Louis Lavelle

Encontrados 22 pensamentos de Louis Lavelle

O maior bem que podemos fazer aos outros não é oferecer nossa riqueza, mas levá-los a descobrir a deles.

Há na vida momentos privilegiados em que parece que o Universo se ilumina, que a nossa vida nos revela sua significação, que queremos o destino mesmo que nos coube
como se nós mesmos o tivéssemos escolhido; depois o Universo volta a fechar-se, tornamo-nos novamente solitários e miseráveis, já não caminhamos senão tateando num caminho obscuro onde tudo se torna obstáculo aos nossos passos. A sabedoria consiste em salvaguardar a lembrança desses momentos fugidios, em saber fazê-los reviver e fazer deles a trama da nossa existência cotidiana e, por assim dizer, a morada habitual do nosso
espírito.

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Não pode haver real amizade entre os que, antes de tudo, não têm fé nos mesmos valores.

A busca da perfeição não é nada se não for inseparável da necessidade de difundir todo o bem que se possui.

"É sinal de força não levar em nenhuma conta a opinião nem a maneira como se possa ser julgado e permanecer só com Deus numa incessante comunicação. É importante nunca travar relação com os outros homens senão por meio de Deus e nunca com Deus por meio dos outros homens."

Ninguém busca em outrem, e talvez ninguém lhe perdoe, aquelas emoções muito familiares que o confirmam em seu próprio estado. A comunicação com outro ser só pode se produzir mais acima, graças a um movimento pelo qual cada um, não pensando mais em si, mas somente no próximo a fim de ajudá-lo a alcançar uma vida superior, recebe imediatamente dele essa mesma vida que quer lhe dar. Dirão que, como todos os cimos, o da consciência é tanto mais solitário quanto mais alto for. Mas só ele, que atrai todos os olhares, é capaz de reuni-los.

O problema das relações entre os homens consiste em saber passar dum estado de simpatia ou antipatia naturais que reina entre os caracteres, ao estado de mediação mútua que permite a cada um realizar, por intermédio do outro, do indiferente, do amigo ou inimigo, a própria vocação espiritual.

Pois o bem reside na própria atividade e não no objeto que ela procura atingir e que só é a sua imagem. Diremos portanto do Bem que, apesar de nunca podermos coincidir com ele, é aquilo mesmo de que procede a atividade que o procura e não cessa de animá-la. Ora, é nisto que consiste, com efeito, a experiência da participação se é verdade que ela não nos faz participar de um ser já feito, mas de um ser que se faz ele próprio eternamente e que traz em si as razões que o justificam.

Inserida por LEandRO_ALissON

A perfeição da alegria a impede de deixar-se prender por qualquer objeto. Este seria para ela não uma razão de ser, mas uma limitação. Ela nos une a um princípio capaz de engendrar todas as verdades particulares, à fonte de que derivam todas as nossas ações, todas as vitórias e todas as conquistas da potência.

Inserida por LEandRO_ALissON

"O maior bem que podemos fazer aos outros é levá-los a descobrir sua própria riqueza."

Não existe atenção que não seja animada por uma intenção, que é ela própria mediadora entre atenção e o amor. E dispomos de nossa atenção como dispomos de nossa vontade; mas a verdade nos responde como bem entende, e não como desejamos: é que olhar depende de nós; ver, não. Sucede que apenas olhar é escolher, é amar: e como a luz não se ofereceria àquele que a procura e que, ao procurá-la, a ama e, ao amá-la, já possui? Existe um ponto onde o olhar atento e o raio que o ilumina se fundem e não constituem senão algo uno.

Nosso eu não é um ser formado, mas um ser que se forma a todo instante. Não é uma realidade já feita sobre a qual nossa sinceridade deveria se pautar, que seria seu modelo e que nossas palavras e obras poderiam exprimir com maior ou menor exatidão ou fidelidade. Assim, pôde-se dizer que não há uma verdade sobre o eu, do mesmo modo que há uma verdade sobre um objeto.

