EmíliaBôto

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E eu que pensei que precisava de muito para ser feliz.

Pensei hoje nos meus três filhos. Chorei ao lembrar do desejo, os três filhos. Esses que nunca tive. Com exceção de um que já se foi. E dos dois que não nasceram. Doeu não tê-los tido. Sinto saudade dos meus três filhos.

O sucesso de qualquer jornada na vida é construída com determinação, boa consciência, enfrentamento, disciplina e motivação!

Os profissionais que crescem não são os que não enfrentam dificuldades. São os que escolhem não dar desculpas, enfrentar o problema e agir com maturidade diante dele.

Ontem uma pessoa me disse que sentia uma tristeza aleatória.

Existem contextos institucionais em que a exigência por produtividade é tão implacável, que a escuta clínica pode se transformar em algo mecanizado e exaustivo. Essa imposição de horas excessivas de trabalho, traz esgotamento para o profissional que está ali para cuidar da saúde mental dos seus clientes e muitas vezes dos outros colaboradores.

Falta coragem e confiança para conversar coisas de cunho íntimo/pessoal com alguém. Porque as pessoas não entendem e criam uma imagem de que a pessoa é forte. E as vezes não é.

Eu só queria ser eu mesma quando não tenho mais nada para ser. E ainda que eu não seja, continuo sendo sem querer.

Para alguns eu sou luz. Para outros um conforto em momentos difíceis. E embora eu me ame muito, tem momentos que sou só tristeza.

A mãe do André sente muita falta de ser a mãe do André. E embora ele não possa dizer que sente falta dessa mãe. Essa mãe sente a falta de ser sua mãe pelos dois.

Daysemar é um diamante bruto que é lapidada a cada dia e seu brilho se torna cada vez mais fácil de se admirar. Ela se projeta na roda de polimento.

Meu pai cantava essa música quando eu era criança. Me sentia tão amada e orgulhosa de ouvir ele cantando para mim:
"Quero uma mulher
Que saiba lavar e cozinhar
Que de manhã cedo
Me acorde na hora de trabalhar
Só existe uma
E sem ela eu não vivo em paz
Emília, Emília, Emília
Não posso mais
Ninguém sabe igual a ela
Preparar o meu café
Não desfazendo das outras
Emília é mulher
Papai do Céu é quem sabe
A falta que ela me faz
Emília, Emília, Emília
Não posso mais." (canção de Vassourinha)

As pessoas erram o tempo todo. Mas quando eu erro, parece o fim do mundo. E não é para as pessoas, é para mim mesma. E os erros podem ser perdoados. As atitudes erradas podem ser corrigidas. Quase sempre podemos voltar atrás. Nem que seja só pelo arrependimento.

Um dia eu tive um jardim. Começamos, eu e minha prima a observar que as plantas estavam secas, sem vida. Resolvemos molhar elas e aquilo se tornou um compromisso de infância. O jardim era na casa dela e não na minha. Mas a casa dela era como minha casa e onde passei muitos dos melhores momentos da infância e adolescência. Aos poucos vimos as plantas mais verdes e começamos a plantar flores. Elas deram vida de forma indescritível. Se tornou nosso jardim. Hoje me deu vontade de aguar um jardim.

Eu amo os mais simples de coração, pois esses não tem olhos altivos e se esforçam para fazer o bem!

Voltar para casa e perceber que tudo mudou porque minha mãe não está mais aqui é como entrar em um lugar conhecido e, ao mesmo tempo, completamente estranho. As paredes continuam as mesmas, os objetos ainda estão no lugar, mas falta a presença que dava vida a tudo. Existe um silêncio diferente, um vazio que não é só ausência — é a certeza de que nunca mais será como antes.


Sinto um duplo vazio: o da saudade dela e o da perda daquilo que eu também era quando ela estava aqui. É como se uma parte da casa tivesse partido junto com ela, e outra parte de mim também. Tudo parece mais frio, mais distante, como se o mundo tivesse perdido um pouco do sentido e da cor.


É estranho perceber que o lugar continua existindo, mas o sentimento de lar mudou para sempre.

“Perdi minha mãe enquanto estava morando em outro estado, com a família que formei. De lá enviava ajuda, porque a vida era difícil.


Passei anos tentando sobreviver, acreditando que, de alguma forma, ainda haveria tempo para reorganizar tudo. Mas a vida foi levando pedaços de mim no caminho.Aconteceu a separação conjugal. Dois anos depois veio a dor que nenhuma mãe imagina suportar: meu filho, já adulto, morreu por suicídio.


Desde então, vivo me perguntando se perdi as pessoas que mais amei por falta de amor… ou justamente porque, em algum momento, precisei partir para tentar sobreviver. Essa pergunta me atravessa todos os dias. Porque uma parte de mim sabe que nunca deixei de amar. Mas outra parte ainda me acusa por não ter conseguido permanecer, proteger ou salvar.


Hoje entendo que a vida nem sempre nos coloca diante de escolhas entre o certo e o errado. Às vezes, escolhemos apenas o que parecia possível naquele momento. E carregar essa consciência talvez seja uma das dores mais difíceis de suportar.

Criamos raízes profundas em solos onde não nascemos, muitas vezes sem perceber a força desse vínculo. A solidez de um novo lar ou de uma nova fase se constrói no silêncio do cotidiano. Só tomamos consciência do tamanho dessa fundação quando aceitamos o risco temporário de perder o que já se tornou fixo, firme e real. É na vulnerabilidade do desapego que descobrimos onde o nosso coração realmente fincou base.

A distância temporária de um lugar que adotamos como lar revela a profundidade das nossas conexões. Criamos raízes profundas em solos que não são os de nossa origem, e a solidez desse vínculo muitas vezes passa despercebida no cotidiano. É no instante da perda — mesmo que passageira — que despertamos para a realidade de que o temporário se tornou fixo, firme e profundamente real.

Compreender o amor exige tempo, entrega e maturidade. Só quem já amou profundamente — enfrentando as complexidades desse sentimento — ganha a autoridade necessária para pronunciar um "eu te amo" verdadeiro.

Parti em busca de uma promessa que era apenas miragem, descobrindo tarde demais que a única certeza real era a vida que deixei para trás

A distância desfez a ilusão do destino e me trouxe a lucidez do ponto de partida: troquei o que estava certo pelo peso de um engano

O lugar que prometia um novo recomeço era apenas uma ficção; a verdade estava na estabilidade que decidi abandonar.

Olhando agora, percebo o erro: rompi com o que era real e seguro em nome de um recomeço que só existia na minha imaginação

Agora que a miragem se desfez, euavisto o horizonte da promessa; uma reconstrução daquilo que estava certo no único lugar onde a vida fazia sentido.