Jefferson Freitas

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O período solitário não vive sem a ingratidão

Estar sozinho não é o mesmo que ser solitário e depressivo; certamente, é possível estar acompanhado e ainda sentir um vazio. Tal compreensão é indispensável.

A solidão não gosta da companhia de um coração grato pelo Zelo Divino, mas adora um vínculo fraco, onde o apreço infelizmente não é correspondido.

Então, naturalmente, seguir o próprio caminho é necessário, agradecer é imprescindível, com Deus conduzindo cada passo, prestando o seu amor e sendo abrigo.

Portanto, solitário não é estar sozinho, é ter que receber a solidão por estar mal acompanhado, seja pela própria presença, seja pela de outro alguém que não compensa.

Numa interação imprudente que não agrega: vestida de uma reclamação recorrente; uma tormenta de muita negatividade, que deixa a gratidão a Deus ausente. Isso é estar solitário de verdade.

A fraqueza pode fazer querer desistir do essencial, mas as boas lembranças podem transformá-la em resiliência.

O Desejo de uma Última Dança e a Esperança de um Reencontro

No recanto de mais um devaneio poético, inspirado profundamente em uma história de amor, eu o vejo no céu lá no alto, observando atenciosamente a sua amada que ficou; certamente, sempre que ele a observa, pensa:

“Se eu pudesse ter pelo menos mais um momento ao teu lado, dançaríamos uma última dança; estaríamos sorridentes, os nossos corações bateriam sincronizados, nossos olhares brilhariam alegres e o tempo passaria ignorado — um privilégio que não teria nenhum desperdício. Um sonho realizado”

“Infelizmente, isso está fora do meu alcance; o que me resta é continuar te observando, até que possas um dia estar aqui comigo, pois o nosso amor continua vivo e o nosso laço será eterno; ainda desfrutaremos de um profundo regozijo, nossos corpos serão renovados e estaremos novamente reunidos.”

Quando a poesia se junta com o imaginário, o impossível passa a ser realidade, mesmo que seja apenas na minha mente, em tons de saudades, de uma imaginação impaciente, de sentimentos e verdades, todos coexistentes.

A Parada que faz a vida não parar

O caos e as responsabilidades podem ficar distantes de vez em quando, enquanto se para por alguns instantes para simplesmente observar a vida seguindo o seu fluxo, como acontece na movimentação de uma noite qualquer — uma oportunidade de respirar fundo, de fortalecer fé e sem ver o tempo passar; assim, poder recuperar o fôlego, aliviar o peso da mente, o cansaço do corpo, pois, logo, tudo começará novamente.

O Vermelho que Entrelaça Dois Universos

O vermelho intenso que abraça os teus lábios traz o tom do desejo; do calor prazeroso de um sonho acordado. Rumo ao teu encontro — tão emocionante quanto os beijos demorados entre dois universos exultantes por estarem intensamente entrelaçados.

Vinho e versos nas curvas de uma taça

Taça singela com as suas belas curvas, envolvendo no seu íntimo uma porção de vitalidade — um vinho intenso na quantidade exata para um avivamento, que relaxa e aquece o corpo nesta madrugada e em qualquer outro momento; um fogo ou um simples conforto que alcança a alma, assim como fazem alguns dos meus versos.

“Risiliência” — A Resiliência do Teu Riso

Nunca te esqueças de que vale muito esse teu riso — um valor inestimável; uma das partes mais importantes da tua beleza. E claro que não estou falando apenas do aspecto físico, sendo o esplendor genuíno da tua resiliência, do amor que trazes no teu íntimo e do teu senso de humor característico que prevalece sobre a tristeza. Portanto, espero que esse teu riso apareça sempre que possível numa bela apresentação visual e sonora, como as ondas do mar de um verão inesquecível.

O Canto Oprimido que Não pôde ser Silenciado — A Ex-Noiva que se libertou

Conheceu o seu Futuro Algoz que se apresentou com uma boa conversa, palavras bonitas e comentários inteligentes; provavelmente, também foi o motivo de alguns dos seus risos mais alegres; tinha uma aparência agradável; demonstrava um olhar confiante e uma certa gentileza — de fato, atributos raros e cativantes que não levantaram nenhuma suspeita. Um mal inevitável; a iminência de uma grande tristeza.

Conseguiu conquistar a confiança dela e o privilégio do seu amor, as consequências disso viriam a ser as piores — a dor da sua alma —, mas não tinha como ela prever que havia tomado a decisão errada e, ainda deslumbrada pela sensação de estar amando e pela ilusão de estar sendo amada, acreditando que tinha encontrado a pessoa certa; ele foi astuto, soube usar bem a sua persuasão. Uma combinação perfeita para entristecer o seu mundo.

O pedido de casamento foi feito com entusiasmo, aparentemente um momento feliz; entretanto, logo iniciou o seu sofrimento — tudo bem diferente do que ela havia esperado—, as reclamações e os desentendimentos foram ficando cada vez mais frequentes, nunca era boa o bastante, tratada como a problemática e a inconsequente; rapidamente, a sua realidade dos sonhos começou a desmoronar, o seu castelo de cartas; o seu brilho estava claramente fraco diante daquela felicidade falsa.

E o que deveria ser um laço de cumplicidade, no final das contas era apenas um opressor querendo impor a sua vontade — exigiu para casar com ela que silenciasse a sua voz: o canto da sua autenticidade, a musicalidade que desde muito antes habitava o seu coração. Uma demonstração de maldade; da falta de consideração. Ele finalmente havia tirado a máscara da sua falsidade, desistiu de ficar fingindo, fez questão de mostrar a sua verdadeira face, acreditava que tudo estava sob o seu domínio.

Implacável, fez o incisivo ultimato “Quero que seja minha esposa, entretanto, você deve parar de cantar; não estrague tudo fazendo a escolha errada.” Com certeza, não era a intenção dele, todavia, através daquele feito, ela pôde despertar para a sua libertação, já havia derramado muitas lágrimas, desfrutando a pior solidão por estar mal acompanhada; então, o encanto acabou; tomou coragem e, determinada, desabafou em alta voz a sua infelicidade sem vacilar em nenhuma palavra.

“Eu acreditava que estava vivenciando o mais próximo de um paraíso, num relacionamento quase perfeito, porém, graças a você vivenciei um inferno na terra. Não aguento mais permanecer aqui ao teu lado; você não vai silenciar o meu canto; se, em algum dia, você me amou, clamo que deixe-me ir”. Assim, ele que ficou em silêncio e num vislumbre de bom senso, não a segurou. Ela seguiu em frente. Uma ex-noiva que redescobriu o seu valor. A força de uma canção veemente.