Gilberto Araújo de Alcântara
A felicidade é como aquela caneta que parece perdida. Procura-se tanto e, mais tarde, percebe-se que está atrás da orelha.
A vida, em alguns momentos, pode amargar. Em outras ocasiões, pode estragar, mas no todo, ela é saborosa para quem a sabe conservar no tempo de validade.
A sociedade induz que se viva numa camisa de força. Muitos aceitam sem questionar. Outros reclamam, mas acabam se aprisionando. Poucos têm a ousadia e a liberdade de usar uma vestimenta própria que não oprima seus movimentos.
Quem diz não acreditar em Deus não pode ser considerado ateu, porque no fundo quer tomar o lugar de um deus.
A vida pode ser assim: sair do útero aos prantos. Mergulhar na vida. Afogar-se no amor. Recuperar o fôlego quantas vezes for preciso e despedir-se do mundo com um belo sorriso.
O sábio tem sede de conhecimento e sabe beber nas melhores fontes. O soberbo, por outro lado, toma todas, fica bêbado e ainda vomita tolices.
Procure a evolução interna e caminhará com a alma leve. Busque bens exteriores e terá que carregar pesadas malas.
Todos os dias somos julgados, sentenciados, recorremos das decisões e, assim, tramita a vida, até o trânsito em julgado.
De nada adianta ter uma pessoa ao seu lado para apoiá-lo ou atrás para respaldá-lo ou à sua frente para defendê-lo, se você não conta com seu próprio apoio.
Há quem tenha aparência de um inofensivo pombo, mas oculte o interior de abutre, olhos de crocodilo e língua de serpente.
Para o deprimido, o ‘sim’ representa uma luz no fim do túnel. O ‘não’ , um eco interminável na escuridão.
Nascemos em prisões. Não escolhemos as celas e, mesmo quando tentamos escapar, somos caçados até a morte.
Nascemos para viver como rosas naturais com espinhos, mas somos adestrados para viver como rosas de plástico e, no final, deixarmos a vida como rosas de papel.
Nascemos com palmada no traseiro. Mais tarde, se nos portarmos conforme a sociedade deseja, tomamos tapinhas nas costas e, só ao final da existência, percebemos que passamos a vida levando na cara.
É preciso respeitar as vírgulas e considerar as pausas para não perder o fôlego antes de chegar ao ponto final.
Insensível, insensato e insano é o mestre que ensina o que não pratica e só é capaz de perceber o paradoxo quando alguém o repreende.
