JMRM.
É de madrugada
Saindo me lembro, você me chamava de madrugada.
Vc acordava. Então .
Me chama na Madrugada
Na, mudez de um quarto escuro.
Onde o sono se faz ausente.
O pensamento, vc buscava o futuro.
Mas o Zezinho ocupava a mente.
Era um nó manso no peito.
Uma lembrança a brilhar.
Que tirava o corpo do leito
E eu fazia, procurar.
"Acorda... Zezinho", eu dizia baixinho, "só penso em você!".
No silêncio da madrugada, que o mundo faz.
Buscando em ti o caminho.
De encontrar a minha paz.
Hoje a memória me invade.
Com o brilho desse seu olhar.
Pois mesmo na curta saudade.
Era bom ter com quem conversar.
No compasso apressado do peito.
Onde o querer não aceita o "depois".
O mundo inteiro parece estreito
Para o que queima entre nós dois.
Teu olhar me convoca, me invade,
Minha pele responde ao teu sinal.
É uma fome que não tem piedade.
Um desejo urgente, visceral.
Quero te possuir em cada detalhe.
Sentir tua entrega em minhas mãos.
Que nenhum silêncio nos atrapalhe.
Nesse naufrágio de dois corações.
Vem me habitar com tua verdade.
Me amar sem freios, com devoção.
Pois hoje a alma não quer metade.
Quer o corpo inteiro em erupção.
Autor JMRM
A minha história dr
A luz da manhã entrava pela fresta da cortina,da sua casa, mas para Heitor, o sol parecia um intruso.
Era muito cedo ainda.
No fim da tarde ele foi para a festa junina que tinha na escola onde ele estudava, colégio Rocha Marmo
Ele de repente, saiu da festa, ainda ia ter a quadrilha, festa junina.
Ele sai e vai a direção de sua casa, mecanicamente.
E de repente na calçada , próximo da sua casa, uma menina veio rodopiando, e trombou com ele, os dois ficaram caído no chão, ele com cabelo cheio com topete, com um olhar, olha para ela... Vou o tempo voou, e chagamos nessa história.
*Minha história doutor*
O delegado acendeu um cigarro, a fumaça subindo lenta como a névoa daquela tarde de 1980.
Diante dele, o homem de mãos trêmulas começou a desenhar o passado no ar.
— Tudo começou com um rodopio, doutor. Eu era jovem, a música do Elvis e Beatles ecoava em cada esquina, e eu vinha do meu colégio e ela veio girando pela calçada
Foi quando ela trombou em mim e eu nela. Maria. O olhar dela me paralisou, foi um relâmpago em céu aberto.
Mas o destino é um roteirista cruel.
O tempo passou e ela se casou com outro.
Um homem que a comprava com joias, caixas de bombons finos e promessas de seda.
Eu virei apenas uma lembrança de calçada.
Anos depois, o reencontro. O rosto dela estava marcado pelo tempo, os cabelos, antes longos e castanhos, agora curtos e grisalhos. Ela me olhou com medo e perguntou: "Você ainda me ama?
Não sou mais aquela menina."
Eu respondi com a alma: "Maria, eu te amaria sem braços, sem pernas. Eu te amo de qualquer jeito, em qualquer carcaça que a vida te der."
Nós nos demos uma chance.
Mas o drama, doutor, gosta de se esconder nos detalhes.
Uma amiga dela pediu um presente... um desses brinquedos, um "coelhinho" para prazer solitário.
Eu aceitei, achei que era apenas curiosidade feminina.
Mas a amiga começou a cercar, a enviar mensagens, a simular uma intimidade que me dava calafrios.
Eu avisei Maria. Ela ria, dizia que eu era louco: "Eu gosto de homem, meu amor. Não gosto de mulher.
Nunca tive um homem que me satisfizesse como você, seu corpo é o meu porto."
Eu acreditei.
Eu a amava com a força de um furacão.
Até que o silêncio da casa se tornou pesado. Eu descobri a verdade, doutor.
Ela cedeu.
Deitou-se com a amiga. Trocaram beijos de línguas, segredos que eram só meus.
Ali, meu orgulho de homem ruiu.
Se fosse um outro homem, eu entenderia... o coração é terra de ninguém.
Mas ser trocado por uma mulher? Ser traído por quem dizia que eu era o único?
O perdão morreu ali.
O amor, que era construção, virou demolição.
Essa é a minha história,dr delegado.
Eu a amei tanto que não sobrou nada de mim.
Por isso eu matei a Maria.
Matei o único amor da minha vida porque não suportei ver que o nosso "pra sempre" tinha sido entregue a mãos que eu nunca imaginei.
