Leila Boás
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O cansaço de fim de tarde mal discernia as peças no atelier.
Vejo a penumbra do quarto ate fechar a cortina do tempo.
O vapor quente evola das narinas do vento nordestino.
Tenho orelhas atentas e crescentes com os rumores do mundo.
Tenho a cabeceira alem de privilégios na mesa da caridade.
Nesta manha o sol
atravessa vitrais filtrando arco íris sobre o oratório.
Não sei onde começa o corpo e nem onde termina a alma.
Vejo barracos, pratos vazios e velas acessas.
O silencio tem fragrância de balsamo santo.
Tua maldade te leva a um labirinto inescapável sem um fio de regresso.
Fúrias secretas, loucura ardentes do feminicídio.
Como um punhal no coração incauto e o feminicídio.
o sol caiu e tudo se fez cinza.
Feminicídio é uma fera que espera o ataque.
A chuva caiu eu não apreço o passo ...aprecio.
As horas passam como uma placidez mecânica.
Acordo e durmo para não ver o dano... como um barco a deriva como um único tripulante.
Seu olhar relampeja minha vida, desnuda meus passos...eu suspiro e cerro os olhos.
Horas pisadas ficaram para traz.
Não partirei mas eu fico.
Em um processo lento trabalho com a paciência espelhada.
A sombra do quarto se fechou com uma planta carnivora.
Há um amargo sabor na queda que não se quer experimentar jamais.
Os cabelos escoriam suor, provenientes da forja de trabalho duro.
“A vida é muito curta para engolir o tempo.