MarcileneDumont

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Ser forte não é não chorar,
é enxugar o rosto…
e continuar mesmo assim.

O sol hoje caiu no chão
feito moeda escapando do bolso de Deus…
e a água ficou rica de luz por um instante.

A joaninha anda vestida de festa
com seus botõezinhos pretos costurados à mão…
lembrando que até o pequeno nasce pronto pra encantar.

Deus às vezes fala baixo,
igual brisa mexendo folha…
porque quem tem fé aprende a ouvir sem barulho.

O maracujá por fora é calmaria enrugada,
mas por dentro guarda tempestade doce…
igual gente que aprendeu a sorrir depois das trovoadas.

Tem dia que o céu parece lençol estendido,
e Deus sacode as nuvens devagarinho…
só pra gente lembrar que ainda existe vento.


⁠⁠

Meu pensamento às vezes é pipa sem dono,
sobe alto, dança no invisível…
mas sempre tem Deus com uma linha me puxando pra fé.


⁠tempo escorre igual café passado na hora:
quente, forte e impossível de segurar…
quem não prova, perde o gosto da vida.

Tem coração que é igual casa de vó:
porta aberta, cheiro de afeto…
e sempre cabe mais um mesmo apertado.


A lua não brilha, ela devolve…
feito espelho educado da noite,
ensinando que até refletir já é luz.


A lágrima é chuva particular:
quando cai, ninguém vê o céu nublado…
mas por dentro já trovejou faz tempo.

A fé é tipo raiz de árvore teimosa:
ninguém vê trabalhando…
mas é ela que impede a queda.

Tem gente que é igual vento em cortina:
entra bagunçando tudo…
e ainda sai achando que refrescou.

A vida não vem com manual,
vem igual bordado de joaninha…
um pontinho de cada vez até formar sentido.

Tem dias que a alma vira rede na varanda:
balança entre o cansaço e a esperança…
até o descanso encontrar a gente.

Minha mãe tem cabelo de algodão-doce cansado,
daquele que o tempo foi soprando devagar…
e mesmo assim ainda adoça o dia de quem chega perto.


O rosto dela é estrada de barro batido,
listrado pelas chuvas que já enfrentou…
mas firme, como quem nunca saiu do lugar que ama.




O café dela nunca é só café,
é colher batendo na xícara marcando o tempo…
como relógio simples ensinando a vida a não parar.


Minha mãe mexe o açúcar devagar,
como quem tenta adoçar o mundo…
sem fazer barulho pra não assustar a dor.


Ela é dessas que conversa com planta,
e jura que o sabiá responde…
porque quem tem fé entende até o silêncio cantar.


Minha mãe é livro que não pode empoeirar,
porque cada página esquecida…
é um pedaço da gente que deixa de existir.


Saudade dela não é ausência,
é presença que não cabe no abraço…
e por isso transborda pelos olhos.


Tem dia que ela é rede na varanda,
balançando entre o cansaço e a fé…
sem nunca deixar ninguém cair.


Se um dia ela for embora,
vai ficar espalhada nas pequenas coisas…
no barulho da colher, no canto do sabiá, no balanço de uma rede.

Na Alemanha, eu aprendi que a vida não se define pelos erros, mas pela forma como escolhemos nos reconstruir depois deles. Entre acertos silenciosos e recomeços discretos, descobri uma força que não se anuncia — se prova.


Ali, entendi que é possível levantar dos próprios escombros sem precisar esconder as quedas. Que recomeçar não exige ter tudo, mas ter decisão. Que firmeza não é dureza, é clareza de quem sabe onde pisa.


Aprendi a me posicionar, a sustentar minhas escolhas e, principalmente, a viver de um jeito que fala por si — não pela perfeição, mas pela coerência. Ser exemplo deixou de ser um ideal distante e passou a ser uma prática diária, construída nos detalhes, nas atitudes, na constância.


Essa foi a lição que ficou: não importa o ponto de partida, nem os desvios do caminho. Sempre existe a possibilidade de reescrever a própria história — com dignidade, consciência e verdade suficiente para que outros também encontrem direção.
Marcilene Dumont

Imigração e coragem tem aqueles que atravessaram oceanos sem saber nadar em certezas.
A quem refez a própria identidade entre malas, documentos e saudade.
E, sobretudo, àqueles que continuam mesmo quando tudo dentro pede para voltar.

⁠Migrar não é apenas mudar de país. É deslocar o próprio eixo interno. É acordar com o corpo em um território e a alma ainda fazendo conexão com o anterior.

Porque viver não é apenas continuar,
Sobreviver te mantém viva.
Mas viver é ter consciência dos valores que se quer e se tem , e é o que te transforma.
É estar presente naquilo que se constrói.
Marcilene Dumont

A vida deixou de ser apenas reação.
E passou a ser construção.


Eu comecei a escolher mais.
A sentir mais presença.
A viver com mais consciência.

Eu comecei a viver com mais leveza.
Não porque tudo ficou fácil,
Mas porque eu fiquei mais forte,
e isso transformou tudo.

Às vezes, a maior transformação não é aquela que o mundo vê.
É aquela que acontece em silêncio — e muda tudo.

A RESILIENCIA da mulher não está em resistir sempre, mas em renascer quando todos acreditam que ela não pode mais
MARCILENE DUMONT⁠

Não há muralha que detenha uma mulher que aprendeu a fazer da dor o seu próprio alicerce.⁠