JoniBaltar

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Habitares em ti próprio é tua melhor casa: a única casa que não pode ser hipotecada.

Há lugares na natureza que parecem imóveis, mas movem-nos mais do que qualquer viagem.

Estar embrenhado na natureza não é refúgio: é origem. O refúgio somos nós, quando regressamos a ela.

Há caminhos que são destinados
somente para quem caminha com
a alma descalça

A Vida ao Fundo dos Teus Olhos


Amar-te é reconhecer
que o infinito
não vive nas estrelas, mas no intervalo entre o teu silêncio e o meu.


Quando anoitece, descubro
que o corpo também pensa,
que a pele também tem sede.


Há em nós um pensamento antigo,
como se o universo nos tivesse imaginado antes de nos encontrarmos.


E se o mundo ruísse agora,
se tudo se desfizesse em pó,
ficaria ainda este fogo
o teu, o meu, o nosso
a incendiar o que resta da noite.


No teu beijo encontro a origem,
no teu corpo a razão,
no teu olhar a prova
de que o universo não é caos
é escolha.


E eu escolho-te,
mesmo sabendo
que o amor
é sempre um risco
que vale a vida.

O mar e o céu são dois silêncios diferentes: um que nos chama, outro que nos observa.

Habitares em ti
é aceitar que há
quartos escuros que
só tu conheces.

A insónia é o lugar
onde o meu silêncio
continua impreterivelmente
a saber à tua pele.

Há epidermes que só
são permitidas tocarem-se
no mundo onírico.

O sonho é o laboratório onde o inconsciente consegue testar versões possíveis do destino.

Onde a tua toalha de praia repousa,
é onde o meu verão começa.

A tua ausência é o
único deserto que
não consigo atravessar.

A cidade oferece ruas;
nós oferecemos passos
e desse pacto nasce
o poema que o
chão murmura.

Alentejo, somente tu
consegues devolver
a noite ao céu.

Certas músicas
são mãos invisíveis
a desfazer nós internos.

Amar é reconhecer
que o outro
é um abismo,
e mesmo assim
avançamos.

Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.




Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.




Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.

Um animal lembra-nos que a existência não precisa de explicação, apenas de atenção.

O amor é onde a pele aprende a pensar, um enigma que respira dentro do peito.
É o que nos desfaz para que possamos ver,
e o que nos refaz
quando já não sabemos quem somos.
No fim, o amor é isto:
um silêncio que nos reconhece
antes mesmo de chegarmos.

A praia é o lugar onde o coração aceita, por instantes, que não controla nada.

No poente o céu
sangra cores
que não sabe guardar.

Há quem carregue no coração a ternura das flores e isso, por vezes, pode ser maior do que o jardim inteiro.

Sentir a brutal ausência de alguém
ensinou-me que chuva não cai sobre nós: cai através de nós.

Exteriormente somos a interpretação
exigida pelo tempo; internamente somos a experiência íntima do tempo a atravessar-nos.

No Alentejo a planície estende-se e
dissolve-se em silêncio: como um sonho que se recusa a terminar.