JeffinFreitas
É triste tentar não se convencer e perceber que a nossa amizade não acabou por uma briga, mas sim pelo silêncio de quem cansou de procurar e de quem nunca fez questão de responder.
Aos poucos, o 'até logo' virou vácuo. Lamento muito termos chegado aqui, mas o afeto não sobrevive onde a amizade é unilateral.
Ninguém perde espaço na vida de alguém por falta de tempo, perde por falta de interesse. É frustante reconhecer que os passos dados nessa aparente fraternidade, fora dado apenas por um dos lados.
É uma pena que a nossa sintonia tenha se perdido na rotina. Mas aprendi que, se eu preciso sempre dar o primeiro passo, significa que já estou caminhando sozinho há muito tempo.
Agradeça quando sentires ANGÚSTIA diante de uma decisão, é sinal de que és livre e o tempo é finito, logo, suas escolham carregam um peso a serem diluídas.
Olhar para quem já nos quis tão bem e perceber que, agora, a nossa existência ou ausência tanto faz, é uma das despedidas mais silenciosas e dolorosas que existem.
Existe uma crueldade sutil na amizade que arrefece sem brigas. Quando há um conflito, há uma demarcação clara: um fim, uma justificativa, uma ferida exposta que exige cicatrização. Mas quando o afeto simplesmente evapora, restamos nós, equilibrando o peso das memórias contra a leveza do desinteresse do outro.
É um processo confuso. Olhamos para trás e lembramos do carinho genuíno, das palavras de apoio, da presença que parecia inabalável. Aquilo existiu. Não foi uma mentira. O que torna tudo mais difícil de digerir é perceber que a mesma pessoa que um dia se importou profundamente, hoje escolhe a indiferença, o "tanto faz".
Aos poucos, as mensagens ignoradas, as respostas monossilábicas e as desculpas automáticas vão desenhando um novo cenário. A palavra "amigo" passa a soar como um eco antigo, um rótulo mantido apenas por conveniência ou nostalgia, mas desprovido de substância.
Aprender a recolher o próprio afeto e dar um passo atrás não é um ato de orgulho; é um ato de preservação. Afinal, a verdadeira amizade não exige reciprocidade matemática, mas exige, no mínimo, um porto seguro onde a nossa presença ainda faça alguma diferença.
