KANGAL
A velhice nos condena a estarmos conosco o tempo todo, e, meu amigo, se você não gostar de conversar consigo mesmo, vai acabar ficando maluco. Kkkkk
Dentro de mim moram dois sussurros:
um busca a luz, outro abraça a sombra.
Entre a razão e a loucura,
caminho sendo o próprio conflito que me habita.
Dizem que a sorte favorece os corajosos… mas ninguém conta que a coragem sem preparação só favorece os acidentes.
Calíope, existe algo em você que vai além da beleza que os olhos conseguem enxergar. É como se a sua presença trouxesse calma para pensamentos que sempre estiveram perdidos e desse palavras para sentimentos que eu nunca soube explicar. Você tem esse jeito raro de transformar momentos simples em algo que permanece, como uma lembrança boa que a gente não sabe de onde veio, mas sente que sempre esteve ali. Talvez algumas pessoas não entrem em nossa vida apenas para passar, mas para deixar uma marca silenciosa que o tempo, por mais cruel que seja, não consegue apagar.
Talvez Caliope, seja você !
Alguém que eu ainda não encontrei ... Ou um devaneio dos meus pensamentos.
O Homem que Carregava o Frio
Eu carregava sacos de gelo durante o dia,
mas era a minha própria alma que congelava aos poucos.
Minhas mãos tocavam o frio da pedra,
enquanto meu corpo aprendia uma nova forma de dor.
Ao chegar em casa, a noite não trazia descanso;
trazia o julgamento do próprio corpo.
Cada músculo queimava como brasa escondida,
cada respiração era uma lembrança
de que eu ainda precisava continuar.
Deitado no escuro, entre o silêncio e a agonia,
eu não pedia riqueza, nem uma vida perfeita.
Minha única oração era simples:
“Que eu acorde amanhã.”
Porque havia um peso maior que a dor dos braços,
maior que o cansaço dos ossos:
era saber que o mesmo sofrimento me esperava no dia seguinte.
E mesmo assim eu levantava.
Vestia minha coragem como quem veste uma roupa velha,
pegava o caminho de sempre
e enfrentava mais um dia.
Ninguém via as lágrimas que eu engolia,
ninguém ouvia as batalhas travadas dentro de mim.
Mas ali estava eu —
um homem ferido pelo tempo,
mas ainda de pé.
Não porque era fácil suportar,
mas porque havia algo em mim
que a dor nunca conseguiu destruir.
A Estrada e a Sabedoria
Corri pela BR-319, onde cada quilômetro revelava uma nova lição. Pelo caminho encontrei rios, fazendas, casas perdidas na imensidão, uma igreja silenciosa e até um acampamento onde crianças aprendiam a sobreviver. Encontrei também um igarapé escondido na mata, onde parei por alguns instantes, mergulhei em suas águas e encontrei forças para continuar.
Vi rostos gentis e encontrei pessoas de intenções duvidosas; conheci a beleza e os perigos que vivem lado a lado na estrada. No fim, percebi que aquela jornada não era apenas sobre ir longe, mas sobre aprender a voltar. A estrada me ensinou que a verdadeira sobrevivência não está apenas no corpo que resiste, mas na sabedoria que nasce de cada encontro, cada queda e cada escolha.
Deus não é apenas a luz que vence as trevas; talvez seja também o silêncio que existe antes dela, além do tempo, além do espaço. Ele permanece além das eras, onde impérios são apenas poeira e os nomes dos homens se perdem como ecos em catedrais abandonadas. Há quem o procure no esplendor dos céus, mas talvez ele se revele com mais profundidade nas feridas ocultas da alma, no instante em que o homem encara sua própria ruína e ainda encontra força para amar. Deus é o enigma que observa o nascimento das estrelas e o último suspiro das galáxias; a mão invisível que escreve destinos em páginas que jamais conseguiremos ler por completo. Entre o sagrado e o abismo, entre a esperança e o desespero, Ele permanece como a pergunta que atravessa a eternidade — e talvez a única resposta que a alma humana sempre procurou, mesmo antes de aprender a pronunciar Seu nome - "Adonai".
