Eduardo Dutra
Diariamente crucificamos o Cristo e libertamos Barrabás.
Figuras icônicas que durante séculos lançam luz à nossa ignorância, mostrando que até uma doença consegue evoluir mais depressa que a nossa compreensão.
O ultimo poema
Perdido, como uma ovelha levada ao matadouro, preferiu o esquecimento.
Não consciente de si, percebera que já alcançara o que pretendia.
Na calada da noite bateram em sua porta.
Quem seria? Quem teria tamanha ousadia de importuna-lo?
Era a solidão pedindo guarida,
e chorava tanto, que ele chorou com ela,
dançou sua música, bebeu de sua taça.
Lágrimas, a cicuta dos pobres.
Todavia ela o abraçou, o embalou.
Fê-lo entregar-se pouco a pouco
ao frio de suas palavras.
Era uma noite comum,
mas a solidão deu-lhe um
fim.
Se o seu sonho for somente para você, facilmente poderá ser destruído. Mas se ele for para muitos, será inabalável.
Nude
Triste do poeta que pensa estar em um altar imaculado.
Nasceu em um buraco que não tem mais tamanho.
Usa teu poema como asa e não como pá.
Faça melhor, aprenda a tecer.
Na ânsia de sermos aceitos, nos abandonamos. Talvez não exista crime maior ante o tribunal da consciência.