O homem baixou a cabeça, o silêncio na delegacia era agora o único som que restava de um filme que terminou em tragédia.
Segundo ato.
O silêncio na sala de visitas da prisão era cortante, interrompido apenas pelo som do ferrolho da porta.
O homem, agora apenas uma sombra do jovem que foi rodopiando ,nos anos 60, olhou para o nada e começou seu último monólogo, como se as paredes fossem o júri que ele nunca teve.
Sabe, doutor... o que dói não é a grade.
É o eco daquele rodopio na calçada que não para de tocar na minha cabeça.
Eu disse a ela que a amaria de qualquer jeito. E era verdade.
Eu amei as rugas que o tempo desenhou nela, amei o cansaço nos olhos dela.
Eu teria sido o cajado dela até o fim.
Mas o amor tem uma face sombria.
Ele te dá uma visão perfeita de tudo o que você está perdendo.
Quando vi o brilho daquele "presente" entre ela e a amiga, eu vi o meu lugar sendo apagado. Aquelas mensagens não eram brincadeira, eram o roteiro da minha substituição.
Ela me dizia que meu corpo era o único, que o prazer comigo era insuperável... e depois limpava o batom de outra boca antes de me beijar.
Se fosse um homem, eu lutaria.
Mas contra o que elas tinham, eu não tinha armas.
Era um mundo onde eu não podia entrar.
O golpe não foi na minha carne, foi na minha alma de homem, de provedor de afetos.
Eu não matei a Maria por ódio.
Matei porque o amor que eu sentia era um gigante que não cabia mais dentro de um peito traído. No momento em que apertei o gatilho, eu só queria que o tempo voltasse para 1961 Queria que aquele esbarrão na calçada nunca tivesse terminado.
Agora, Maria está livre de mim.
E eu?
Eu estou preso para sempre naquele instante em que ela me olhou e sorriu, antes de o mundo ficar sujo.
É um fim de filme ruim, eu sei.
Mas em tragédias, doutor, ninguém sai sorrindo quando as luzes se apagam.
Ato três o julgamento
O juiz ajustou os óculos, o peso da sentença pendurado no ar espesso do tribunal.
O som do martelo batendo na madeira ecoou como o tiro que encerrou a vida de Maria.
Réu confesso proclamou o juiz. Condenado pela lei, mas sentenciado pela própria memória.
As luzes do tribunal começaram a apagar, e a cena cortou para a cela fria.
O homem estava sentado no canto, os olhos fixos em um feixe de luz que entrava pela grade.
A Imagem Final:
A câmera foca no rosto dele, envelhecido e sem brilho.
Lentamente, o som ambiente da prisão desaparece, sendo substituído por uma música suave de rádio dos anos 60.
O preto e branco da cela começa a ganhar uma cor vibrante, granulada, como um filme antigo de 16mm.
Vemos a calçada de 1961 novamente.
A jovem, cheio de vida, vem rodopiando.
Ela esbarra em mim.
Ela ri, ajeita o vestido e o olha com aquela promessa de eternidade nos olhos.
Eles dão as mãos e caminham em direção ao sol poente, desaparecendo na luz.
A imagem volta para o presente: o homem na cela fecha os olhos, tentando segurar aquela visão.
Uma lágrima solitária escorre.
A tela escurece totalmente.
FIM
Autor desconhecido.
O Brilho que Vem de Dentro
A verdadeira felicidade não é algo que roubamos dos outros; é algo que cultivamos no nosso próprio jardim. Quando você torce pelo sucesso de alguém, o universo entende que você também está pronto para receber o seu.
Ser otimista é acreditar que o sol nasce para todos, e que não precisamos apagar a vela de ninguém para que a nossa ilumine o caminho. A paz de espírito mora na consciência limpa de quem sabe conquistar o seu espaço com integridade.
Não queira o riso que nasce da dor,
Nem construa castelos no chão de ninguém.
A vida devolve, com todo o vigor,
O fruto plantado na busca do bem.
A estrada é larga, há espaço e lugar,
Não tente o atalho de quem já venceu.
Felicidade é saber respeitar
O que o destino pro outro escolheu.
Não fure o olho, não quebre a corrente,
Nem de amiga, nem de um estranho qualquer.
Quem planta o respeito colhe, certamente,
A força de ser quem a alma quiser.
Seja o apoio, o abraço e o abrigo,
Pois o brilho alheio não tira o seu brio.
Quem anda direito caminha seguro,
Longe das sombras e do desvio.
Paz e amor!!!
Autor desconhecido
