Kleber Abdul al-Nasr

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Teus olhos sabem coisas
que o mundo ainda não aprendeu a dizer.
Quando me olhas, tua alma se adianta
e me toca antes de qualquer palavra.

Senhor, hoje estou triste, porque o coração pesa e as palavras parecem faltar.
Há silêncios dentro de mim que só Tu conheces.
Trago diante de Ti minhas dores, minhas dúvidas e aquilo que não consigo explicar.
Acolhe-me como estou, sem máscaras, sem força fingida.
Enxuga o que chora em segredo e acalma o que se inquieta por dentro.
Se não posso mudar as circunstâncias, muda-me por dentro.Em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Às vezes, não percebemos o quanto é cruel fazer conjecturas sobre o silêncio.
Ele não se defende, não se explica, não corrige os nossos medos.
E, nesse vazio, inventamos sentidos, colocamos palavras que nunca foram ditas, intenções que talvez nunca existiram.
Talvez o silêncio não seja silêncio, mas apenas algo que ainda não aprendemos a escutar.

Haverá um tempo em que o ruído do mundo se calará, os excessos perderão o sentido e tudo o que parecia essencial se tornará pequeno. Então compreenderemos que o que realmente importa sempre foi o amor, a fé e os laços que construímos ao longo do caminho.

Querido eu,


Hoje a mente corre, mas eu te peço calma.


Nem tudo precisa ser resolvido agora, nem todo peso precisa ser carregado nesta hora.
Respira.


O que é teu vai permanecer, o que não é teu vai se dissipar.


Você já superou dias difíceis antes, e continua aqui. Isso já diz muito.
Agora, apenas descansa.


A noite também sabe cuidar do que a gente não consegue.

A vida tem o estranho hábito de transformar momentos comuns em memórias insubstituíveis sem qualquer aviso prévio.
Talvez a verdadeira sabedoria esteja em tratar cada encontro como um presente e cada despedida como algo que merece ternura. Afinal, o tempo passa para todos, mas a atenção genuína é um dos poucos gestos que permanecem.

Vestes da Alma

Vista-se de sonhos
como quem veste a manhã de luz.
Leve nos olhos a esperança,
no coração, a coragem,
e nos passos, a serenidade.

Porque há caminhos
que só se revelam
àqueles que seguem adiante,
mesmo quando o horizonte
ainda parece distante.

A primavera nos ensina que nada é definitivo, mas tudo tem seu tempo. Ela chega com cores, perfumes e vida renovada, provando que a natureza sabe recomeçar: o que parecia morto sob o inverno desperta outra vez, forte e bonito.

E quando pensamos também na morte, não é para ver o fim como apenas uma ruptura triste, mas como a outra parte da mesma lei da existência. Assim como as flores desabrocham e depois murcham, caem e se transformam em adubo para nova vida, a nossa passagem faz parte desse ciclo eterno.

Não há primavera sem ter havido semente entregue à terra. Não há renascimento sem que algo antes se complete. A beleza da estação nova não nega a morte, ela nos mostra que a finitude não é fracasso: é o preço da própria beleza, da intensidade de viver e de amar.

Viver com consciência disso é ganhar sabedoria: aproveitamos melhor cada dia, cada encontro, cada momento de luz, sabendo que tudo é passageiro e, por isso mesmo, se torna mais precioso. A primavera nos lembra: enquanto houver vida, há renovação; e quando chegar a hora da partida, seremos também parte do caminho que segue adiante.

A mais solitária das searas da vida humana é perceber que a existência é uma pergunta sem fim. As respostas não são ditas; são semeadas em cada escolha, regadas pelo tempo e colhidas apenas pela eternidade.

Um dia sem amor é um dia perdido. Somos espíritos imortais, mas a experiência da vida na Terra tem prazo de validade, e ninguém sabe quando esse tempo chegará ao fim. Por isso, ame sem economizar, perdoe sem orgulho, abrace com sinceridade e viva de modo que, quando o último capítulo chegar, reste a paz de quem fez do amor a sua maior obra.

Se um dia o amor encontrar o caminho até você,
que não seja por medo, nem por solidão,
mas pela coragem de reconhecer um coração sincero.


Porque há sentimentos que não exigem promessas,
apenas um instante de verdade.


E, quando esse instante chegar,
que o amor não encontre portas fechadas,
mas dois corações prontos para florescer.

O mundo se mostra solícito até o momento em que suas certezas são contrariadas. Enquanto tudo confirma aquilo em que as pessoas acreditam, há acolhimento. Mas basta a verdade desafiar convicções para que muitos recuem.

As certezas absolutas costumam fechar portas; a humildade de reconhecer que ainda há o que aprender é o que mantém a mente aberta e o coração humano.