Isaque Ramon Correia Cláudio

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Você rejeita a luz de um tratamento digno e escolhe a escuridão dos calabouços emocionais, como se precisasse da humilhação diária para se sentir viva.

A mão que te afaga com respeito é empurrada para longe, abrindo espaço justamente para os braços que te empurram para o fundo do poço.

Você se ajoelha diante de quem te usa como capacho e cospe no prato de quem te oferece um banquete de respeito e consideração.

A bofetada diária virou seu porto seguro, e a pessoa que te estende a mão para te levantar é tratada como a grande ameaça da sua vida.

É um desperdício doloroso: dar o seu melhor para quem te apaga, enquanto afasta com raiva quem dedicaria a vida inteira para te ver sorrir em paz.

Você veste as correntes que te prendem a quem te diminui e rejeita a chave da liberdade que alguém tenta te entregar com tanto carinho.

O carinho limpo assusta quem só sabe respirar a fumaça da humilhação; por isso, você corre de volta para o incêndio que te consome todos os dias.

Escolher quem te machuca é um modo silencioso de punir a si mesma, recusando o abraço de quem só quer te ver curada e feliz.

Há uma estranha lealdade em morder a mão que te afaga e beijar os pés de quem te rasteja pelo chão

Você se acostumou tanto a ser o alvo que, quando alguém te trata com decência, você acha que é armadilha e prefere voltar para o chicote de quem te usa.

É doloroso assistir: você corre para o fogo cruzado de quem te fere e fecha a porta na cara de quem faria de tudo para te ver em paz.

A dor da humilhação virou sua zona de conforto; trocar o carinho por uma bofetada constante tornou-se a sua pior e mais silenciosa prisão.

Você prefere a companhia de quem te diminui na primeira oportunidade do que suportar a responsabilidade de ser amada de verdade por quem te quer bem.

Escolher quem te machuca não é falta de opção, é o medo profundo de descobrir que você merecia um amor que não doesse.

Você joga fora a flor de quem quer te ver crescer para carregar os espinhos de quem faz questão de ver você murchar.

Você coleciona cicatrizes deixadas por quem te ignora, mas teme e afasta a única pessoa que daria o mundo para ver a sua pele sem marcas.

É trágico ver você implorar um pingo de atenção de quem te apaga, enquanto trata com indiferença quem faria de tudo para te manter acesa.

Dá raiva ver a pessoa dando dinheiro para quem só pisa nela e ignorando quem quer vê-la crescer.

Pagam caro para serem humilhadas por sanguessugas que só querem o bolso delas cheio e o resto que se dane.

Financiam o próprio carrasco com dinheiro e carinho, enquanto viram as costas para quem realmente quer ajudar.

Preferem lamber a bota de quem é famoso e cospe nelas, virando as costas para o pequeno que rala para crescer com o coração limpo.

É revoltante: bajulam quem tem fama e as humilha, mas pisam em quem é pequeno e tenta vencer com dignidade ao lado delas.

Correm atrás de quem arruma confusão e destrói a paz, rejeitando solenemente quem só quer o bem e luta para crescer junto.

Trocam o abraço sincero de quem está na luta diária pelo veneno de quem é famoso, maltrata e ainda faz questão de humilhar.

Preferem o palco da briga e da humilhação com os grandões do que a parceria honesta com quem é pequeno e realmente se importa.