O célebre preceito que recomenda conhecer-se a si mesmo só é de aplicação tão difícil porque, para conhecer-se, é preciso primeiro fazer-se. E as duas operações coincidem. Por isso, nossos atos aparecem sempre, aos nossos olhos, diferentes do que acreditávamos ser. O que pensamos de nós mesmos é também um véu que nos esconde de nós mesmos.

Se a profissão nem sempre está de acordo com a vocação, não raro isso é efeito de uma escolha ruim, mais que de um destino ruim. É por vezes um teste que o destino nos impõe, a fim de nos obrigar a descobrir e exercer algumas de nossas potências ocultas. [...] Não se deve, porém, criar uma oposição entre nosso trabalho e nossa tarefa de homem: é preciso fundi-los.

A mais perfeita atividade na profissão não é a que se conforma mais fielmente às regras do ofício, mas a que as dita porque as ultrapassa. E, se nunca se deve transformar em trabalho a parte divina de nossa atividade, não existe profissão que não a deixe transparecer.

"A vocação aparece no momento que o indivíduo reconhece que não pode ser para si mesmo seu próprio fim, que ele pode ser apenas o mensageiro, o instrumento e o agente de uma obra para a qual coopera e na qual o destino do universo inteiro está interessado"

"Há pessoas que esperam a vida inteira um futuro em que poderão, enfim, começar a viver: ora, esse futuro não ocorrerá jamais. Seu pensamento sempre se adianta ao que não existe, mas é impotente diante do que existe. [...] Para elas, no entanto, a morte sempre sobrevém no período de espera; elas só têm atrás de si, então, uma existência vazia. É que, como esperavam para viver, só esperavam para morrer. Entre o sofrimento que um momento do tempo nos proporciona e a felicidade que outro momento nos promete, existe uma diferença de grau que não raro é ilusória. Mas entre o presente do ser e o nada da espera há o infinito".

A intimidade é de fato, como geralmente se crê, o último reduto da solidão. Mas basta que ela se descubra a nós para que a solidão cesse. Ela nos revela um mundo que está em nós, mas no qual todos os seres podem ser recebidos. [...] então se produz a mais aguda emoção que podemos sentir. Ela nos revela que nosso mundo mais secreto, e que julgávamos tão frágil, é um mundo comum a todos, o único que não é uma aparência, um absoluto presente em nós, aberto diante de nós, e no qual somos chamados a viver.

"A nossa existência própria, que é ao mesmo tempo distinta da totalidade do real e em comunicação incessante com ela, não pode realizar-se senão na luz: as trevas abolem-na, o conhecimento liberta-a e multiplica-a. Aqui está a verdade eterna do intelectualismo. Mas a luz não é dada senão àquele que a deseja e a busca. Não é conservada senão por aquele que a incorpora na sua potência de amar e de querer. E o intelectualismo é estéril se não é permeado de espiritualidade."

“É só no silêncio que o amor toma consciência de sua essência miraculosa, de sua liberdade e de sua potência de intimidade. As palavras ditas destroem sua penugem e sua graça sempre nascente. Quem duvidaria que, no Paraíso, os espíritos desfrutam de si mesmos comunicando-se com Deus e com os outros espíritos no fervor de um perfeito silêncio?”

⁠A forma mais miserável do amor consiste naquele amor de outro
corpo que não passa de um prolongamento do amor de nosso
próprio corpo e que desconfia do espírito ou o odeia; porque o
espírito, que une todos os seres, viria perturbar sua posse solitária.
Assim, ele nos separa dos outros homens, agudiza, no segredo
que estabelece entre nós e o objeto amado, as picadas do amor-
próprio, multiplica seus prazeres e suas penas. Trata-se apenas
de um amor aparente: do amor-próprio, que assumiu outro rosto.

⁠Quando a memória houver purificado todos os acontecimentos
de nossa vida, houver apagado as impressões confusas que
experimentávamos quando eles ocorriam, de tal modo que deles
subsista apenas sua significação profunda e secreta, todo o nosso
passado nos aparecerá como num quadro e nossa atividade ter-
se-á tornado contemplativa.