Lindalva machado
Peixe fora d’água
Sou peixe fora d’água, sem mar, sem ar,
tentando respirar num mundo que não é meu.
A brisa que procuro não vem me tocar,
e o céu que imagino… já escureceu.
Lutei sozinha, por dois, por nada,
amei demais onde não havia chão.
Carrego um cansaço na alma calada,
com o peito pesado, ferido em vão.
Queria alguém que me visse, inteira,
que fosse abrigo e não tempestade.
Mas tenho apenas presença passageira,
que chama de amor o que é só metade.
E sigo sem saber se é amor ou prisão,
se é laço ou rotina, se é real ou ilusão.
Mas sei que meu limite grita em silêncio,
e o que era flor, virou contradição.
Autora:Lindalva Machado
No mundo de tantos corações
No mundo com bilhões de corações,
me apaixonei por um que não vê o meu.
Que não ouve o grito atrás do sorriso,
nem percebe o choro que escondo nos olhos seus.
Eu queria ouvir “eu te amo como nunca amei”,
“eu te desejo como nunca desejei alguém”.
Queria ser sonho que virou verdade,
não essa ausência que grita e ninguém vem.
Seu beijo é estranho, sem alma, sem calor,
seu carinho arranha ao invés de acalmar.
E seu abraço… ah, tão solto, sem cor,
não encaixa no meu, não consegue abraçar.
Por trás do sorriso há um grito mudo,
pedindo socorro, pedindo lugar.
E o seu silêncio, afiado e profundo,
me corta aos poucos, sem mesmo tocar.
Só queria ser vista, sentida, amada,
nos detalhes pequenos, na alma cansada.
Ser o abrigo de alguém que entende
que o amor, quando é real, não fere… ele rende.
Autora: Lindalva Machado
