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Jose Luis Lima

Encontrados 4 pensamentos de Jose Luis Lima

"O Julgo Invisível”


Vivemos num tempo em que o valor de um homem se mede pela pressa com que ele produz.
Se ele para, chamam-no de preguiçoso; se cansa, de fraco; se pensa, de inútil.
Mas ninguém pergunta o que o silêncio dele carrega, nem o peso invisível que sustenta quando o mundo o chama de vagabundo.


Talvez o que eles chamam de inércia seja apenas o intervalo entre o que ele foi e o que ainda vai se tornar.
Nem todo repouso é desistência — às vezes é apenas o respiro antes do próximo passo.
E quem julga de fora nunca vai entender a batalha que se trava por dentro,
onde cada dia sem trabalho é também uma luta para não perder a fé em si mesmo.

"O Silêncio de Não Ser Pai"


Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.


Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.


O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?


Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.


Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.


Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.

O mundo não testemunha suas guerras internas nem responde às suas dores. Por isso, faça de si o próprio motivo: lute, atravesse o caos e vença sem precisar ser visto.

Tenho observado mais do que falado.
Palavras são baratas; atitudes, essas sim, revelam o caráter escondido entre frases bonitas.
Percebo que muitos afirmam verdades que não vivem e defendem valores que abandonam na primeira conveniência.
Diante disso, o silêncio tem se tornado uma escolha, não uma ausência.
Quem observa aprende mais do que quem apenas reage.
No barulho das opiniões, a coerência é rara.
Por isso tenho preferido escutar, analisar e guardar conclusões comigo.
Nem todo pensamento precisa virar debate; alguns precisam apenas virar consciência.
Às vezes, o silêncio é a forma mais honesta de lucidez.