Fabiana Rezende
Entre nós
Não digo amor em voz alta,
digo em cuidado.
No jeito de ouvir você,
no riso que surge sem aviso,
na calma que fica depois da conversa.
Gosto de você assim,
sem urgência,
como quem escolhe ficar
porque faz bem.
Talvez seja pouco pra chamar de amor,
ou talvez seja exatamente isso:
quando o sentimento é real,
ele não pesa.
O Amor que Fica
Eu te amo
no lugar onde nada é pedido,
onde o silêncio também é cuidado.
Te amo sem tocar,
sem cobrar presença,
sem exigir futuro.
É um amor que observa,
que deseja em pensamento
e respeita em realidade.
Guardo você
como quem guarda luz:
não prende,
não apaga,
apenas deixa existir.
Porque alguns amores
não vieram para acontecer,
vieram para ensinar
a sentir.
Trabalho com quem
não fala,
mas sente tudo.
Minhas mãos cuidam,
meu coração entende.
Entre patas e olhares,
faço do amor
meu trabalho.
Eu sobrevivi
a dias em que ficar
era o ato mais corajoso.
Não venci tudo,
mas fiquei.
E isso
já foi vida
recomeçando.
A depressão
não grita,
ela pesa.
É um cansaço
que mora na alma
e finge ser silêncio.
Mesmo assim,
todo dia
eu tento ficar.
Viver
é respirar fundo
mesmo com medo.
É tropeçar
e ainda assim
escolher continuar.
Não é sobre ter tudo,
é sobre não desistir
de si.
Ser independente
é aprender a se sustentar
por dentro.
É escolher ficar
mesmo quando ninguém fica.
É não endurecer,
mas seguir
sem pedir permissão.
Ela não pediu espaço,
ela construiu.
Não levantou a voz,
levantou a si mesma.
Sensível,
mas firme.
Empoderada
porque aprendeu
a não se abandonar.
Gosto do café quente,
do sol entrando devagar,
do silêncio que acalma.
A felicidade mora
nessas coisas pequenas
que a gente quase não percebe,
mas sente.
