Jeremias Edson cardoso

Encontrados 4 pensamentos de Jeremias Edson cardoso

O AMOR QUE SE REFAZ
Amor é coerente e concreto.
Hoje, me acompanha a plenitude
e a certeza nova:
esse sentimento presente
cura a alma
e acalma o peito,
carícia a carícia,
quando permanece e se fortalece.
Florescem promessas vivas
na boca de quem diz “eu te amo”:
bálsamo nítido, perceptível.
O amor é verdade disfarçada de ternura,
cheia de uma bondade clara
que fortalece a alma atenta
de quem acredita no possível.
É o sentido do afeto,
o toque que transforma amargo em âmago,
o calor que aconchega por dentro
na elevação serena do sentir.
Esse bendito existe
e restaura.
E quando chega,
firma-se no vento
como teia sólida de criação.
A quem confia no real,
brota o descanso da paz,
a esperança que revigora,
o horizonte que acolhe cada palavra doce
em nome de um amor-luz,
que pulsa existência.
É caminho gentil,
promessa que se cumpre ao nascer.
Eu acredito no amor
pois sempre sobra
quando o desejo se transforma
e revela a beleza da verdade.
O constante amor,
simples e edificante,
é o que mais fortalece a alma,
convertendo ruínas em sonho.
É a verdade que se sustenta entre nós
quando vivem a lealdade e a confiança.
Primeiro concreto,
depois eterno,
depois cura.

Acordei num silêncio
que desfiava luz pela contramão do ar.
Havia caminhos sussurrados
antes mesmo de existirem,
e duas janelas marchavam pelo teto
como sentinelas sem rosto.
Meu nome em pó num copo vazio
desaprendia a ser meu.
A casa, por fora, era um abraço inquieto,
mas eu avançava sem passos,
colecionando sombras
como restos de um dia recusado.
Um pássaro de barro
tentou cantar meu rosto:
respondi oferecendo peso ao vento.
Tudo soava em desacordo,
ruídos desalinhados,
cores exalando lembranças
que ninguém havia vivido.
Virei a dobra do pensamento:
toda presença era ausência mascarada.
A luz desfiada, medo de clareza;
o ar inventando rotas,
minha urgência de fugir.
As janelas marchando
eram terras que nunca adentrei,
e as sombras guardadas,
lugares onde ainda não sei onde é
O pássaro de barro rígido era afeto impossível
insistia no meu silêncio.
Ao fechar a porta do peito,
o abraço virou fronteira.
Desci. O passo caiu de mim.
O telefone permaneceu mudo,
enquanto o mundo chamava meu nome
sem voz, sem idioma.
Escrevi uma linha torta
hoje deixo que o que me falta
que me conduza
para dentro da escuridão
que insiste em não ter forma.

Inserida por Jherecardoso

Espero mais uma vez,

sem solução, sem esperança.
Meu coração doi e queima
na tristeza que avança.
Corpo enfraquece na despedida,

tão rápida, tão dolorida.
O pior é o desprezo agressivo,
a injúria, a falta de empatia.
Queria ao menos um abraço,

na despedida sem sentido.
Ontem, pizza e risadas,
hoje, silêncio consumido.
Mensagem triste chegou,

desejando distância e frio.
Sexta-feira virou deserto,
meu esforço foi vão, vazio.
Corri, cheguei cedo,

mas o portão estava trancado.
A porta fechada, as luzes apagadas,
tudo em vão, tudo negado.
Fui pra casa desolado,

lágrimas rolando no rosto.
Deitei, e a solidão no quarto
sufocou-me quase à morte.

O RITUAL DO DESPERTAR
Acordar cedo não é apenas cansaço,
é um ritual sagrado, um convite ao dia que nasce.
"Puxar para cá, ajustar ali" —
movimentos precisos, quase uma dança,
uma geometria viva que ganha forma nas mãos.
Cada furo, cada encaixe,
é um verso no poema da madeira que respira,
que se transforma sob o toque do artesão.
CIÊNCIA E FÉ
Subir escadas não é só um esforço físico,
mas subir degraus de um altar,
onde medir, calcular e dominar forças
é o equilíbrio perfeito entre engenho e alma.
O suor que escorre é verniz sagrado,
brilhando sobre a obra-prima em construção,
testemunha da fé que move o trabalho.
ESCULTURA DA ALEGRIA
Não se constrói apenas móveis,
esculpe-se luz, escapa-se a essência do tempo.
Peça a peça, a madeira crua renasce,
ganha forma, função e fulgor,
transformando fadiga em orgulho,
trabalho que se torna oração silenciosa.
EM SÍNTESE
Arte + ciência + devoção = poesia concreta.
Nas mãos, a serraria canta sua melodia,
no coração, a criação habita,
e o mundo se enche de beleza e sentido.
Marcenaria é o encontro sagrado entre matéria, conclusão e alma.