gabrielle_moreira
— Boa tarde.
— Bom dia, pois, ainda não almocei.
— É um prazer conhecê-lo, Mal’akh Zemán.
— Como disse?
— O anjo do tempo… não é você?
Pois pensei tê-lo ouvido dizer:
“Que a tarde retroceda e não se inicie até que eu tenha, com satisfação, a minha segunda grande refeição do dia.”
Exercendo, assim, a autoridade que Deus lhe concedeu sobre o tempo — já que somente dessa forma tal poder poderia ser obtido.
Ou talvez eu tenha entendido mal a hierarquia celestial.
Senhor,
Tu és infinito,
por isso dá-me uma sede que nunca se encerra.
Para que meu coração nunca se orgulhe dizendo:
“agora, de fato, conheço a Deus”,
mas para caminhar lado a lado Contigo.
Livra-me da ilusão de Te compreender por inteiro
e dá-me a graça de Te conhecer dia após dia.
Alimenta-me o bastante para continuar,
e deixa em mim a fome que me mantém humilde.
Que eu não queira Te possuir,
mas permanecer perto.
Amém.
Jesus é o cordeiro perfeito.
Ele viveu o que nenhum outro cordeiro jamais viveu.
Seu sacrifício não foi apenas um ato final; foi uma escolha diária.
Uma entrega constante. Uma vida oferecida por nós.
“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; mas sim, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.”
— Hebreus 4:15
Jesus não apenas morreu por nós; Ele viveu por nós.
Seu sacrifício começou muito antes da cruz.
Não deixou apenas um túmulo vazio, mas um legado.
Um exemplo. Uma prova.
E não falo apenas da ressurreição, mas de algo ainda mais profundo:
Jesus nos mostrou que é possível viver em santidade.
Que uma vida guiada por Deus pode resistir ao pecado.
Não há desculpas, adversidades ou ódio que impeçam um coração fiel, íntegro e verdadeiro de caminhar em direção aos céus.
“Assim como pela desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos serão feitos justos.”
— Romanos 5:19
Jesus não foi apenas um cordeiro simbólico.
Ele foi um ser humano real, tentado como nós, pressionado como nós, sofrendo como nós.
Mas escolheu viver uma vida santa.
E quando entregou seu sangue, não entregou apenas sua morte,
entregou sua vida inteira.
Cada escolha certa.
Cada resistência ao pecado.
Cada ato de amor.
Prestes a infartar
Prestes a infartar,
perdi o foco.
Você o arrancou de mim.
Delicadamente me chamou —
e agora não consigo desviar o olhar.
Meu coração grita, acelerado:
“Por favor… me dê mais.”
Eu o mantenho na coleira
e digo:
“Você não vai aguentar.”
Prestes a infartar,
à beira do precipício
não consigo me afastar.
Pular também não é uma opção.
Então respiro fundo,
controlando as batidas,
porque sei:
um passo em falso
e volto
para o abismo.
À Viviane
Ser uma alma livre era o que ela queria.
Abraçava os mais diversos hobbies, sempre em busca de sentir um pouco dessa liberdade.
Desenhava como ninguém, lindos pássaros que quase podíamos ouvir cantar.
Patinava para sentir o vento em seus cabelos delicadamente pintados de ruivo, pela sensação de voar.
Escrevia belos artigos sobre suas observações da natureza.
Paixão que transformou também em profissão, pois a Biologia era algo que estudava com afinco.
Consigo imaginá-la caminhando pela mata com suas botinas e sua câmera, atenta aos sons da natureza, como uma raposa curiosa caçando memórias.
À noite, a caça era por um empolgante show de rock. Então seu look explorador dava lugar a algo mais ousado: jaqueta de couro preta, saia e meia-calça.
Talvez agora essa alma livre tenha finalmente encontrado a liberdade que sempre buscou nos ventos, nas matas e nas canções da natureza.
E assim seguimos guardando suas memórias nos lugares onde a natureza e a liberdade ainda cantam.
Descanse em paz, alma livre.