Será que realmente somos livres, como girassóis de Van Gogh ?
Pincelada amarela, arde a urgência de quem tentou aprisionar o sol. Os girassóis de Van Gogh não murcham porque não são feitos de terra e água, mas de emoções e tinta, febre e melancolia, girando eternamente na tela em busca de um amanhecer que nunca se apaga.
Talvez, por isso, digam gira gira gira gira gira sol de Van Gogh.
O herói carrega as maiores lapadas porque o fardo de reescrever o destino quebra qualquer um. A dor é o pedágio inescapável de quem ousa alterar a sua realidade
Reflexão, reflexão, reflexão, reflexão reflexão, reflexão, reflexão,reflexão e reflexão. gosto de boiadas, nunca falta carne pra comer.
Às vezes precisamos ser esperança para eles que estão começando a trilhar um caminho diferente da sua própria sina.
A morte perguntou: _Quantas almas irei ceifar para poder trocar de Cargo ?
Cronos disse: _Um ano apenas depois aumentamos seu salário!
Maria Delice
Há mulheres que aprendem a costurar tecidos. Tu aprendeste a costurar o invisível.
Enquanto a agulha atravessava o pano, teu caráter atravessava gerações. Cada ponto que teus dedos desenharam continha uma virtude: a paciência que não se vende, a bondade que não faz alarde, a caridade que nunca pediu testemunhas e a força que escolheu permanecer doce.
Chamam-te costureira. Eu chamaria de artesã do destino. Porque uma roupa cobre o corpo por algum tempo; o amor com que a fizeste permanece quando o tecido já não existe.
Teu nome não está gravado em monumentos, mas repousa em algo mais difícil de conquistar: a memória agradecida de quem encontrou descanso na tua presença. Essa é a única eternidade que o tempo jamais consegue desfiar.
Maria Delice, teu maior trabalho nunca foi feito com linhas, mas com gestos. Tu remendaste esperanças rasgadas, alinhavaste famílias dispersas e bordaste dignidade onde a vida insistia em deixar cicatrizes.
Se o mundo fosse um grande tecido, poucos perceberiam que são mulheres como tu que impedem a própria realidade de se romper.
Quando minhas palavras se apagarem e o tempo consumir o que construí, ainda haverá um fio atravessando nossa história. Esse fio terá teu nome.
E nenhuma tesoura, nem mesmo a do tempo, será capaz de cortá-lo.
Do seu neto, James Richard!
Nem toda autoridade possui estatura para guardar uma raridade. Há mãos que sabem contar moedas, mas desconhecem o peso de uma consciência íntegra. Quando a pequenez veste a máscara do comando, o mérito passa a ser tratado como afronta, e o extraordinário torna-se um espelho insuportável. Assim, os grandes talentos não são derrotados pelo trabalho árduo, mas pela estreiteza daqueles que confundem poder com domínio. No fim, não é a excelência que fracassa; é a liderança que revela sua insuficiência ao deixar escapar aquilo que jamais soube contemplar.
A justiça jamais caminhou ao meu lado; observou-me de longe,
como um velho escriba que registra cada afronta
sem desperdiçar tinta antes da hora exata.
Chamaram-me de pequeno
porque confundiram silêncio com escassez,
e serenidade com rendição.
Mediram meu destino
pela estreiteza dos próprios horizontes.
O tempo, porém, não discute.
Lapida.
Quando seus ponteiros encerraram o julgamento,
não encontrei ruínas diante de mim,
mas espelhos.
E neles, cada sentença precipitada
retornava ao seu verdadeiro autor.
Não saboreio derrotas.
Saboreio a precisão.
Há um deleite quase sagrado
em assistir a arrogância descobrir,
tarde demais,
que a altura de um homem
jamais se mede pelo lugar
onde os outros insistiram em colocá-lo.
A justiça não me coroou.
Apenas removeu as sombras
que escondiam aquilo que eu sempre fui.
E esse veredito,
gravado pelo próprio tempo,
não admite recurso,
nem revisão.
A falta de conhecimento faz às pessoas buscarem recursos alternativos, não julgo. Nem todo mundo tem o direito ao saber!
