Luan Teles

Encontrados 6 pensamentos de Luan Teles

Eu sou aquilo que faço
E sou aquilo que vai além dos meus atos
Eu sou aquilo que falo
E também sou quando me calo
Sou aquele que diz de mim
Mas sou também aquilo que digo do outro
Sou aquilo que vejo
E sou meu olhar, me olhando
Sou aquilo que penso e aquilo que nunca pensei
Sou o que me conheço
E sou também o que me descubro
Sou aquele que vive e aquele que morre
Que lembra que é lembrado
Que sabe que foi inesquecível
Mas que esqueceu...
E foi também esquecido por alguém
E alguém que já esqueceu de si mesmo
E alguém que alguém nem conheceu
Sou aquele que erra e que acerta
Que sonha acordado e sonhando
Sou carne e alma ao mesmo tempo
Tenho nome e sou inominável
Sou homem e sou inomemnável
Sou aquele que chora
E aquele que ri
Sou aquilo que sou
E o que não sou
Diz também de mim

Ah, você me machuca,
com essa mania cruel de me ignorar.
Prefiro falar com o Dobby, meu gato,
Pois ele me entende bem melhor
Que você.


Ele não me faz chorar,
não me faz sofrer,
às vezes, brincando,
me faz até renascer.


Você duvida de mim a cada instante,
como espera que eu queira você?
Se acerto, não há louvor,
mas se erro, é castigo sem porquê.


Sempre pergunta aos outros
o que pensam de mim,
mas nunca declara confiança,
nem para fingir, nem por um fim.


Busca dinheiro, busca aplauso,
mas não me busca, não me vê.
Esquece o respeito, o amor,
e deixa meu peito arder.


Ignora minhas dores antigas,
não sabe o que enfrentei.
Repete comigo o mal
que em seu passado também deixaram, eu sei.


Ninguém confiou em você
Eu sei, e sinto muito por isso
Eu não gostaria que tivesse sido assim
Queria mesmo que tivesse sido amado
E compreendido
Mais uma vez eu respondo a você
Com a tristeza de perceber que você não me escuta
Insisto em dizer em vão
Sabendo que amanhã tornará a repetir
e perseguir suas dores
E buscará caça-las


Queria que tivesse sido amado,
acolhido de forma inteira.
Pois minha paixão é febril,
mas teu coração é frio, sem paz.
E no silêncio, percebo:
a história se repete sempre mais.


Ainda assim, digo em vão,
mesmo sem você me escutar:
“Não há ninguém mais bela que você,
Seu espelho, espelho seu diz
nem a branca neve pode igualar."

Com a esperança,
que minha Pandora resguarda,
última herdeira da alegria,
posso encontrar a luz necessária.


Coleciono força, paz e ternura
dos sorrisos alheios que leio,
para guardá-los comigo
ou até ofertá-los,
como um dia fizeram a mim.


Coobrigado a compartilhar
com meus irmãos,
alimento a esperança
do meu coração
com o ser benfazejo.


É mister guardar a paz
para que minh’alma
não se perca ao som sombrio
do réquiem.


Faço e perfaço
a exegese da minha vida,
sutilmente iluminada
no único epitáfio possível:
que só se desiste
de desistir.


O barro indispensável de que me refaço
tem na honra o seu codinome,
e ele me guarda
diuturnamente contra a ganância.
Pois aquele que se vende
recebe sempre menos do que vale.


Eis o segredo:
ele me firma como rocha,
que vence o inaudito
e permite à vida, despreocupada,
ler nas suas linhas
a sua própria quiromancia.

Só deixo de ser um ator em minha vida se atuo em uma peça que é minha.

Bendito é o pássaro, esse errante, que, não tendo casa, não conhece o destino de estar perdido.

Mas eu, pobre de mim, vagueio vacilante, entre o ser que sou e o ser que sonho, tímido e escondido.

Como pode um coração ousar ser verdadeiro e não temer a sombra de ficar sozinho? Ou será que a dor da solidão, esse lobo sorrateiro, doa menos que o disfarce de um falso carinho?

Eu que pensei ter asas, bati-as ao vento para garantir pouso, pão, algum alento. E eis que desperto bicho sem nome, que às vezes sequer sente fome quando tenta, com estômago vazio, digerir o peso inteiro dos sentimentos.

Dizei-me: também as aves levam cicatrizes dos ninhos quentes, dos pousos infelizes, dos amores que encontram pelo céu afora? Pois eu, sem jamais ter aprendido a voar, trago marcas que nenhum tempo leva embora.

E perdoai-me a tristeza da notícia: quem não sabe o último dia em que o pai lhe tomou nos braços, também não sabe medir a saudade antiga por nunca ter a quem oferecer seus laços.

Ah, mas não é esta a sina humana? Dar o que lhe falta, sofrer o que é seu, sonhar o que nunca alcança, buscar no outro o espelho dos sonhos que inventou no seu?

Por isso, digo em voz baixa, como quem teme a própria vida — preferiria ser pássaro, simples e passageiro: não ter morada fixa, não disputar o coração alheio, não desejar casa em peito que só bombeia sangue e dos quais a propriedade não leva nome.

Eu sempre sorrio
quando sinto que vou chorar
Pergunto sempre o motivo,
mas perdido em encontrar


Acho que tem pergunta
que nem nasce,
para não ter
de se explicar


Um dia a dor se assentou
sem poesia e nem pudor falou:
gente não é tão bonita
quando tira o dom do amor


Esses telefones malditos
roubaram o olhar da mesa
todo mundo cheio de fala
e vazio de presença


Então já não vivo pra caber
no que esperam de mim
podem dizer que eu enlouqueci
mas foi lá fora que eu vi o fim


Chame do nome que quiser
dê o sentido que achar
cada um chama de verdade
aquilo que pode aguentar


E outra coisa ei de falar...
Se nem mesmo a sombra que me segue
anda igual à de ontem,
por que insistem em me ver igual?


Já cheguei ao meu trigésimo janeiro
sem troféu, nem carnaval
não sei se isso é conquista
ou só se é um ritual


Eu sei que nós já fomos melhores
ou só menos distraídos
tem tristeza que incendeia
e ainda mantém a gente vivo


E rico mesmo é quem tem tempo
o resto é ilusão
o mundo vende pressa
e cobra o coração


E como dizia nosso Kierkegaard
para todos que quisessem escutar,
Não é preciso dar a volta ao mundo
pra se encontrar no fim:
quem anda tempo suficiente
descobre casa dentro de si.