada!
Mas ela nem liga: desliga!
E toda solidão é um pedido de socorro em silêncio. Um silêncio que anda sozinho, de braços cruzados, cabisbaixo... um silêncio absurdo que impede a nossa voz de gritar!
...Não to mais nem ai se você vai fazer bico, ficar de cara feia, emburrar, desaforar, ficar um mês sem falar comigo. Sinceramente, não ligo mais!
To indo buscar a minha felicidade, que abandonei há muito tempo num canto da minha história, só pra VOCÊ ficar feliz.
Não to mais a fim de me deixar por último, de me abandonar, de me entristecer por me sentir tão sufocada, tão reprimida, pois resolvi que ninguém mais merece isso de mim.
Vou ser feliz, ainda que me acusem de inconsequente, de absurda, de impulsiva... Que falem, que falem muito, mas que me deixem ser o que deixei de ser há muito tempo: Eu!
Vou tratar de matar a saudade de mim mesma!
Essa mina é daquelas que não leva desaforo pra casa! Pra casa ela só leva a consciência tranquila e o alívio de nunca ter nada entalado na garganta!
E ela anda por ai querendo da vida mais ar nos pulmões pra fazer tudo que tem vontade.
Ela é assim mesmo,toda feita de intensidade, um furacão!
Um dia, sei lá, ela se cansa e descansa dessa doideira que é ser ela... ou não!
