Iacobus Blasco
A tragédia do propagandista político é a crença de que sua lealdade é valorizada. Ele defende uma causa que o usa como escudo. Mas o poder totalitário, por sua natureza, dispensa máscaras e intermediários. Quando a tirania se revela, ela já não precisa de defensores, mas de executoras. Sua função cessa no momento em que a realidade que ele negava se torna a única verdade aceitável.
Na peça do poder, o porta-voz descartável é o ator que entretém a plateia enquanto o palco é montado. Sua função é criar a ilusão. Quando a verdadeira encenação começa, com suas regras brutais e sem roteiro, o ator é retirado. O despotismo não precisa de quem aplaude, apenas de quem o assiste em silêncio!
