Biografia de Hilda Hilst

Hilda Hilst

Hilda Hilst (Hilda de Almeida Prado Hilst) nasceu em Jaú, São Paulo, no dia 21 de abril de 1930. Filha do fazendeiro de café e jornalista Apolônio de Almeida Prado Hilst, e da imigrante portuguesa Bedecilda Vaz Cardoso. Em 1932, após a separação dos pais, mudou-se com a mãe para a cidade de Santos. Foi aluna interna do Colégio Santa Marcelina e do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Em 1948, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Em 1950, Hilda Hilst publicou seu primeiro livro de poesias, intitulado “Presságio”. Em 1951 publicou “Balada de Alzira”. Nesse mesmo ano foi nomeada curadora de seu pai. Em 1952 concluiu o curso de Direito. A partir de 1954, passou a se dedicar exclusivamente à produção literária. Entre 1955 e 1962, publicou diversas obras de poesias, entre elas, “Balada do Festival” (1955) e “Ode Fragmentária” (1961).

Em 1965 muda-se para Campinas, onde passou a morar na “Casa do Sol”, obra planejada pela escritora, próxima à fazenda de sua mãe, e que foi frequentada por diversos amigos. Em 1968, Hilda casa-se com Dante Casarini. Nesse mesmo ano escreve as peças teatrais “O Visitante” e o “Novo Sistema”. Em 1970 se inicia na ficção, com o livro “Fluxo Floema”. Em 1982 escreve “Senhora D”, que foi posteriormente adaptada para o teatro. Em 1985 divorcia-se do marido. Em 1992 publica “Bufólicas”, poesias satíricas.

Hilda Hilst era culta, de personalidade marcante e temperamento transgressor que ia de encontro aos costumes da época. Criadora de textos magníficos leva o leitor a um mundo intrépido e de uma fascinante prospecção filosófica sobre o amor, a morte, o horror e a busca.

Hilda Hilst recebeu diversos prêmios literários, entre eles, o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), na categoria “Melhor Livro do Ano”, em 1977, por “Ficções”. A escritora faleceu em Campinas, São Paulo, no dia 04 de fevereiro de 2004.

Acervo: 51 frases e pensamentos de Hilda Hilst.

Frases e Pensamentos de Hilda Hilst

Se te pareço noturna
e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim,
como se tu me olhasses
E era como se a água
Desejasse...

Hilda Hilst
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Dez Chamamentos ao Amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
desejasse.

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

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Como me sinto? Como se colocassem dois olhos sobre uma mesa e dissessem a mim, a mim que sou cego: isso é aquilo que vê, essa é a matéria que vê. Toco os dois olhos sobre a mesa, lisos, tépidos ainda, arrancaram há pouco, gelatinosos, mas não vejo o ver. É assim o que sinto tentando materializar na narrativa a convulsão do meu espírito, e desbocado e cruel, manchado de tintas, essas pardas escuras do não saber dizer, tento amputado conhecer o passo, cego conhecer a luz, ausente de braços tento te abraçar.

Hilda Hilst
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Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.

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Te amo ainda que isso te fulmine ou que um soco na minha cara me faça menos osso e mais verdade.

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