Junior Lacerda
Filho, quando procurar um amor, procure aquele que fecha a porta das opções, apaga às luzes do passado e abra as janelas das novas oportunidades.
Toda promessa nasce atrelada a uma ocasião, a um tempo específico, e carente da solução proposta por ela, sempre com um objetivo coletivo e com uma porção individual generosa pelo seu cumprimento.
A sabedoria se aproxima dos diligentes,
como vento que acaricia as árvores despertas.
Ninguém a prende, ninguém a detém;
vem e vai segundo o seu querer,
abençoando os corações atentos,
e deixando os distraídos na sombra da ignorância.
A sabedoria não está no saber, nem no mero conhecer; é como um vento.
Ninguém sabe de onde vem, para onde vai, ou desde quando sopra.
O sábio não perde tempo tentando entender essas coisas.
Ele apenas alinha suas velas na direção correta,
sabendo que jamais poderá dominá-la,
apenas aproveitar a brisa de sua visita, aliviando a moléstia debaixo do sol.
Ignore essa velha árvore desgastada; observe os frutos, pois é neles que se revela meu verdadeiro valor.
Assim como uma lâmina precisa ser forjada e temperada pelo fogo, Deus conduz aqueles que aceitam o chamado e se disponibilizam para a Sua obra (1Pe 1:7; Is 48:10). Semelhantemente, assim como há a necessidade de afiar a lâmina para o uso, Deus permite que os homens passem por atritos entre si, com a finalidade de prepará-los e lapidá-los para o serviço (Pv 27:17).
Porque a seara é grande, mas poucos são os ceifeiros (Mt 9:37).
Crescer é não caber mais.
Aconteceu no ventre.
Depois, no berço.
No quarto.
No emprego.
No bairro.
Nas amizades.
Nos assuntos.
Na forma de ver as coisas.
Na fala.
E, por fim, no pensamento.
O significado de provedor se enfraqueceu com o passar das gerações. Hoje é entendido isoladamente como a responsabilidade de dar o sustento, quando, na verdade, o projeto de Deus para o homem ser provedor é atribuído primeiramente à segurança e à integridade física da sua família, juntamente com o sustento. Mas não se limita a isso.
É responsabilidade do homem prover o conforto, a alegria e a diversão.
Para com seu cônjuge, ele tem a responsabilidade de prover o prazer, o equilíbrio emocional e, principalmente, a perspectiva de futuro.
Para com seus filhos, tem a responsabilidade de prover a educação, educação essa que não se limita apenas ao conhecimento, mas à inteligência comportamental, na apresentação prática de como as coisas funcionam na vida, no suporte, no conselho e na amizade.
Tudo isso faz parte do projeto de Deus. Todo esse trabalho e essa responsabilidade foi Deus quem confiou ao homem.
Hoje, eu acredito que foi isso que Ele quis dizer quando nos ensinou que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que provém da boca do Senhor (Mt 4:4). Ou seja, o homem não necessita somente do sustento, mas dos ensinos que vêm de Deus, não apenas através das Suas palavras, mas pelo exemplo de comportamento e responsabilidade que Ele tem para com toda a Sua criação.
Não escrevo essas coisas como quem está pronto ou já aprendeu. Na verdade, compartilho um rascunho de quem está começando a considerá-las com mais seriedade.
Filho, seja homem (1Rs 2:2).
Filho, algumas pessoas avistam uma árvore com interesse.
Aproximam-se buscando sombra para o cansaço, alimentam-se do fruto, recuperam as forças…
e, assim que se sentem bem, atiram o caroço contra ela.
Observe a vida dessas pessoas.
Elas não avançam, apenas transitam.
Vivem de árvore em árvore, de ajuda em ajuda, de relacionamento em relacionamento.
São incapazes de reconhecer a própria inutilidade, porque fogem do confronto.
Preferem culpar pessoas, culpar contextos, culpar circunstâncias.
Agora, observe a árvore.
Ela permanece firme, mesmo ferida.
Continua frutífera, mesmo rejeitada.
E segue grata, porque sabe quem é
independente de quem se alimenta dela.
Filho,
Na língua hebraica, vaidade é hevel: vapor que se vê, mas não se sustenta, tudo o que parece ter forma, mas não tem peso para permanecer; esforço que não deixa legado, sucesso que não preenche, glória que evapora e correria sem propósito.
Vaidade, coisas vãs da idade, prioridade, as coisas mais importantes da idade. Com isso, entenda: o vapor da vaidade se molda àquilo que você considera mais importante em cada fase da vida. Há um tempo em que o jovem acredita que encontrar o amor resolverá todos os seus problemas. Há um tempo em que o homem adulto pensa que, ao alcançar o sucesso, estará plenamente completo.
Foi isso que Jesus nos ensinou quando falou sobre não amontoar tesouros na terra que enferrujam, que a traça consome, onde os ladrões roubam; ou seja, onde tudo é passageiro, consumível, com tempo de início e tempo de fim (Mateus 6:19–21). E Eclesiastes também nos lembra que há um tempo determinado para todas as coisas (Eclesiastes 3:1).
Por fim, meu filho, precisamos entender que aquilo que hoje parece ser o nosso foco não passa, muitas vezes, de um deslumbre, filtrado pela própria vaidade, dando importância demasiada ao que não compreendemos que tem pouco valor. Quer entender o que realmente importa? Observe a vida de um idoso e veja o que lhe restou. Observe um enterro e veja tudo o que ficou para trás.
A vaidade é tudo aquilo que a sua alma não levará consigo quando seguir o caminho que todo homem segue.
A vaidade é tudo o que nunca nos pertenceu, pois tornará ao pó, seu verdadeiro proprietário.
