Eu mermo
Penso tanto em ser livre que cada pequena e mínima escolha mesmo que feita exclusivamente por mim nunca me permite sentir e desfrutar de ser algo ou alguém. E sempre imposto, é sempre doloroso e sempre me faz pensar em simplesmente não fazer, não agir, não seguir. Afinal, por que há de fazer algo que no fim sequer é para mim? Porque sempre terei de ouvir que sabem mais de mim do que eu mesma sei? Talvez saibam mais que eu mesma... Ultimamente sequer me reconheço então como posso ousar me identificar? Quiçá um dia eu pare de reclamar e simplesmente me aceite e aceite de que no fundo, quem eu de fato sou nunca irá verdadeiramente mudar. Ainda sou aquela menina que tem medo de dizer que queria brincar de bola mas sem largar os livrinhos de colorir, ainda sou a mesma que tem medo de discordar de algo dito sobre mim mesma, ainda tenho medo de sentir algo além de coisas ruins, ainda teme amar e ser amada, ainda não sabe a profissão mas anseia ser profissional de algo apenas para dizer que no fim Eu possa saber de algo sim, ainda me escondo nos cobertores depois de um dia ruim e ainda quero rir mesmo sem me permitir, ainda escrevo o que sinto e depois rabisco com medo do que senti, ainda desenho e amasso com medo do papel se revoltar contra mim, ainda corro, ainda que da morte, ainda tenho dificuldades, ainda choro em filmes, ainda quero falar e falar e falar novamente e me sentir mais do que escutada e sim entendida e sim amada e sim alguém que valha e sim alguém que finalmente sinta as coisas boas... E sim aquela menina que está escondida por ai, lendo uma falsa historia de uma falsa garota que desabafou sobre os próprios sentimentos e não ruiu nem caiu nem chorou nem se culpou por sentir apenas seguiu por ai, menos falsa do que antes e sonhadoramente real em algum lugar em mim...
