Isaque Ramon Correia Claudio
Roubaram a inocência do mundo e deixaram no lugar a frieza de corações que já não sabem o que é sentir paz.
Vemos o amor ao próximo ser massacrado todos os dias por uma multidão que trocou o coração por uma pedra.
O choro dos bons ressoa na escuridão de uma sociedade que perdeu o rumo e se orgulha da própria brutalidade.
É devastador ver a inocência e a generosidade serem tratadas como alvos fáceis por corações que já se corromperam por inteiro.
Viramos feras vestidas de gente, destruindo a mão que nos estende socorro e pisando na esperança de quem só queria fazer o bem.
A luz de quem é puro incomoda as trevas dos que já se entregaram ao mal, e é por isso que tentam apagar a bondade a todo custo.
O respeito morreu sufocado pelo egoísmo, e hoje choramos as ruínas de uma humanidade que preferiu a guerra de egos ao abraço fraterno.
É uma dor sem fim ver o bem ser encurralado, vendo a dor alheia virar espetáculo para uma era sem alma.
A verdadeira solidão da nossa era é sentir demais em meio a uma multidão que decidiu não sentir mais nada.
Feriram a bondade até que ela pedisse silêncio, e agora o mundo se assusta com a frieza que ele próprio cultivou.
É doloroso ver que a empatia virou um luxo raro, enquanto a maldade se tornou o hábito banal de todos os dias.
Deixamos a luz apagar, e no escuro da nossa própria ignorância, passamos a tropeçar e a ferir uns aos outros sem qualquer piedade.
Cansados de ter o peito rasgado, os bons fecham as janelas da alma para não verem a tempestade do desprezo lá fora.
Quem rotula quem tem esquizofrenia como "louco" ou "perigoso" desconhece a realidade e prefere a ignorância do preconceito ao acolhimento da empatia.
A verdadeira crueldade está em pisar em quem já carrega uma dor invisível, transformando uma condição de saúde em motivo de humilhação.
A maioria das pessoas com esquizofrenia não quer fazer o mal a ninguém; elas apenas lutam diariamente contra a dor de serem incompreendidas por um mundo intolerante.
Discriminar quem pensa ou sente diferente não torna ninguém superior — apenas revela a pequenez de uma sociedade que rejeita o que não consegue entender.
Mentes brilhantes e sensíveis muitas vezes são chamadas de "estranhas" por uma multidão que prefere a superficialidade ao respeito pela singularidade alheia.
A ignorância transforma a dor do outro em motivo de chacota, mostrando que a verdadeira doença da humanidade é a falta de compaixão.
Julgar alguém por suas ideias ou por sua saúde mental é a prova de como o preconceito cega e impede as pessoas de enxergarem o ser humano que existe por trás do rótulo.
Reduzir quem enfrenta a esquizofrenia a um rótulo violento é o reflexo de um preconceito cego que prefere inventar monstros a estender a mão.
A imensa maioria de quem vive com transtornos mentais só busca paz e respeito, mas acaba ferida por uma sociedade que confunde dor com ameaça.
